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Servidor público estadual teve aumento expressivo de patrimônio em dois anos

Desde que assumiu o cargo de coordenador de presídios na gestão Geraldo Alckmin, o funcionário público acumulou imóveis em nome da irmã e sua família teve aumento milionário de patrimônio

Da Redação

Hugo Berni Neto, 52, é servidor público estadual e coordena as 28 unidades prisionais do governo de São Paulo, além de cuidar de licitações milionárias da Secretaria da Administração Penitenciária. Atualmente, recebe como funcionário público um salário mensal bruto de R$18 mil. Contudo, há dois anos, com a entrada como coordenador dos presídios do governo Geraldo Alckmin (PSDB), e desde que virou sócio da irmã, a psicóloga Rita de Cássia, em uma empresa imobiliária, seu patrimônio cresceu expressivamente.

A Midas Empreendimentos, empresa oficialmente administrada por Rita, teve uma alta em seu capital social de R$ 2.000 para R$ 273 mil desde que ele se tornou cotista, em 2013. Segundo levantamento da Folha de São Paulo, a empresa também passou a adquirir uma série de imóveis em condomínios no interior. Só neste período, foram construídas casas em condomínios de alto padrão de Sorocaba avaliadas em mais de R$ 7 milhões, equivalentes a 32 anos de seu salário. Atualmente, a empresa mantêm obras em andamento de um condomínio com 24 casas, com valores que podem alcançar R$ 15 milhões.

Na prática, Berni Neto não possui nenhum imóvel no próprio nome, incluindo a casa onde mora, também no nome da irmã. Ele diz que, por ser funcionário público, não pode aparecer como administrador da empresa.

Bens

Segundo a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária, da gestão Geraldo Alckmin (PSDB), todos os dirigentes da pasta são obrigados por lei a prestar contas anualmente de seus bens. No entanto, a pasta não informou se Hugo Berni Neto, coordenador dos presídios da Grande São Paulo, fez essa prestação de contas nos últimos anos.

A secretaria também afirma que os servidores do Estado não são proibidos de participar de sociedades comerciais. “Desde que essas empresas não tenham nenhuma relação comercial ou administrativa com o governo do Estado, sejam por este subvencionadas ou estejam diretamente relacionadas com a finalidade da repartição ou serviço em que esteja lotado”, pondera.

Licitações

Entre as licitações milionárias as quais Berni Neto é responsável está as “quentinhas” fornecidas aos presos. Alguns desses contratos foram questionados pelo Tribunal de Contas do Estado. Em 2010, por exemplo, uma contratação de 2008, sem licitação e avaliada em R$ 1,2 milhão para a alimentação de detentos da Penitenciária 2 de Itapetininga, foi reprovada. Na época, a empresa beneficiada, a Geraldo J. Coan, teve seus proprietários entre os denunciados da “máfia da merenda”, denunciada por fraude de licitações e pagamento propina em municípios do Estado.

Existe ainda um inquérito do Ministério Público que investiga a coordenadoria chefiada por Berni Neto por suspeita de superfaturamento no fornecimento de alimentos do CDP Belém, em um contrato com a mesma empresa, a Geraldo J. Coan.
Em entrevista para a Folha, o funcionário público afirma que o avanço da empresa Midas Empreendimentos Imobiliários não tem relação com o seu trabalho na Secretaria Estadual de Administração Penitenciária. “Vou me defender no momento oportuno, para o Ministério Público, se ele entrar nessa história”, diz.

Sobre as licitações questionadas pelo TCE, ele afirmou que apenas autoriza a licitação. “Não sou o gestor. O tribunal pode verificar irregularidade, mas não tenho um processo irregular. As ultimas decisões são regulares”, afirma.

*Com informações da Folha de São Paulo

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