Home»Sem categoria»Despreparo policial encerra primeiro ato contra aumento de passagem

Despreparo policial encerra primeiro ato contra aumento de passagem

Mais uma vez a PM paulista mostrou que não está apta para lidar com grandes aglomerações. Ato terminou com violência e 51 prisões

Por Igor Carvalho

Policiais batem em manifestante (Foto: Mídia Ninja)
Policiais batem em manifestante (Foto: Mídia Ninja)

Terminou em violência policial o primeiro ato contra o aumento da passagem de ônibus e Metrô, chamado pelo Movimento Passe Livre (MPL), em São Paulo, na noite da última sexta-feira (9). Demonstrando mais uma vez despreparo para lidar com grandes aglomerações e ocorrências simples, a PM disparou balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo após um pequeno grupo de manifestantes insistir em tentativa de libertar seis ativistas que haviam sido presos pelos agentes. No total, 51 pessoas foram presas.

Na rua da Consolação, um grupo, se utilizando da tática Black Bloc, se isolou da manifestação e seguiu cerca de 200 metros à frente. Eram cerca de 50 pessoas, que atiraram sacos de lixo no meio da via e depredaram uma agência bancaria. Por conta da ação, seis pessoas foram detidas. O restante do coletivo tentou soltar os presos e cercaram os policiais. Mesmo estando em ampla maioria, os agentes da PM começaram a atirar bombas de gás lacrimogêneo para todos os lados, inclusive no meio da manifestação.

“Nós não temos o controle da direção da fumaça e nem das pessoas que serão atingidas pelas bombas de gás”, afirmou o major Larry Saraiva, responsável pela operação policial, que contou com 800 agentes, sendo 150 da “tropa de braço”.

Cercado por manifestantes indignados com a postura da PM, o major insistia. “Como eu posso controlar esses marginais que se infiltram na manifestação?”, questionou. Ao seu lado, Laércio Guimarães protestava. “Eu estava indo pra casa e os policiais atiraram uma bomba em mim, nem sou manifestante, seus irresponsáveis, assassinos”, gritava, enquanto mostrava a bomba que foi arremessada contra ele e sua irmã, que moram na zona sul.

Laércio mostra bomba atirada contra ele e sua irmã (Foto: Igor Carvalho)
Laércio Guimarães mostra bomba atirada contra ele e sua irmã (Foto: Igor Carvalho)

Como já havia prometido, a Defensoria Pública acompanhou o ato para fiscalizar a operação policial. “O que vimos aqui hoje, foi uma ação absolutamente ilegal. Não havia nenhum motivo para que bombas fossem atiradas contra a manifestação. Uma bomba estourou ao meu lado, perto do meu pé”, afirmou o defensor Bruno Shimizu.

Os defensores públicos, assim como advogadas de movimentos sociais, não tiveram acesso aos presos após a detenção ocorrida na rua da Consolação. “Nós temos essa prerrogativa de falar com eles. A PM nos disse que não podemos conversar com os detidos porque eles não estão ‘presos’, mas sim ‘contidos’, nunca ouvi esse termo, em toda minha vida, tudo ilegal aqui, não sobra nada da atuação policial”, lamentou Shimizu.

No final da ação policial, 51 pessoas foram presas, O MPL afirma que eram 30 mil pessoas no ato, já a PM contabiliza cinco mil manifestantes.

Assembleia geral, na frente do Theatro Municipal, definiu o trajeto da manifestação (Foto: Mídia Ninja)
Assembleia geral, na frente do Theatro Municipal, definiu o trajeto da manifestação (Foto: Mídia Ninja)

O ato

A manifestação começou com uma assembleia geral realizada na frente do Theatro Municipal para definir o trajeto do ato. Após a apresentação de cinco rotas, ficou decidido que o ato seguiria pela avenida São João, depois entraria na avenida Ipiranga e subiria a Consolação até a praça dos Ciclistas, onde seria encerrado.

“Independente de qualquer medida de contenção de danos, da Prefeitura ou do governo estadual, um ato desse tamanho mostra que o transporte público é uma pauta urgente”, afirmou Erica Oliveira, integrante do movimento.

O movimento articulou uma série de reuniões nas periferias para definir possíveis novas manifestações nesses bairros, explicou Erica. “Quem mora longe do centro é sempre mais prejudicado pelo transporte ruim que temos, por isso é importante que lá [periferia] a luta seja concentrada.”

Durante a passagem do ato, alguns comerciantes baixaram a porta. “Tenho medo de entrarem na minha loja e saquearem. Até gosto dos meninos, mas tem uns mascarados que me assustam”, afirmava Vicente Campos, gerente de uma lanchonete, que é favorável ao protesto. “O valor da passagem vai ficar muito caro, a menina que trabalha no caixa aqui mora em Itaquera, todo dia chega reclamando do tumulto no Metrô, de atraso, sufoco mesmo, sabe? Não dá pra pagar R$ 3,50 por isso.”

Foto de capa: Igor Carvalho

Comentários

Comentários

Prefeitura de São Paulo pagará salário mínimo para travestis estudarem

Vídeo mostra o exato momento em que PM começa a atacar manifestação