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Confira detalhes do que aconteceu no 4º ato contra a tarifa

Com cerca de 15 mil pessoas (dados do MPL), a manifestação parecia que terminaria pacífica, mas acabou servindo para ainda mais a violência e a irresponsabilidade com que a PM atua; ataques gratuitos a militantes e jornalistas, detenções e manuseio irresponsável de armamento deixaram dezenas de feridos e não permitiram que o ato chegasse ao final de seu trajeto; confira fotos e vídeos 

Por Ivan Longo 

“O governo do estado tem mostrado que dialoga por meio da repressão policial. O último ato (sexta-feira, 16) foi extremamente brutal, exatamente para que as pessoas fiquem com medo de vir nas manifestações, tenham medo de se organizar. A PM reprime como bem entende”. As palavras são da militante Nina Capello, do Movimento Passe Livre. A declaração, que foi dada pouco antes do início do 4º Ato contra a tarifa, realizado na tarde desta sexta-feira (23), no centro da capital, veio bem a calhar com o que aconteceria poucas horas depois: repressão policial.

 

Assembleia que definiu o trajeto do ato. Até então, polícia "esperava" que fosse pacífico. (Foto: Podemos Mais)
Assembleia que definiu o trajeto do ato. Até então, polícia “esperava” que fosse pacífico. (Foto: Podemos Mais)

Depois de uma assembleia popular em frente ao Theatro Municipal, para decidir o trajeto da passeata, o grupo inicialmente composto por cerca de 5 mil pessoas seguiu pelas ruas do centro e tinha como objetivo passar pela prefeitura, secretaria de Transportes, Câmara Municipal e, por fim, terminar na Praça da República.

“Esperamos que seja pacífico”, afirmou o major da PM Luis Augusto Ambar, que naquela tarde comandava a operação. Não foi.

Ao longo do trajeto, o ato foi ganhando corpo e chegou a contar com 15 mil pessoas, de acordo com o Movimento Passe Livre. Mesmo com chuva, os manifestantes estavam mesmo dispostos a ocupar as ruas e seguir até a praça da República para fazer pressão aos governos municipal e estadual para revogarem o aumento da tarifa nos transportes.

Para além das pautas de mobilidade, outro assunto bastante lembrado durante o ato foi a questão da água. Com cartazes escrito “3,50 não”, referindo-se a tarifa nos transportes, centenas de outras pessoas carregavam os que diziam “Água sim”, em protesto ao governador de São Paulo contra a crise hídrica que assola o estado.

Rojão do prédio? Atacar manifestantes! 

O tempo todo cercada por um cordão de policiais que mais pareciam estarem vestidos para uma guerra, com armadura pesada e armas em punho, a manifestação estava quase chegando ao seu ponto final quando foi violentamente atacada. Na rua Conselheiro Crispiniano, próximo ao Largo do Paissandú, ouviu-se uma explosão seca e um clarão. Imediatamente, manifestantes pediram calma e, prevendo o que aconteceria, clamaram para a PM: “Sem violência!” . 

De nada adiantou. O estampido serviu de sinal para começar os ataques. De forma aleatória e irresponsável, policiais começaram a atirar bombas de efeito moral e disparar tiros de bala de borracha à curtíssimas distâncias.

Em uma cena que mais parecia de treinamento para guerra ou algo do gênero, um pelotão com cerca de 100 policiais, urrando em coro, saiu correndo atrás de manifestantes e jornalistas.

Dezenas ficaram feridos e até profissionais da imprensa entraram na conta. Edgar Maciel, repórter do jornal O Estado de São Paulo, foi atingido na coxa por uma bala de borracha.

A PM, por sua vez, informou que manifestantes teriam disparado rojões do alto de um prédio. Nenhum civil que estava no local, entretanto, confirma essa versão. Para quem lá estava, ficou claro que a primeira bomba teria partido de um policial e serviu de pretexto para que os ataques gratuitos começassem.

PM agride, aos ponta pés, manifestante no centro. (Foto: NINJA)
PM agride, aos ponta pés, manifestante no centro. (Foto: NINJA)

6 pessoas, ao todo, de acordo com a polícia, foram detidas e liberadas no meio da madrugada.

Violência e irresponsabilidade 

Apesar do clima aparentemente tranquilo no início do ato, alguns policiais já demonstravam que não estavam lá para dialogar e nem mesmo proteger. Em diferentes ocasiões, PMs do cordão em volta do ato empurravam violentamente manifestantes e jornalistas que chegassem perto. A reportagem do SPressoSP, inclusive, foi alvo de um desses empurrões.

Quando a confusão começou, os policiais não tinham qualquer preocupação em identificar supostos incitadores de violência ou ainda em atirar para o alto apenas como maneira de dispersar a passeata. Os disparos eram feitos praticamente à queima roupa, de maneira aleatória, e o alvo das bombas era toda e qualquer pessoa que estivesse na rua naquele momento.

Em seu Facebook, um manifestante atingido por um tiro de bala de borracha, a munição “não letal” da polícia, mostra o tamanho do projétil que ficou alojado em sua perna.

 

“Incapaz de admitir o que de fato motiva a violência com que atacou manifestantes, repórteres e transeuntes, a PM alega que rojões foram disparados de um prédio. É no mínimo absurdo que, depois que supostos rojões são atirados de um edifício contra os manifestantes, os policiais ataquem a manifestação, de onde não partiu nenhuma agressão. Nos últimos atos foi a própria polícia, aliás, que atirou bombas pela janela de prédios para reprimir os protestos, como atestam relatos e reportagens”, afirmou, por meio de nota, o Movimento Passe Livre, que já organizou um próximo ato para o dia 27, no Largo da Batata.

Foto de capa: Podemos Mais 

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