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Matança é cometida após ação da Corregedoria contra policiais da Rota

Apesar de não descartar outras linhas de investigação, secretário de Segurança Pública admite que ação de PMs é uma das suspeitas para os ataques que terminaram com pelo menos 20 mortos em Osasco e Barueri

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, afirmou na manhã desta sexta-feira que é investigada a relação entre a ação que matou mais de 20 pessoas em Osasco e Barueri, ambas na Zona Oeste da Grande São Paulo, na noite anterior e os assassinatos de um guarda municipal de Barueri e de um policial militar em Osasco, cometidos dias antes.

Moares afirma que não estão descartadas outras hipóteses. A sequência de crimes da noite de quarta-feira foi cometida em duas horas, em dez pontos das duas cidades. Imagens de câmeras de segurança mostram os homens armados e encapuzados que invadiram os locais, renderam os presentes e escolheram suas vítimas. Segundo testemunhas, um dos critérios dos assassinos era matar quem tinha antecedentes criminais.

A hipótese de a ação ser uma represália pelas mortes do policial e do guarda já havia sido cogitada pelo prefeito de Osasco, Jorge Lapas (PT), em uma entrevista à Rede Globo no início da manhã. Os crimes de quarta-feira foram cometidos com armas de uso restrito, como as pistolas .40, 9mm e 380. Páginas de apologia à Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) chegaram a publicar textos sobre a sequência de crimes.

O Ministério Público de São Paulo designou – além dos promotores Marco Antonio de Souza e Helena Bonilha, de Osasco, e Vitor Petri, de Barueri, todos do Tribunal do Júri, integrantes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) – Núcleo São Paulo e o Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial (Gecep) para acompanhar as investigações.

As suspeitas surgem em um momento de tensão na corporação. Moraes elogiou na quarta-feira o trabalho da Corregedoria da Polícia Militar que resultou na prisão de 14 PMs da Rota suspeitos pela morte de dois rapazes em Pirituba. Segundo a Corregedoria, os policiais foram presos temporariamente para que os fatos possam ser apurados e o caso esclarecido.

Em um evento em que foi homenageado na Corregedoria, o secretário destacou a importância da Resolução SSP 40/2015, que garante maior eficácia nas investigações de mortes envolvendo policiais. “A resolução assinada por mim em março tem como medida a chegada imediata da Corregedoria da Polícia Militar no local dos fatos, o encaminhamento de uma equipe específica do Instituo Médico Legal, bem como o acionamento do Ministério Público”, explicou.

No mês passado, a Ponte Jornalismo revelou ataques de oficial da Rota ao comando da corporação em razão da transferência de policiais envolvidos em ações que resultaram em mortes. Segundo a reportagem, a transferência do tenente Rafael Telhada – filho do deputado estadual e ex-comandante do batalhão Coronel Telhada (PSDB) -, foi um dos motivos das críticas.

Foto: Nathalia Manzaro / Governo de São Paulo

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