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Página no Facebook denuncia postura discriminatória de balada sertaneja em São Paulo

“Boicote ao Villa Mix” já tem 13 mil curtidas e muitos relatos em textos, fotos e vídeos.

No último sábado, 1, uma página no Facebook foi criada para denunciar atitudes preconceituosas da casa noturna Villa Mix, na Vila Olímpia, zona Sul de São Paulo. Nomeada de “Boicote ao Villa Mix”, a fanpage já reúne cerca de 13 mil curtidas e relatos em textos, fotos e vídeos comprovando a política discriminatória do local.

Dez estudantes se uniram para criar a comunidade com a finalidade de boicotar a casa sertaneja, mas, em especial, o  tratamento dos funcionários aos seus clientes, que é a mira constante de queixa nas redes sociais. “A cada dia surgem mais relatos que caracterizam o Villa Mix como uma das baladas mais preconceituosas de São Paulo. Queremos o fim dessa discriminação opressora! ”, diz na descrição da página.

Em vídeo, uma das idealizadoras deixa claro que elas não são contra o Villa Mix. “Nem contra o espaço, nem contra os donos, nem contra o estilo de música que toca, ou o estilo de gente que vai. O que estamos denunciando nesta página são atitudes que a casa toma, discriminatórias, racista, gordofóbica”, diz.

11811361_1585139375085132_5036470014203702707_nSegundo prints do Whatsapp enviados para a página, para ter entrada garantida no lugar, é necessário enviar uma lista para os promoters da casa e, a partir daí, rezar para que eles liberem, incluindo Vips, a entrada de acordo com análise da aparência por meio de foto do perfil e fotos de todos da lista. Caso não tenha o “padrão Villa Mix”,  a entrada é barrada na porta da balada. “Se você for acima do peso, negra, ou não for do padrão de beleza deles, ou melhor, não for ‘padrão Villa Mix’ (porque todas são lindas) eles inventam milhares de desculpas para você não entrar: ‘Puts, você não enviou nome na lista, não está aqui no meu tablet’, ‘Os VIPs acabaram’ ou ‘a casa está cheia’ e ‘Você não está adequada para entrar neste local’. Tem coisas até piores, é horrível”, diz

 

‘Lixo de ser humano

A página está chamando atenção por ser um espaço de compartilhamento, desabafo, onde qualquer pessoa pode enviar anonimamente sua indignação. As denúncias vão além da casa noturna em evidência, e mostram que o mesmo tratamento ocorre em diversos locais da cidade. “Mais de cem relatos são enviados por dia, com imagens e prints”, afirma outra administradora da página, também em vídeo postado no canal. Agressões verbais e físicas estão sendo denunciadas, incluindo a descrição de ex-funcionários. “Trabalhei na casa por um tempo. Fui obrigada diversas vezes a barrar negros, pessoas de classes inferiores e as quais não julgava bonita. Quando fechavam as portas, ficávamos todas em uma entrada e aí sim eu exercia a função lixo de ser humano. Se ver um negro lá dentro ou foi ‘erro’ de hostess ou ele é alguém importante tipo um jogador de futebol ou alguém com muita grana, importante”, narra a denunciante.

A luta destas garotas é pelo fim dos padrões e pelo fim da discriminação. “Se você não é loira, magra, alta e branca, parece que você não se encaixa na nossa sociedade. Se a diversão é para todos, porque alguns não podem entrar?”, questionam.

O contato para envio deste tipo de experiência é o e-mail [email protected]

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