Da Redação*

Em tempos de internet e maior acesso à informação, surge um novo tipo de mãe. Ela se informa, participa de grupos de discussão, lê recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e artigos sobre estudos. Assim, essas mulheres não aceitam tudo que o pediatra diz no consultório. Às vezes, essa nova mulher se descobre até mesmo na gravidez e na busca de um parto que não seja levado a uma cesárea desnecessária. Isso porque o Brasil tem um dos mais altos índices de cesáreas. Enquanto a OMS recomenda a taxa entre 10 e 15%, no País, o percentual chega a 84,6% na rede particular, segundo o órgão.

Depois que o bebê nasce, essas mulheres que se empoderaram no parto, continuam tomando decisões e não aceitando orientações como a de que o bebê só deve ser amamentado a cada três horas, por exemplo. Elas leram as recomendações da Organização Mundial da Saúde de que o aleitamento materno deve ser em livre demanda. Elas trocaram experiências em comunidades virtuais e, nesses espaços, leram diversos artigos sobre o tema, muitos dos quais contrariando a opinião do pediatra.

Administradora de um grupo no Facebook, denominado “Apoio Materno Solidário”, a pedagoga Simone Tenório de Carvalho percebeu a mudança no jeito com que as mulheres se relacionavam com o pediatra dos filhos e decidiu, a partir daí, desenvolver seu mestrado, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A pesquisa ouviu 200 mães por meio de questionários. Quarenta mulheres aceitaram conversar com Simone online, contando suas experiências. “A razão principal que leva as mães a buscarem a comunidade, em linhas gerais, é a vivência de alguma dificuldade no pós-parto, em especial com o momento da amamentação”, descreve a autora.

“Por meio de um programa de computador, eu inseri as informações das entrevistas e fiz a conexão dos duzentos discursos como se fosse uma só mãe falando. É interessante notar como todos os discursos desembocam em um mesmo lugar”. Trata-se do que Simone considera “empoderamento materno”, ou “autopoder materno”.

“O pediatra só é ouvido e seguido, neste contexto, quando reconhece a capacidade de autogerenciamento da mãe, está atualizado quanto à sua própria especialização e desenvolve uma interação com essa mãe”, observa a pesquisadora.

A partir dos resultados da pesquisa, Simone considera importante que a discussão seja levada aos residentes de pediatria. “Quanto mais evidente o empoderamento materno, maior é a necessidade de um atendimento baseado na escuta sensível das percepções e saberes adquiridos pela mãe”.

*Com informações da Unicamp

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