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Para advogado, manifestação em SP é encarada “como crime organizado”

Um estudante e um professor, que estão sendo investigados pelo Deic sob a acusação de portar explosivos durante manifestação contra a Copa do Mundo, seguem presos; um policial chegou a atirar com arma de fogo para dispersar o ato 

Por Ivan Longo 

O professor Rafael Lusvarghi ferido por tiros de bala de borracha. (Foto: reprodução/Facebook)
O professor Rafael Lusvarghi ferido por tiros de bala de borracha. (Foto: reprodução/Facebook)

O professor Rafael Marques Lusvarghi e o estudante Fabio Hideki Harano, presos desde a última segunda-feira (23) no Deic, foram transferidos nesta terça-feira (24) para um Centro de Detenção Provisória.

Eles foram detidos por policiais civis à paisana durante uma manifestação contra a Copa do Mundo, realizada na própria segunda-feira (23), na região da avenida Paulista.

Diferentemente do que costuma a acontecer em protestos, os manifestantes foram abordados por policiais civis à paisana, sem nenhum tipo de identificação.

“Colocar policiais civis em manifestações deixou o cenário muito mais sinistro do que já era, por que polícia civil encaminha para o Deic, que não é um departamento qualquer. Ele investiga crime organizado. E a presença deles era ostensiva. Então aí já dá para ver como a Secretaria de Segurança Pública está encarando a manifestação: como crime organizado”, afirmou Igor Leone, advogado que compõe o coletivo Advogados Ativistas.

Essa visão se concretiza também no boletim de ocorrência, que autuou o professor e o estudante por porte de explosivos, associação criminosa e incitação à violência.

“Esse tipo de autuação é bem comum por que é super subjetiva. Principalmente incitação à violência. A subjetividade desse fato é o que gera a margem para a arbitrariedade”, analisou Leone.

De acordo com a advogada do professor Rafael Marques Lusvarghi, ele estaria próximo à rua Haddock Lobo quando foi abordado por três homens sem identificação, que teriam o violentado e o algemado. Lusvarghi foi levado para a delegacia em um Santana preto descaracterizado.

O professor e o estudante foram detidos depois do ato contra a Copa do Mundo, na avenida Paulista. (Foto: Ninja)
O professor e o estudante foram detidos depois do ato contra a Copa do Mundo, na avenida Paulista. (Foto: Ninja)

Além de estar usando uma saia e sem mochila, o que enfraquece a alegação que o manifestante portava explosivos, a detenção aconteceu por volta das 19h, quando a manifestação já havia praticamente acabado.

O estudante Fabio Hideki Harano, por sua vez, estava indo embora do ato quando foi detido, também por policiais à paisana.

Tiro pro alto 

Ao fim da manifestação, pouco antes da detenção dos dois suspeitos, um dos policiais civis sacou uma arma de fogo e atirou para o alto, com o intuito de dispersar o protesto.

“Ele não poderia ter feito isso, principalmente em um contexto de manifestação. A rua estava lotada, cheio de transeuntes, manifestantes e jornalistas. Foi uma conduta completamente irresponsável”, apontou o advogado Igor Leone.

Leone lembrou também do Manual de Conduta das Polícias da ONU – do qual o Brasil é signatário – que prevê que o policial, antes de sacar uma arma de fogo, deve se apresentar como policial, avisar que vai sacar uma arma e por qual intenção e dar tempo suficiente para que o suspeito ou a pessoa abordada se “conforme” com a advertência.

O agente que atirou para o alto não teria seguido nenhuma dessas recomendações, mas ganhou o respaldo de Fernando Grella, o secretário de segurança pública. “Esse tiro em princípio foi de advertência, o que é uma ação legítima, como é a legítima defesa”, afirmou.

E os Black Blocs? 

O estudante e o professor, que permanecem presos, estão sendo investigados pelo Deic, que é justamente o órgão da polícia que faz as investigações relacionadas aos black blocs.

Na manhã desta terça-feira (24), Grella afirmou que foi a primeira vez que a polícia civil conseguiu prender black blocs criminosos em flagrante.

Acontece que, já há meses, o Deic trabalha em um inquérito que investiga uma série de suspeitos de que seriam ligadas às práticas de depredação dos black blocs mas, até o momento, ninguém foi preso e os dois suspeitos detidos nesta segunda-feira nem sequer faziam parte dessa investigação.

 

 

 

 

 

 

 

 

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