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Formação de policiais militares não muda o preconceito dos agentes, afirma coronel da reserva

Oficiais não são treinados para lidarem com minorias e casos de homofobia se repetem

Por Maria Clara Moreira

Verônica Bolina teve o rosto desfigurado por agentes do Estado. Laura Vermont morreu após ter sido espancada por civis e ter o socorro negado por policiais militares. Em comum, um estigma: ambas eram travestis.

“As pessoas que entram para a instituição são selecionadas da sociedade e vêm com seus preconceitos. A formação pode demorar um ano, dois anos, três, quatro, mas ela não muda a essência da pessoa”, diz André Vianna, coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo e consultor do Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Segundo ele, as más condutas de agentes não são reflexos de um treinamento ineficaz.

Apesar das chamadas minorias buscarem a igualdade, casos como os de Verônica e Laura não devem ser tratados como qualquer crime violento, uma vez que são crimes de ódio e de cunho transfóbico. É papel do Estado democrático zelar pelos grupos oprimidos por meio de suas instituições — entre elas, a polícia.

Mas de acordo com Vianna, isso não acontece no treinamento dos contingentes, que preza pela padronização do tratamento aos civis. “As forças policiais promovem uma formação genérica no que diz respeito ao tratamento do ser humano. Ela não é específica a um grupo A, B ou C. Os oficiais não são treinados para lidarem de uma maneira particular com idosos, surdos-mudos ou LGBTs”, expôs o coronel.

O policial militar reforçou que a instituição não procura estimular preconceito de qualquer espécie. Segundo ele, todo tipo de violação dos direitos humanos deve ser utilizado como estudo de caso, de modo a reforçar o comportamento esperado pela polícia.

Vianna ainda explicou que um dos deveres da instituição policial é trabalhar para acompanhar a evolução da cultura social, que avança a uma velocidade muito maior. “A evolução da sociedade é muito mais rápida que a do próprio Estado, que não procura promover transformação, mas acompanha a social. À medida que surgem casos novos, a polícia, como parte do Estado, vai buscar se adequar”, defendeu o coronel, acrescentando: “Se não o faz pelo conhecimento e pela antecipação, acaba sendo através da dor”.

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