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“Nunca tive nenhum pedido de cassação por corrupção”, diz Marcia Rosa- Parte 2

Leia aqui a segunda parte da entrevista da ex-prefeita de Cubatão, Márcia Rosa, feita pelo jornalista Glauco Braga, para o blog Santos em Off.

Por Glauco Braga

A ex-prefeita de Cubatão, Marcia Rosa, nesta segunda e última parte da entrevista, fala sobre o impeachment de Dilma Rousseff, da imprensa, do início do mandato do prefeito Ademário e dos pedidos de cassação que sofreu.

Qual sua avaliação sobre o País atualmente, depois do impeachment de Dilma Rousseff?

A crise continua instalada. Temos, como eu já disse, um governo ilegítimo. E que caminha numa direção oposta à das conquistas sociais dos governos anteriores do PT. A socióloga italiana Donatella Della Porta, estudiosa da Operação Mãos Limpas, similar à Lava Jato, analisa assim a situação política brasileira: “No caso italiano, os principais alvos da Operação Mãos Limpas não tinham um legado que pudesse ser defendido. Vendo a situação brasileira hoje, parece evidente que muitos ainda têm na memória as recentes reformas sociais realizadas pelos governos petistas e pretendem defendê-las. Os democrata-cristãos não tinham nada parecido para mostrar à população italiana.” É uma visão insuspeita, internacional, de alguém que olha de fora o cenário brasileiro, sem envolvimento.

Como avalia o papel da imprensa no País?

Estudei na época da ditadura. E sempre gostei de ler sobre história, política, um pouco de tudo. Os meios de comunicação, principalmente a TV, no caso brasileiro, têm um papel fundamental na informação e na construção do conhecimento. Mas lamentavelmente a grande mídia é monopolista e usa esse poder para construir e destruir de acordo com interesses corporativos capitalistas. Para se informar, é preciso diversificar as fontes e filtrar os conteúdos. Atrás de uma história sempre há outra história. O poder da grande mídia manipula a verdade, cria versões e frustra a carreira do jornalistas na consolidação da democracia ativa. E viva o jornalismo alternativo!!! Espero num tempo muito próximo ver desmontado esse império monopolista no Brasil.

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O que acha do trabalho da imprensa em relação ao seu último mandato e ao início do trabalho do prefeito Ademário?

Essa época que estamos vivendo tem sido definida pelos analistas como a da pós-verdade. As redes sociais divulgam versões no lugar de notícias. E o resíduo dessas mentiras e distorções, depois dos desmentidos e dos esclarecimentos, muitas vezes é o suficiente para os objetivos de quem planta essas informações falsas.  Tenho visto gente envolvida até o último fio de cabelo em escândalos como o do mar de lama, do século passado, escrever, com autoridade moral zero, análises que insinuam acusações absurdas contra as minhas administrações, inclusive com a manipulação de números. Mas existem meios de comunicação e jornalistas sérios na Baixada Santista e é graças a eles que a verdade, no final, sempre acaba prevalecendo.

Como a senhora explica tantos pedidos de cassação?

Eu, pessoalmente nunca tive nenhum pedido de cassação por corrupção, aliás, nenhuma acusação. Nunca houve contra mim nenhum processo por corrupção. Esses pedidos todos, três, na verdade, se baseiam em supostas irregularidades eleitorais. Nas eleições de 2012 a coligação que perdeu às eleições entrou com pedido de cassação contra a coligação vencedora: Marcia Rosa e Donizete. Um deles, em função de uma troca de e-mails entre dois funcionários públicos fora do expediente, um deles eu nem conhecia; Outro se referia a uma suposta influência nas eleições do jornal Reação Popular, que teria sido distribuído aos milhares e que só falava bem do governo. Com todas as realizações do governo nos 3 primeiros anos, as notícias eram mesmo, necessariamente, positivas. Como tudo é muito estranho e o jornal mal circulou em 2012, seria uma ação de cassação coerente? Os dois primeiros têm motivos irrelevantes. Mas o terceiro consegue ser ainda mais absurdo. O pedido de cassação se baseia nos gastos com publicidade institucional da Prefeitura no último ano do mandato. O governo só pode gastar com publicidade no ano eleitoral, a média de gastos dos três anos anteriores. É uma questão matemática. Os números do Tribunal de Contas foram retificados e considerados regulares e as contas aprovadas. Se o TCE não apontou erros, o que teria garantido um pedido de cassação na cidade e a manutenção dele no TRE?  Resumindo: o juiz de primeira Instância da cidade pediu cassação da coligação encabeçada por Marcia Rosa e Donizete nos 3 casos. Importante destacar que as eleições foram em 2012 e ele tomou essa decisão em 2014. Fomos absolvidos no primeiro caso.  No segundo, condenados em segunda instância e ainda está no TSE para ser julgado.

No terceiro, apesar do Tribunal de Contas ter reconhecido o erro, a Justiça ignorou a matemática e houve uma condenação. Obs: Não fomos julgados em definitivo em nenhum processo. Quantos aos pedidos de impeachment na Câmara, sem fundamentos, oportunistas, acontecem às dezenas em todos os mandatos de todos os prefeitos em todas as cidades. O aval jurídico em um caso desses compromete o judiciário e a Câmara. Isso só acontece porque num momento de insatisfação e crise financeira, a política rasteira impera sobre os valores que devem sustentar nossa vida pública e privada.

A senhora, na prática, não terminou seu mandato? Injustiça? Ou se fez justiça?

Acho que a resposta acima é o suficiente para que cada um faça a sua própria análise. Estampado em jornais e TVs sem uma cobertura adequada, as pessoas tendem a pensar que eu tenha cometido algum ato ilícito durante o mandato, o que nunca ocorreu. Obs: considerando que são processos eleitorais, deveriam ter sido julgados antes da posse e não tornar-se matéria requentada por dois anos em veículos de comunicação causando grandes danos na gestão no segundo mandato.

 

 

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