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Após final do ato contra aumento da tarifa, PM provoca confusão

Na estação Faria Lima, da Linha 4-Amarela, policiais cercaram manifestantes e dispararam bombas de gás lacrimogêneo. Alguns agentes espirravam spray de pimenta no olho de manifestantes à queima roupa. Passageiros passavam mal nos corredores e estação foi fechada

Por Igor Carvalho

Usuária do Metrô estava passando mal após ataque da PM (Foto: Igor Carvalho)
Usuária do Metrô estava passando mal após ataque da PM (Foto: Igor Carvalho)

Pela segunda vez, em cinco manifestações, um ato contra o aumento das tarifas do transporte público em São Paulo começou e terminou sem que houvesse interferência da Polícia Militar. Porém, após o protesto, policiais dispararam diversas bombas de gás lacrimogêneo contra manifestantes e usuários da Linha 4-Amarela, na estação Faria Lima do Metrô.

Quando já havia terminado o quinto ato contra o aumento das tarifas em ônibus, no Metrô e na CPTM, diversos manifestantes seguiram para a estação Faria Lima e tentaram pular as catracas sem pagar a passagem. A ação foi frustrada pelos seguranças da Linha 4-Amarela.

Em seguida, o grupo se aglomerou próximo à catraca e seguiu repetindo palavras de ordem contra o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e a Polícia Militar. Ato contínuo, todos se sentaram no chão, impedindo a passagem dos demais usuários e exigindo que a catraca fosse liberada. Os manifestantes, então, entrelaçaram os braços e bloquearam o acesso às catracas.

Após cerca de 20 minutos, quando o relógio apontava para 22h50, a Força Tática da Polícia Militar cercou as possíveis rotas de fuga de manifestantes e usuários do Metrô e começou a disparar bombas de gás lacrimogêneo.

Após incontáveis bombas, o que se viu foi uma estação completamente tomada por uma nuvem branca e muitas pessoas passando mal. Uma cadeirante precisou receber atendimento dentro da bilheteria. Um homem desmaiou próximo a catraca.

O publicitário Tiago Brito estava com o rosto muito vermelho e reclamava de ardência pelo corpo quando foi atendido por um grupo de socorristas que acompanha as manifestações. “Foi horrível, eles não viram quem provocou a confusão, foram atirando contra todos. Vi umas senhoras sendo atingidas e saindo carregadas, que horror, uns irresponsáveis”, completou.

Manifestantes arremessaram do alto da escada rolante uma barra de ferro contra policiais, que seguiam disparando bombas de gás contra qualquer alvo que se movesse. Ao menos cinco pessoas vomitavam, por conta do excesso de gás na estação. Policiais, alguns deles sem identificação, espirravam seus sprays de pimenta contra usuários do Metrô. Até o fechamento da matéria, a PM havia divulgado a prisão de duas pessoas. A estação foi fechada e reaberta cerca de 40 minutos depois do incidente.

Policiais militares retiraram seus nomes da farda, após atacarem usuários do Metrô (Foto: Davi Andres)
Policiais militares retiraram seus nomes da farda após atacarem usuários do Metrô (Foto: Davi Andres)
Manifestação passou pela avenida Rebouças (Foto: Coletivo de Comunicação da Luta Contra o Aumento)
Manifestação passou pela avenida Rebouças (Foto: Coletivo de Comunicação da Luta Contra o Aumento)

Manifestação

O ato, organizado pelo Movimento Passe Livre (MPL), contou com a adesão de 10 mil pessoas, segundo o movimento, e mil, de acordo com a PM. A concentração da manifestação foi no Largo da Batata.

Mais uma vez, o trajeto do ato foi definido após uma assembleia. Após a votação, ficou determinado que os manifestantes marchariam até o terminal de ônibus de Pinheiros. Os itinerários derrotados tinham como destino final a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), o Palácio dos Bandeirantes e a avenida Paulista.

Antes da assembleia, a PM havia divulgado que a Marginal Pinheiros e a avenida Paulista não poderiam ser ocupadas pelos manifestantes. Perguntada sobre o que aconteceria se os ativistas decidissem por caminhar por algumas das vias, a major Dulcineia Lopes de Oliveira, comandante da operação policial durante o ato, afirmou: “Serão repreendidos, caso desobedeçam.”

Com a decisão dos manifestantes de seguir por um trecho da Marginal Pinheiros, a PM cedeu e negociou. Ficou determinado, em comum acordo, que o ato ocuparia a via até então vetada.

Durante todo o ato, não houve registro de nenhum incidente. Foram três horas de marcha que não terminaram no destino previamente combinado. Quando chegou ao terminal de Pinheiros, os manifestantes decidiram continuar com a manifestação e retornaram para o Largo da Batata.

Foto de capa: Coletivo de Comunicação da Luta Contra o Aumento 

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