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Executivo é mal atendido em prédio na JK por estar de bicicleta

Em desabafo no Facebook, Marco Gomes disse que mesmo fosse entregador “deveria ser tratado com respeito e educação como qualquer outra pessoa”

Na última semana, um relato sobre preconceito social tomou conta das redes sociais. Marcos Gomes, executivo de uma empresa de marketing de conteúdo online, publicou em seu perfil no Facebook uma experiência vivida na quarta-feira, 29 de julho, no São Paulo Corporate Towers, edifício que fica na esquina da Avenida JK com a rua Funchal, Vila Olímpia. “Por eu estar com uma camiseta própria para ciclismo (jersey), os profissionais da segurança me trataram com desdém e grosseria, fizeram perguntas constrangedoras, dificultaram meu acesso à recepção e evitavam me dar instruções de como chegar no hall de elevadores sociais que dá acesso à recepção”, diz na postagem publicada no mesmo dia.

No prédio para reunião de negócios, Gomes conta que nunca foi tão mal atendido por estar de bicicleta. Segundo o executivo, funcionários do condomínio dificultaram sua entrada por acharem que ele estaria ali para uma entrega. “Várias vezes me perguntaram onde eu ia fazer entrega, o que é um problema em si, pois caso eu fosse entregador, deveria ser tratado com respeito e educação como qualquer outra pessoa”, narra o executivo, e comenta que os seguranças sequer cogitaram que havia uma camisa dentro da mochila.

marcogomes-divulgacao-04Em conversa com o empresário por telefone, o ciclista afirma que é comum nos edifícios de São Paulo este tipo de tratamento. “Isso acontece em todos os prédios que costumo ir de bicicleta. Ser mal tratado é a coisa mais comum”, diz. “Mal eles sabem que isso significa economia para o prédio, por conta do espaço”, completa.

Depois da reunião, já de camisa, Gomes disse que foi mal tratado da mesma maneira. “Usaram vocabulário agressivo e não me deixaram sair pela mesma saída de todas as outras pessoas que usavam carro, me fizeram sair por um outro acesso muito mais longe e inconveniente para meu trajeto”, conta.

Ele informa ainda que ligou para a administração do condomínio para explicar o que houve e quem sabe conseguir alguma explicação para o caso, e o responsável pela segurança pediu desculpas e disse que os seguranças iriam passar por treinamento. “Nestas situações eu não dou carteirada, não digo que eu sou executivo, empreendedor, internacionalmente premiado… Não me sinto humilhado por me confundirem com um outro tipo de profissional, me sinto humilhado por me tratarem com descaso e não acreditarem no que eu falo. E tenho dó dos entregadores de verdade, que devem passar por isso todo dia o dia todo”, desabafa em relato o executivo que . Para eles, nessas horas nada disso importa. “Quando vocês está de bicicleta está do lado mais frágil”.

No final do relato, Gomes ironiza. “Da próxima vez eu roubo uma Porsche Cayenne ali mesmo no congestionamento da Av. JK e chego ‘de patrão’, quem sabe assim eles me tratam como gente”. Entramos em contato com a administração do edifício, mas até o fechamento desta matéria não conseguimos retorno com posicionamento da administração do condomínio.

Muito melhor

Mesmo com as dificuldades que ainda enfrenta, Gomes admite que, em São Paulo, andar de bicicleta está muito melhor. “A maioria dos prédios tem bicicletário. Nem se compara com o que era há 2, 3 anos e isso é positivo”, diz o empresário ao lembrar que a segurança nas ruas ainda é o maior problema para quem usa bicicleta para se locomover na cidade.

No último dia 27 de julho, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo aprovou a implantação de ciclovias na capital paulista. No julgamento do recurso da Prefeitura contra uma iniciativa do Ministério Público que visava impedir a construção das vias exclusivas para bicicletas, o desembargador Marcos Pimentel Tamassia, da 1ª Câmara de Direito Público, destacou a importância do modelo como meio de transporte e do projeto da prefeitura para a melhoria das condições de mobilidade urbana na cidade.

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