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Crise na USP: Zago transfere hospital de Bauru para o estado

O reitor ainda tentou decretar a transferência do Hospital Universitário da capital, mas teve que adiar a votação por pressão dos grevistas; funcionários temem privatização da universidade 

Por Ivan Longo 

 

Médicos e funcionários protestam contra a transferência dos hospitais. (Reprodução/Facebook)
Médicos e funcionários protestam contra a transferência dos hospitais. (Reprodução/Facebook)

O Conselho Universitário da USP, composto majoritariamente por diretores das faculdades, se reuniu nesta terça-feira (26) no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), da Cidade Universitária, para debater e votar as propostas colocadas pelo reitor Marco Antonio Zago para que a instituição saia da crise financeira que vem sofrendo, principalmente, nos últimos meses. 

Entre as ideias do reitor, estão a demissão voluntária de funcionários, cobrança de mensalidades e transferência de dois hospitais da instituição (o Hospital Universitário e Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, em Bauru), ao estado. 

A reunião foi acompanhada de perto por mais de mil pessoas, entre funcionários grevistas, professores e alunos que, em frente ao instituto, fizeram pressão ao longo de toda a tarde para que o conselho não optasse pelas transferências. 

Após pedidos da direção da Faculdade de Medicina, reivindicação de funcionários e de alunos, Zago tirou a votação sobre as transferências da pauta mas, em uma manobra, no final da reunião, colocou em votação a questão do hospital de Bauru. Por uma diferença de 5 votos, os representantes decretaram a transferência da unidade à secretaria do estado de saúde. 

“O HRAC é um hospital bem menor e especializado. O impacto dessa transferência para os alunos de odontologia que têm aula lá e para os funcionários será muito grande”, afirmou Rafael Borguin, funcionário da área da veterinária da USP que faz parte do sindicato dos funcionários e e que integra o comando de greve. 

Apesar da decisão, Borguin disse que médicos e alunos de Bauru, assim como toda a comunidade universitária da capital que apoia a greve, continuarão a fazer pressão para reverter a transferência. Segundo o servidor, o foco da luta agora será direcionado à Secretaria do Estado da Saúde e à Assembleia Legislativa. 

A situação do Hospital Universitário (HU), por sua vez, ainda é incerta. A votação sobre sua transferência foi adiada para daqui 30 dias. 

O HU é uma das maiores referências em medicina no estado. Além da excelência nos serviços prestados, trata-se de um hospital-escola, onde alunos de diversos cursos ligados à área da saúde têm a oportunidade de estagiar e aprimorar suas experiências como estudantes. 

Para Rafael, a transferência do hospital ao governo estadual, além de tirar esse suporte dos alunos, prejudica funcionários e a comunidade como um todo. Isso por que, na visão dos grevistas, a entrega da unidade à Secretaria de Saúde pode representar, em pouco tempo, a privatização do hospital através de parcerias com Organizações Sociais de Saúde (OSs). 

Em São Paulo, mais de 30 hospitais que deveriam ser administrados pelo governo estadual são, na verdade, administrado pelo setor privado através dessas organizações. 

“É bem provavel que essa transferência para secretaria da saúde vire uma parceria com OSS. Seria uma forma de um setor privado administrar o HU. A gestão nao seria mais uma gestão da USP. A forma como atende, a prioridade que dá pra comunidade ou não seria completamente alterada”, analisou o funcionário da veterinária. 

Boguin destacou ainda que, ainda que a administração do hospital seja pública, muitas pessoas, principalmente funcionários da USP que contam com o aporte da unidade, ficariam à mercê da má administração que o governo estadual faz de seus equipamentos de saúde. 

“Para os funcionários é importante por que não temos convênio médico. Nosso atendimento é realizado pelo HU. Imagina só o que deve acontecer. O Hospital das Clínicas, por exemplo, é do estado e atende convênios médicos. O problema é que o cidadão coberto por convênio médico, lá, é atendido com prioridade em relação ao cidadão que só conta com o SUS”, analisou. 

A greve e as manifestações contra as medidas de Zago para desafogar a instituição continuam nesta quarta-feira (27), data em que a reitoria da instituição deve fazer uma nova proposta para acabar com a paralisação dos grevistas, que já dura desde de maio. 

Greve 

A greve da USP, acompanhada também pelas outras duas estaduais – Unesp e Unicamp – teve início em maio, quando os servidores tiveram o salário congelado e não receberam o reajuste previsto para esse ano.

O bloqueio do reajuste foi uma das consequências da grave crise orçamentária vivida pela instituição, evidenciada principalmente depois da saída do ex-reitor, João Grandino Rodas, conhecido pelos seus gastos exorbitantes e má administração.

Agora, a instituição corta o salário de seus servidores como forma de repor seus caixas. O reitor Zago, além de tentar repassar hospitais da universidade ao estado, estuda executar um plano de demissão, que colocaria na rua cerca de 3 mil funcionários.

Estima-se que 80% dos servidores da USP estejam paralisados. 

 

 

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