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Por que a máfia da merenda não é investigada?

Comissão de Educação da Assembleia Legislativa não analisa requerimentos sobre máfia da merenda por falta de quorum. Segundo deputado Carlos Giannazi, governo do estado impede instalação de CPI para apurar desvio de milhões da educação

Da Redação

O escândalo da máfia da merenda no estado não deverá ser investigado. Pelo menos se depender dos deputados estaduais que compõem a maioria na Assembleia Legislativa de São Paulo. A Comissão de Educação e Cultura da Alesp ainda não analisou nenhum requerimento já protocolado sobre o escândalo.

Apenas uma das quatro reuniões da Comissão em 2016 teve quorum suficiente, e o assunto não entrou na pauta. O deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) diz que a oposição tenta convocar os envolvidos por meio de requerimentos, como o ex-secretário da Educação, Herman Voorwald, e o ex-chefe de gabinete da secretaria, Fernando Padula, citados na investigação como receptores de propina. Mas os deputados da Comissão de Educação não estão dando quórum nas reuniões, para não deliberarem sobre os vários requerimentos.

Em foto apreendida, o vendedor da Coaf Carlos Luciano Lopes aparece cercado de dinheiro que seria de propina (Reprodução)
Em foto apreendida, o vendedor da Coaf Carlos Luciano Lopes aparece cercado de dinheiro que seria de propina (Reprodução)

Segundo o deputado, os parlamentares de oposição tentam instalar uma CPI para investigar o escândalo. “Não conseguimos porque o governo Alckmin obstrui a implantação de qualquer CPI que mexa com o governo.”

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) tem maioria em cada comissão da Assembleia (são 18 permanentes) e quase não há movimentação.

“É muito sério o que está acontecendo. A educação já tem falta de recursos e ainda é assaltada por quadrilhas que se organizam com cooperativas da Coaf, membros do governo do estado”, afirmou. “É uma afronta aos 3,8 milhões de alunos matriculados na rede estadual”, lamentou. “Enquanto temos esse saque, as escolas estão distribuindo merenda seca.”

O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), Fernando Capez (PSDB), e o ex-chefe de gabinete da Casa Civil do governo paulista, Luiz Roberto dos Santos, também foram citados como beneficiários de esquema de fraude em licitações de merenda escolar de 22 cidades paulistas.

Segundo o Ministério Público, a cooperativa de agricultores, a Coaf, assinou ao menos R$ 7 milhões em contratos com prefeituras e o governo estadual, somente entre 2014 e 2015, para o fornecimento de alimentos e suco para a merenda. Parte desse valor, no entanto, era usada no pagamento de intermediários e agentes públicos que atuavam no sentido de facilitar ou fraudar as licitações para beneficiar a cooperativa.

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