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Ela perderia a casa se não fosse o Facebook

Depois de uma espera de 12 anos, Marisa receberá sua casa após um comentário na rede social na página da Prefeitura de Bragança Paulista. Funcionários da secretaria de Habitação a procuravam por diferentes formas, chegando até a convocá-la pela Imprensa Oficial e não a encontravam

O ano era 2002. Marisa Teles da Silva, casada, mãe de dois filhos, já morava em Bragança Paulista, no interior paulista há aproximadamente 10 anos. A emoção era evidente, já que participaria de um sorteio onde poderia ser contemplada com uma casa popular. Aquela era a chance de sair do aluguel e enfim ter a sonhada casa própria. O grande dia chegou, e para sua grande surpresa e alegria, Marisa foi uma das 374 pessoas sorteadas para o conjunto habitacional Bragança F2. O sistema de construção estabelecido na época foi o Habiteto, realizado por meio de mutirões, no qual a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) fornecia o material e as famílias entravam com a mão de obra. Porém, para desilusão de quase 400 famílias, o então prefeito Jesus Adib Abi Chedid (DEM), sorteou casas que nunca foram construídas.

Anos depois, uma nova empresa foi contratada para realizar a construção, a ABTSI, porém por falhas de gestão, esta não cumpriu o contrato. Em 2007, a Administração Municipal, firma contrato com a Associação Comunitária de Habitação Popular de Bragança Paulista (Acohab), para correção e término de 84 unidades, ainda no sistema de mutirão. No mesmo ano, em seu segundo mandato, Jesus Chedid é cassado, diminuindo ainda mais as chances de receberem as casas sorteadas. Após 5 anos, as 84 unidades foram terminadas e entregues. As outras 290 unidades ficam paradas devido a uma decisão judicial, sendo necessária uma nova licitação, feita em 2009, para ter o início das construções em 2010. Conforme o tempo passava, a esperança de receber a casa sorteada ficava cada vez menor.

Doze anos se passaram desde o sorteio. Os filhos antes com 14 e 5 anos, agora já estão com 26 e 17. A sogra de Marisa passou a morar com a família. Apesar de tantas mudanças, algo continua igual. Marisa continua pagando aluguel, pois ainda não recebeu a casa que lhe foi prometida. Certo dia, após o marido lhe presentear com um celular novo, Marisa, que está aprendendo a mexer na sua conta no Facebook, curte a página da Prefeitura de Bragança Paulista, criada no final de 2014. A líder de setor, agora com 48 anos, conta que sua esperança voltou. “Agora vem a minha”, pensou Marisa. Isso porque teve início as entregas do maior programa habitacional da história do município, o Moradia Popular, que conta com a maior parte do investimento do Minha Casa Minha Vida, do governo federal.

Buscando mais informações na página da prefeitura, ela viu diversos comentários com perguntas, além de pessoas contando suas histórias. Então decidiu fazer o mesmo. Apesar de não saber muito bem como, Marisa deixa um comentário em uma das publicações da página. “Já que todos perguntavam, eu também resolvi perguntar”. Segundo ela, em menos de dois dias já tinha sua resposta. Aquilo a surpreendeu, pois quando fez seu comentário, achou que ninguém iria respondê-la.

IMG_7357Na resposta de seu comentário, solicitavam que ela confirmasse alguns dados, como seu nome completo e o nome de seu marido. Ao responder, uma nova mensagem chegou. “Eu chamei minha família toda. Meu coração quase saiu pela boca. Não sabia se chorava ou ria”. A última mensagem enviada pela página oficial informava que a Divisão de Habitação, responsável pelo controle do programa habitacional, já havia tentado entrar em contato por diferentes formas, incluindo convocação na Imprensa Oficial do município. “Isto foi em um sexta-feira. Na segunda, no primeiro horário, eu estava na Prefeitura com toda a documentação necessária”, conta Marisa. No local, ela foi informada que seriam entregues as unidades restantes do conjunto Bragança F2 e que ela estava na lista dos beneficiários.

Agora, a espera de Marisa está chegando ao fim e isto só se tornou possível devido ao canal de comunicação estabelecido entre a população e a Prefeitura de Bragança Paulista nas redes sociais. O espaço virtual permite, neste caso, que o poder público seja uma presença permanente no cotidiano de toda a população. Além de estabelecer um vínculo, o canal permite que ambos os lados expressem suas opiniões. No caso de Marisa, ela afirma que conta a história por onde vai. “Na página da Prefeitura, o povo é escutado. Se alguém estiver com problema e entrar na página, ele pode ser resolvido”, garante Marisa.

Fotos: Dívio Gomes e Divisão de Imprensa da Prefeitura de Bragança Paulista

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