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Apaga a vela: Metrô de São Paulo faz aniversário com incêndio em um dos trens

A composição da Frota K – reformada pelo “cartel” – pegou fogo quando estava na estação Sé no último domingo (14), data em que o Metrô completou 40 anos de existência; companhia nega o ocorrido, mas metroviários afirmam que incidentes com trens dessa frota são mais que comuns 

Por Ivan Longo 

Por volta das 9h da manhã do último domingo (14) – data em que o Metrô de São Paulo completou 40 anos – um trem pegou fogo quando estava na estação Sé, na linha 3- Vermelha. Funcionários da companhia relataram que o fogo foi causado pelo travamento de um rolamento, que superaqueceu o motor e gerou as chamas, derretendo, inclusive, a borracha que fica nas portas do trem K01, pertencente à Frota K. 

Trata-se do mesmo problema que culminou no descarrilamento de outro trem da frota, o K07, em agosto do ano passado, próximo a estação Palmeiras Barra Funda. Na ocasião, a temperatura foi tão elevada que trincou o eixo do truque, fazendo com que o trem saísse dos trilhos. 

Segundo relatam funcionários que ajudaram a apagar o fogo, o trem, no momento em que começaram as chamas, estava cheio e teve que ser evacuado. Ainda com fumaça, a composição seguiu vazia para um estacionamento na estação Palmeiras Barra Funda, onde, de acordo com o Relatório de Ocorrência Técnica, as chamas voltaram. Somente um extintor, de acordo com os metroviários, não foi suficiente para apagar o fogo, que já estava em labaredas. Foi preciso acionar reforço e a operação para apagar o incêndio teria durado cerca de uma hora e meia. 

Contatado pela reportagem do SPressoSP, o Metrô negou o ocorrido, dizendo apenas que “não houve princípio de incêndio em nenhuma das composições do sistema”. 

Os metroviários informam, contudo, que incidentes como esse, de maiores ou menores proporções, ocorrem periodicamente nos trens da Frota K, que circulam somente na linha 3 – Vermelha. Na semana passada, outro trem da frota, o K03, também apresentou sinais de fumaça em horário de pico e teve que ser evacuado e recolhido. 

A Frota K é um conjunto de trens que passou por reformas e que foi entregue em 2011. No mesmo dia da inauguração, há 3 anos, um trem pegou fogo. 

Confira abaixo os casos de incidentes na Frota K somente este ano: 

21/05 – Fogo no K19 próximo a estação Vila Matilde 
03/09 – Fogo no K15 próximo a estação Carrão 
11/09 – Fumaça no K03 próximo a República 
14/09 – Fogo no K01 na estação da Sé 

Os funcionários do Metrô relatam que os problemas com a frota acontecem pois a reforma, feita por empresas terceirizadas, foi realizada com mão de obra de má qualidade e com peças de segunda linha, o que rendeu mais lucros às empresas e ao próprio Metrô, que não se deu ao trabalho de comprar trens novos. 

Os próprios trabalhadores temem entrar em trens da Frota K pois sabem dos riscos que ela representa à vida dos passageiros. “Na verdade, o Metrô deu sorte. Por que pegar fogo no trem com o usuário dentro pode culminar em um desastre. O descarrilamento poderia ter acontecido em qualquer outro lugar e ter feito vítimas fatais”, afirmou um dos trabalhadores da área técnica. 

A companhia, por sua vez, dificilmente se manifesta sobre os incidentes e não orienta os usuários quanto ao risco. 

Frota K, a frota do Cartel 

As reformas dos trens de São Paulo são alvo de investigação do Ministério Público, sob suspeita de formação de cartel. A Frota K foi reformada e entregue em 2011 pelo consórcio MTTrens, formado pelas empresas Temoinsa, MPE e TTrans. Essa última, está envolvida no esquema de licitações, de acordo com documentos apresentados pela Siemens ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). As investigações apontaram que houve irregularidade (falta de concorrência) na licitação da contratação das empresas responsáveis pelas reformas

O esquema, conhecido como “propinoduto tucano” ou “trensalão”, começou na gestão do ex-governador Mário Covas e continuou acontecendo durante os governos de José Serra e Geraldo Alckmin, todos do PSDB.

 

 

 

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