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Situação de Haddad no cenário eleitoral é ruim, mas pode melhorar

Dados da última pesquisa a respeito da sucessão municipal em São Paulo mostra que prefeito tem índices melhores de aprovação entre os mais jovens e as classes A e B, geralmente refratários ao petismo. Resta conquistar a base habitual do partido

Em que pese tenha sido feita pelo Instituto Paraná, que se notabilizou por conta de um levantamento no mínimo controverso no segundo turno da eleição presidencial de 2014, a pesquisa divulgada ontem (22) a respeito da sucessão municipal em São Paulo traz alguns dados interessantes.

Primeiro, o óbvio. A situação de Fernando Haddad não é confortável, aparecendo em terceiro lugar nos cenários analisados, embora se aproxime mais da segunda colocada, Marta Suplicy, quando Gabriel Chalita não é candidato, cenário mais provável hoje. Também é elevado o percentual de eleitores que desaprovam sua gestão, 68,8%. Além das dificuldades inerentes ao cargo de prefeito da maior cidade brasileira, Haddad ainda sofre com o clima de ódio e desconfiança que atinge o PT.

No entanto, há alguns dados que confirmam que a situação é ruim, mas que talvez tenha um viés mais próximo ao “regular” do que ao “péssimo”. Chama a atenção, pro exemplo, o índice de aprovação do prefeito na faixa etária entre 16 e 24 anos. Enquanto nos demais segmentos esse número varia entre 23% e 27%, entre os mais jovens chega a 44,7%. Já em relação à segmentação socioeconômica, a popularidade de Haddad alcança seu maior índice nas classes A e B, 29,5%.
Isso é significativo porque tanto os jovens quanto a classe média mais alta são setores que o PT vinha tendo muita dificuldade para angariar votos em São Paulo. Marta Suplicy, por exemplo, penou em suas duas últimas tentativas de se eleger prefeita nestes dois setores.

O problema está naquela que é a usual base petista, os segmentos mais pobres da população. É aí que o prefeito terá que trabalhar, reforçando o diálogo com os movimentos da periferia e voltando mais sua atenção às demandas locais.

Com um discurso antenado em uma lógica urbana distinta do que se vê nas outras grandes cidades brasileiras, Haddad pode ter justamente no líder atual das pesquisas, Celso Russomanno, o adversário ideal em um segundo turno. O rival representa a continuidade de um estilo político conservador, herdeiro de uma tradição malufista/janista que parece perder força na cidade.
Até as eleições existe um longo caminho e nada indica, por exemplo, que o antipetismo irá minguar nesse período, projetando uma vida dura para os candidatos do partido. Mas a reeleição de Haddad, hoje quase impossível, pode se tornar mais provável em um cenário próximo.

Foto: Fernando Pereira/ Secom/ PMSP

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