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Deputado tucano expulsa repórter de coletiva de imprensa

Sindicato dos Jornalistas e Associação Brasileira de Imprensa repudiam posicionamento de Orlando Morando

Por Julio Gardesani, do ABCD Maior

O deputado estadual e pré-candidato à Prefeitura de São Bernardo pelo PSDB, Orlando Morando, expulsou a repórter do jornal ABCD MAIOR Karen Marchetti de uma coletiva de imprensa e constrangeu a jornalista perante os demais colegas de profissão que acompanhavam uma convenção partidária em Diadema, nesta segunda-feira (25/07). Durante o evento, que formalizou o prefeito Lauro Michels (PV) como candidato à reeleição na cidade (com o apoio dos tucanos), Morando se recusou a conceder entrevista aos jornalistas enquanto Marchetti não se afastasse do grupo de profissionais da imprensa que buscavam uma declaração do parlamentar.

O deputado Morando se recusou a falar e solicitou que a jornalista se retirasse, alegando que não concordava com a linha editorial do jornal. Para não criar constrangimentos maiores, Marchetti deixou o grupo que acompanhava a entrevista, sendo impedida de exercer sua profissão. O posicionamento de Morando já foi questionado pelo Sindicato dos Jornalistas e também pela ABI (Associação Brasileira de Imprensa).

“A Regional ABCD do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) vem a público repudiar a atitude do deputado estadual Orlando Morando de constranger a jornalista Karen Marchetti no exercício de sua função. Constranger jornalista é também um atentado contra na liberdade de imprensa”, publicou em nota oficial o sindicato.

De acordo com o diretor da ABI, Moura Reis, o posicionamento do deputado não era visto nem mesmo durante a ditadura militar (1964-1985).

“Estranho a atitude do deputado. Embora seja importante lembrar que ninguém é obrigado a dar entrevista. Fui repórter durante a ditadura e, em nenhum momento, me recordo de ver algum profissional ser retirado ou impedido de exercer seu trabalho. Trabalhei no Correio da Manhã durante o governo militar, que buscava ainda fazer oposição ao regime logo após o golpe, e nunca o general Castelo Branco se recusou a responder uma pergunta minha”, garantiu Reis.

Para o diretor da ABI, a postura do deputado pode confundir seus eleitores. “Então, se ele se tornar prefeito de uma cidade, Morando irá atender apenas os moradores que o apoiam e o aplaudem? Ou irá isolar um bairro onde não obteve a maioria dos votos. Um político eleito passa a integrar o processo democrático. Isso não deve ser esquecido”, completou Reis.

A assessoria de imprensa do deputado foi mais uma vez procurada, mas não retornou à reportagem.

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