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“Ela passou por cima dele três vezes”, diz testemunha que viu estudante atropelar namorado

A estudante Francine Suati de Lima, de 30 anos, atropelou e matou intencionalmente seu namorado, na noite de sábado (18), em São Bernardo, depois de atingi-lo três vezes com o próprio carro. Este é o relato de um homem que, além de testemunhar o crime, chamou a Polícia Militar.

Da Redação com Informações do G1

A estudante Francine Suati de Lima, de 30 anos, atropelou e matou intencionalmente seu namorado, na noite de sábado (18), em São Bernardo, depois de atingi-lo três vezes com o próprio carro. Este é o relato de um homem que, além de testemunhar o crime, chamou a Polícia Militar.

Francine, que estava visivelmente transtornada na noite do crime, foi indiciada por homicídio qualificado por motivo fútil. Para a Polícia Civil, a estudante usou seu Toyota Corolla para assassinar o recepcionista Daniel Masson, de 35 anos, na Rua Guadalajara.

A investigação considera que o motivo do crime foi uma briga por ciúmes durante o desfile de um bloco de carnaval de rua. Daniel teria cumprimentado ou recebido um telefonema de outra mulher. Em seu interrogatório, Francine negou a acusação de que teve a intenção de atropelar Daniel e disse que foi ele que se jogou na frente do automóvel.

O G1 não conseguiu localizar a defesa da estudante para comentar o assunto. Até a publicação desta reportagem ela continuava presa preventivamente, ou seja, até um eventual julgamento. A mulher seria transferida da cadeia feminina em São Bernardo para uma unidade prisional.

Câmera de segurança

Câmera de segurança gravou o casal fantasiado e discutindo. As imagens mostram quando o recepcionista sai caminhando, com a roupa rasgada, e a mulher entra no seu veículo, e o segue, mas não apresenta o momento do atropelamento.

“Então ela fez a volta com o carro e já foi em direção a ele. Ele se virou e o carro já estava em cima dele. O carro atingiu ele na altura da cintura. Ele caiu por cima do capô e depois caiu no chão”, disse a testemunha à reportagem. “Nessa hora o carro estava parado. Então ela acelera, passa por cima dele, e com a roda direita do carro, passa por cima dele, volta, e passa mais uma vez.”

Essa pessoa só aceitou falar com o G1 sob a condição de que seu nome e rosto não fossem divulgados. Foi uma declaração parecida como essa, dada por esse rapaz, que fez com que a polícia prendesse Francine.

Questionada pela reportagem quantas vezes Daniel foi atingido pelo carro, a testemunha afirmou que “foram três vezes”. Indagada se Francine teve intenção de atropelar o namorado todas as vezes, a resposta foi: “A meu ver, foi intencional sim”.

Discussão e atropelamento

Antes do atropelamento, a testemunha disse ao G1 que passava pela rua quando viu o casal discutindo. “Os dois, ambos se xingando bastante. A moça indo atrás dele para bater nele. Chegou a dar um tapa na cara dele e tudo o mais. Arrancou a roupa dele, ele ficou só de cueca, e foi quando ele disse que iria até a casa da mãe dela”, contou o rapaz.

Em seguida, o homem disse que Francine entrou no automóvel, onde já estava uma amiga dela, e saiu acelerando em direção a Daniel, o atropelando e passando por cima. Quando a polícia chegou, a testemunha falou que a estudante mentiu ao dizer que tinha sido um acidente, e que o namorado havia se lançado na frente do veículo.

“Nesse momento ela começou a falar que ele se jogou na frente do carro e que foi um acidente”, lembrou o rapaz. “Eu chamei um dos policiais de canto e relatei o que eu tinha visto. Outro policial, que estava junto também, já ficou ao lado dela para evitar que ela saísse do local. E depois acabaram tendo de proteger ela porque a população queria agredi-la.”

A estudante foi presa no local. O recepcionista foi levado a um hospital, mas morreu. Na delegacia, Francine afirmou que foi “ofendida verbal e fisicamente” e que “Daniel se jogou na frente” do carro. Disse que “não teve a intenção” de atropelá-lo e “que ficou apavorada com tudo o que ocorreu”.

Sobre o fato de ter dado ré após atingi-lo, afirmou que “ficou desnorteada e que não sabia se ia para frente ou para trás, de modo que passou várias vezes por cima dele”.

“Testemunhas e filmagens constataram realmente que ela praticou esse crime com intenção mesmo”, disse nesta semana à TV Globo o delegado Wagner Milhardo Alves, do 3º Distrito Policial (DP), onde o caso foi registrado. De acordo com o policial, mais pessoas viram o momento em que a estudante acelerou intencionalmente em direção à vítima para atingi-la.

Francine e Daniel ficaram juntos por quase cinco anos. Segundo familiares da vítima, o relacionamento dos dois era conturbado porque a estudante é ciumenta. Ele era formado em técnico de logística.

O corpo de Daniel foi enterrado no domingo (19), em São Bernardo. Ele deixou um filho de 11 anos, de outro relacionamento. O pai da vítima tinha morrido havia cerca de um mês.

 

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