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Para Haddad, retirada de colchão de morador de rua evita “refavelização”

Segundo prefeito, guardas não podem tocar em cobertas e objetos pessoais e há vagas ociosas em abrigos. Para Padre Julio Lancellotti, da Pastoral do Povo de Rua, “declarações  são deslocadas da realidade”

Da Redação

Ato na Av. Paulista lembra pessoas que morreram nas ruas pelo frio nos últimos dias (Foto: Reprodução)
Ato na Av. Paulista lembra pessoas que morreram nas ruas pelo frio nos últimos dias (Foto: Reprodução)

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, disse que a retirada de colchões e papelões pela Guarda Civil Municipal (GCM) é uma estratégia para evitar a “refavelização” de praças públicas.

“Fizemos a desfavelização de 17 praças públicas da cidade, sem nenhum higienismo. Todo mundo que estava na praça foi acolhido pelos equipamentos da Prefeitura. O que estamos tentando impedir é a refavelização, que acontecia com muita frequência.”

A GCM é proibida de retirar cobertores e outros objetos pessoais. Em caso de denúncia formal, segundo o prefeito, um procedimento administrativo disciplinar é “imediatamente” aberto para investigar a conduta dos guardas civis.
Haddad justifica a posição dizendo que há vagas ociosas em abrigos municipais e que foram abertas 1,5 mil vagas emergenciais em abrigos nas últimas semanas, quando as temperaturas começaram a cair na capital paulista.

“A atual gestão abriu 2.000 novas vagas com leitos para acolhimento, mas o mais importante é que essas vagas foram diversificadas, ou seja, abertas para famílias, o que não havia na cidade de São Paulo, para a população LGBT, que não conseguia ser acolhida nos serviços regulares, e para os imigrantes. A ideia é, cada vez mais, atrair essas pessoas que têm resistência aos acolhimentos”, afirmou a secretária de Assistência e Desenvolvimento Social, Luciana Temer.

Diante do frio na capital, a população em situação de rua é a que mais sofre. Quatro pessoas já podem ter morrido devido às baixas temperaturas.

Nas internet, cresce a indignação contra a atuação da GCM. O comandante Gilson Menezes disse que a ação buscava evitar a privatização do espaço público.

Padre Julio Lancellotti, da Pastoral do Povo de Rua, disse que as declarações do prefeito “são deslocadas da realidade”. “O colchão não é um objeto pessoal?”

“A situação que o povo da rua vive hoje em São Paulo é como a dos refugiados na Europa: ninguém os quer. Aqui, são refugiados urbanos. Onde estão, incomodam. São deportados dentro da cidade, sempre de um lado para o outro”, lamentou o padre em entrevista à BBC.

 

Comentários

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  • andre magyar

    Sr. Lanceloti. Há muito espaço ocioso nas Igrejas, o que possibilita dar abrigo noturno a necessitados até as “Laudes”.

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