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Jovem é estuprada dentro de estação do Metrô

O caso aconteceu na última quinta-feira (2) em uma cabine de recarga do Bilhete Único na estação República; a vítima, funcionária terceirizada, tem 18 anos e estava sozinha no momento do ataque; episódio, segundo os trabalhadores, escancara a falta de segurança e a precarização do trabalho na companhia 

Por Ivan Longo 

Além da superlotação, da falta de segurança nos trens e da carência de linhas para atender toda a demanda, o Metrô de São Paulo conta com um problema ainda mais grave: o da segurança em relação aos usuários, funcionários e, principalmente, mulheres.

Na última quinta-feira (2), uma funcionária de uma empresa terceirizada foi estuprada por dois homens dentro da cabine de recarga de Bilhete Único da estação República. O caso só veio à tona nesta segunda-feira (6) e está sendo investigado pela Polícia Civil.

De acordo com o boletim de ocorrência registrado na Delegacia de Polícia do Metropolitano (Delpom), o ataque aconteceu por volta das 23h30 . A funcionária, que tem 18 anos, estava sozinha no local, substituindo outra trabalhadora que estava de licença médica. Dois homens, segundo o que consta no B.O, se aproximaram da cabine e, enquanto um monitorava o ambiente na parte de fora, o outro entrou, a rendeu e a violentou sexualmente para, na sequência, o segundo homem entrar e também realizar o estupro.

No boletim de ocorrência consta ainda que o olho mágico da cabine estava quebrado, o que teria impedido que a funcionária evitasse a entrada dos agressores. Após cometerem o estupro, os homens determinaram que a vítima aguardasse 30 minutos até sair do local para que desse tempo de eles deixarem a estação sem serem pegos. Seu celular e celulares da empresa foram roubados.

Boletim de Ocorrência registrado pela funcionária. (Foto: reprodução)
Boletim de Ocorrência registrado pela funcionária. (Foto: reprodução)

De acordo com um funcionário do Metrô que faz parte do Sindicato dos Metroviários (ele preferiu não se identificar para não sofrer represálias), no momento do ocorrido só havia uma dupla de seguranças e um supervisor na estação, mas em outro local. Para ele, grande parte da responsabilidade pelo ocorrido é da companhia que, apesar de afirmar que tem a melhor segurança do país, precariza os serviço e trabalha com um baixo quadro de funcionários para atender a demanda.

“Há o problema da falta de quadro noturno. O serviço é precarizado e o Metrô anuncia para todo lado que possui 1.200 seguranças. Acontece que são dezenas de estações para monitorar em escalas de três turnos. Na noite do estupro, por exemplo, só tinha uma dupla de seguranças e um supervisor na estação”, disse.

Cabine onde a funcionária foi atacada. (Foto: reprodução)
Cabine onde a funcionária foi atacada. (Foto: reprodução)

Além do problema da segurança, o funcionário afirmou ainda que o Metrô está tentando “blindar” o caso.

“Pela repercussão, a empresa está blindando o máximo possível essa notícia. A chefia, inclusive, está assediando moralmente as demais funcionárias terceirizadas para que não comentem nada sobre o assunto, dizendo que pode prejudicar a imagem do Metrô, que atualmente é considerado o Metrô mais seguro, o que não é verdade”, disse. 

Procurada, a assessoria de imprensa do Metrô não se posicionou em relação ao ocorrido até a publicação desta matéria. A Delegacia de Polícia do Metropolitano (Delpom), por sua vez, disse que o caso está sendo investigado e que, por enquanto, não pode fornecer mais informações.

Em nota, o Sindicato dos Metroviários de São Paulo informou que “exige do governo do estado de São Paulo, a empresa na qual ela trabalha e o Metrô assumam as suas responsabilidades e deem todo o apoio necessário junto à funcionária” e ainda cobrou demandas como mais funcionários (principalmente à noite), uma delegacia das mulheres dentro do Metrô e “uma ampla campanha contra o machismo e a violência contra as mulheres”. 

 

 

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