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Para urbanista, Santos está se tornando uma “cidade oca”

Rafael Ambrosio, arquiteto e professor universitário, explica que nos bairros da praia, os prédios são enormes, e com poucos apartamentos, para famílias pequenas. “As áreas mais verticalizadas são mais ocas e estão mais vazias”, diz

Da Redação

Santos tem prédios
Para urbanista, prédios teriam que seguir padrão do Gonzaga e Copacabana, no Rio, com áreas comerciais no térreo

Enquanto Santos tem prédios novos e modernos, altos e caros, tem famílias morando em cortiços e a cidade abriga a considerada maior favela de palafitas do País, o Dique da Vila Gilda. “Se você não tem recurso para comprar um imóvel pelo mercado, você não tem como acessar qualquer espaço de moradia digna. Historicamente quais são as áreas que as famílias de baixa renda ocupam? As áreas que não têm valor de mercado: encosta de morro, palafitas”, afirmou o urbanista Rafael Ambrosio, professor das faculdades de Arquitetura da Universidade Católica de Santos (UniSantos) e da Universidade Paulista (Unip), em entrevista ao Diário do Litoral.

dique da vila gilda
Dique da Vila Gilda, favela de palafitas na cidade que tem o maior porto do País (Foto: Dique das Cores)

Segundo ele, a cidade que abriga o maior porto do país, tem problemas que acompanham o restante do Brasil, no que diz respeito à construção civil de prédios que não contribuem para uma cidade mais harmoniosa. “Santos está revendo a Lei de Uso do Solo, que empacou por questões de divergências com o setor da construção civil, que não quer perder privilégios nos índices urbanísticos e busca continuar produzindo esse tipo de edificação que a gente tem aqui. Uma das ideias era dar incentivos para permitir que se construam áreas comerciais nos térreos como é o Gonzaga e Copacabana, no Rio de Janeiro”.

Para o urbanista, o argumento de que construir prédios na orla e verticalizar traz desenvolvimento deve ser questionado: “Pode trazer desenvolvimento econômico para quem vende, mas o desenvolvimento social e ambiental, do ponto de vista da qualidade de vida e dessas políticas públicas que vêm junto e que deveriam ser pensadas conjuntamente, só pioram”.

Sua conclusão é que “as áreas mais verticalizadas são mais ocas e estão mais vazias. A tendência é aumentar. Densidade construtiva não quer dizer necessariamente densidade populacional. Estamos fazendo é uma cidade oca, vertical e superadensada onde não é verticalizada, que são justamente onde estão as áreas irregulares”.

Leia a entrevista completa aqui.

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