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De periferia para periferia, de mulher para mulher, a luta

Autônomas e protagonistas de suas vidas, mulheres do Capão Redondo, em SP, protagonizam série de documentários que serão exibidos para mulheres de ocupação na periferia, celebrando a união de forças comunitárias femininas. “As mulheres da periferia já são feministas e não sabem”

Por Ivan Longo

Como forma de celebrar o Dia Internacional da Mulher, acontece neste domingo (8) uma atividade especial na maior ocupação de moradia do país: a Nova Palestina, na região do M’Boi Mirim, extremo sul da capital. Mulheres que fazem parte do acampamento acompanharão a exibição do projeto “Retratos”, que reúne dez documentários protagonizados por mulheres que, como elas, têm a luta pela sobrevivência como combustível para a vida.

Idealizado pela Companhia de Dança Sansacroma, o projeto selecionou dez mulheres da região do Capão Redondo, também na periferia da zona sul de São Paulo, para acompanhar suas vidas, mostrar suas histórias de lutas, resistência e autonomia para, a partir da experiência, criar coreografias que misturam o lúdico, o subjetivo e o concreto.

“Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, incluir a mostra do Projeto Retratos em uma atividade cultural da Ocupação Nova Palestina celebra a união de forças comunitárias femininas, criando um elo poético e sensível com a história da região, traçando novas possibilidades de diálogo entre luta e produção artística, inspirando assim os processos de investigação e pesquisa da Cia Sansacroma”, explica Gal Martins, idealizadora do projeto e diretora artística da companhia.

Anabela Gonçalves é uma das mulheres que integra o projeto e protagoniza um dos documentários. Nascida, criada, educada e emancipada na favela Monte Azul, no Capão Redondo, Anabela é um exemplo claro de como a luta pelo protagonismo feminino é essencial na vida de qualquer mulher, principalmente a mulher periférica.

“Existe um recorte de classe muito forte entre ser mulher no centro e ser mulher na periferia. O papel da mulher na periferia em si é o papel de estar mais presente diante dos problemas e fazer o enfrentamento. A mulher periférica  está mais suscetível aos males do preconceito social cotidiano. Grande parte das mulheres da periferia já é feminista e não sabe, mas elas ainda são permeadas por um machismo que, de certa forma, é uma nuvem que obscurece esse protagonismo”, analisa.

Foi por meio do contato com a educação e a cultura, na Associação Comunitária Monte Azul – na favela onde morava – que Anabela encontrou meios de superar suas dificuldades e se tornar “dona do próprio destino”, como gosta de definir.

Do barraco na beira do córrego – “o lugar mais pobre da favela” – às salas de aula como educadora e socióloga, foi na periferia que Anabela aprendeu a superar o machismo e é para a periferia que esse conhecimento será passado.

Co-fundadora do coletivo Katu, que trabalha na formação política, social e cultural de jovens, a feminista do Capão Redondo acredita que a exibição dos documentários na ocupação Nova Palestina seja uma maneira de compartilhar a luta feminina e inspirar aquelas mulheres. Não poderia haver presente melhor.

“Eu sou uma mulher de favela, ainda moro de aluguel, mas de alguma forma a minha emancipação educacional e profissional fez com que eu conseguisse garantir a possibilidade de ter moradia. Isso vai fortalecer a luta delas, de que é possível a mulher, sozinha, sem o protagonismo do homem, conquistar o direito delas de moradia digna. Acredito que as mulheres da Nova Palestina, por meio desse vídeo, vão visualizar que elas podem ser sujeitos do destino delas”, disse.

Serviço

Mostra Projeto Retratos – Cia. Sansacroma, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher

Dia 08 de março, às 14h

Local: Ocupação Nova Palestinha

Altura do número 7.100 da Estrada do M’Boi Mirim

Grátis

Foto de capa: Dona Sonia, outra protagonista da periferia (Erick Diniz) 

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