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Setor de saúde mental vive crise em Santos

Comissão de Saúde Mental diagnosticou problemas estruturais sérios, além da falta de materiais nos equipamentos e diminuição de verba por parte da prefeitura.

 Da Redação*

Santos, historicamente, tem tradição no que se refere à saúde mental, sendo pioneira na questão da reforma psiquiátrica no Brasil. No entanto, hoje a realidade do setor é preocupante, apresentando problemas, como unidades sem profissionais capacitados, espaços insalubres, falta de materiais para oficinas, fornecimento irregular de alimentação e redução drástica do repasse do vale transporte, por parte da prefeitura, o que dificulta as atividades externas dos usuários dos serviços

Os problemas atingem todas as unidades: na Seção de Valorização da Criança (SVC), por exemplo, faltam materiais de oficinas e alimentação adequada. O espaço físico necessita de mudança ou reforma. A situação se repete na Seção de Valorização da Criança da Orla/Zona Intermediária. Faltam materiais fundamentais para o desenvolvimento das ações, como testes psicológicos e jogos. “Os itens deveriam ser repostos mensalmente, coisa que não acontece há muito tempo, pois todas as requisições encaminhadas não são atendidas”, revela a psicóloga Aurélia Rios, integrante da Comissão de Saúde Mental (CSM), do Conselho Municipal de Saúde (CMSS).

Nos Núcleos de Apoio Psicossocial a situação é ainda mais complicada. A falta de profissionais é um dos principais problemas apontados pela CSM. Médicos que deveriam trabalhar nesses espaços assumem outras funções ou exercem dupla jornada, sem cumprimento de horas para atender com qualidade a demanda. Há casos também de profissionais lotados para o atendimento no Caps I e que atendem em outros órgãos da Administra Municipal.

Outras irregularidades foram observadas durante as visitas da Comissão de Saúde Mental, como um número maior de leitos ocupados do que preconiza a Portaria do Ministério da Saúde e uma paciente internada há mais de três anos no espaço, quando a determinação legal é de acolhimento integral (não internação) de ordem voluntária e de no máximo 15 dias.

Outros pontos, como a redução no repasse mensal de vale transporte para atividades externas (de 320 para 50 ao mês); falta de veículos para transporte de pacientes, familiares e profissionais de saúde e precariedade em relação à segurança desses espaços (que em sua maior parte não contam com a presença da Guarda Municipal) também são sérios problemas do setor.

“Assistimos com muito pesar a deterioração desses serviços e queremos que a questão da saúde mental, principalmente em Santos, ande para frente e não retroceda. O Município que foi marco histórico para reforma psiquiátrica urge pela melhora desse serviço”, afirma a conselheira Rosana Ferreira.

*Com informações do Diário do Litoral

Foto: Rogério Bomfim/Arquivo/Prefeitura de Santos

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