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Estadão descarta Aécio, o ‘selvagem’

Na maior caradura, o Estadão – que fez campanha para Aécio – revela agora que ‘Aécio foi um senador ausente.’ Tudo para alavancar o ‘moderado’ Alckmin

Por Altamiro Borges, na Carta Maior

A mídia tucana, concentrada em São Paulo, já começa a descartar Aécio Neves, o cambaleante mineiro. Na semana passada, “Veja” deu nota zero para o senador, o pior no ranking da revista. Nesta quinta-feira (1), o Estadão publicou artigo venenoso contra o presidenciável derrotado. Assinado por Isadora Peron, o texto é demolidor. Afirma que Aécio Neves tenta se consolidar com a imagem de líder da “oposição selvagem”, mas terá de enfrentar “adversários fortes” para se viabilizar como candidato do PSDB em 2018. O jornalão da oligarquia paulista, que no passado já disparou o petardo “pó pará, Aécio”, numa insinuação tóxica, não esconde a sua simpatia pelo governador Geraldo Alckmin. Vale conferir trechos do artigo:

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Mesmo após ter conquistado cerca de 51 milhões de votos na eleição presidencial, o senador Aécio Neves (MG) ainda não conseguiu se firmar como nome natural do PSDB para 2018. Para se candidatar novamente ao Palácio do Planalto, ele terá de superar disputas internas e enfrentar adversários fortes, como o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Até agora, os dois tucanos têm adotado estratégias diferentes para alcançar o mesmo objetivo. Enquanto Aécio investe num estilo mais agressivo, Alckmin procura manter o seu perfil moderado.
Aclamado como líder inconteste da oposição no Congresso, o mineiro passou a atuar na linha de frente da “oposição selvagem” que o PSDB tem feito ao governo da presidente Dilma Rousseff. Desde que voltou ao Senado, após o 2.º turno das eleições, ele já chamou o PT de “organização criminosa”, deu apoio a protestos contra denúncias de corrupção e mostrou que o partido aprendeu a usar as manobras regimentais para complicar a vida da base aliada. “Vamos perder, mas vamos sangrar esses caras até de madrugada”, disse a correligionários durante a votação para alterar a meta fiscal.
Já Alckmin investe numa relação republicana com Dilma, para não perder o apoio da União em projetos importantes para o Estado. No final do ano, enquanto o PSDB armava todas as suas artilharias contra Dilma, chegando a pedir a cassação da candidatura da petista, o governador se encontrou com ela para negociar um pacote de ajuda bilionário a São Paulo.

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Na maior caradura, o jornalão – que fez campanha escancarada para o presidenciável do PSDB – revela agora que “Aécio foi um senador ausente em seu primeiro mandato, com uma passagem pouco expressiva pelo parlamento”. Confessa, desta forma, que cometeu estelionato eleitoral e ludibriou os seus leitores mais tacanhos. O Estadão ainda tira uma casquinha ao lembrar a “dupla derrota” que o cambaleante tucano sofreu em Minas, seu Estado natal. “Além de o candidato ao governo do PSDB ter sido derrotado pelo PT, o próprio Aécio recebeu menos votos que Dilma em seu reduto eleitoral”. Quanto a Geraldo Alckmin, o jornal afirma que ele terá apenas “de fazer uma gestão muito melhor do que a primeira”. Melhor do que a primeira? Só se for na Cantareira!

Durante a campanha de 2014, Aécio Neves contou com o apoio obstinado da maior parte da mídia. O objetivo era derrotar o chamado “lulopetismo” e impedir o segundo mandato de Dilma Rousseff. Em seus raivosos editoriais, o Estadão não escondeu essa postura militante. Nas capas espalhafatosas, o jornalão poupou o senador mineiro-carioca e só apresentou manchetes negativas contra o atual governo. Passado o pleito, porém, a famiglia Mesquita já se reposiciona politicamente. Ela descarta Aécio Neves, o “selvagem”, como bagaço, e ingressa no ninho tucano para alavancar o “moderado” Geraldo Alckmin. O senador mineiro que se cuide! Pode não sobrar pó em sua carreira política!

Em dezembro, por solicitação do comando de campanha de Aécio Neves, a Justiça determinou a quebra dos sigilos cadastrais e eletrônicos de 20 usuários do Twitter que criticaram o presidenciável do PSDB. Com base nesta decisão arbitrária, os advogados do tucano terão acesso aos dados desses internautas, o que possibilitaria a identificação e o pedido de punição individual. O cambaleante justificou a perseguição alegando que foi vítima de “caluniadores” e “detratores”. Caso insista em concorrer novamente em 2018, desafiando os paulistas Geraldo Alckmin e até o eterno candidato José Serra, o senador mineiro-carioca sentirá no lombo como se dá a ação dos “caluniadores” e “detratores” da grande imprensa! Ele até sentirá saudades dos tuiteiros censurados!

Foto: Marcelo Ribeiro/ Alckmin 45

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