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PT oficializa candidaturas de Padilha e Suplicy em SP

Em seu discurso, o ex-presidente Lula disse que, este ano, o lema da campanha será o da esperança contra o ódio

Por Carlos Mercuri

Padilha: 'hora de mudar de verdade a forma de governar o estado de São Paulo' (fotos: Reprodução/TV Linha Direta)
Padilha: ‘hora de mudar de verdade a forma de governar o estado de São Paulo’ (fotos: Reprodução/TV Linha Direta)

O Partido dos Trabalhadores de São Paulo oficializou, em ato político realizado neste domingo (15), as candidaturas do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha ao governo do Estado, da reeleição de Eduardo Suplicy ao Senado e das chapas de deputados estaduais e federais. A convenção aprovou as candidaturas por aclamação.

Em sua fala, Padilha, relembrando as ofensas contra a presidenta Dilma Rousseff na abertura da Copa do Mundo, quarta-feira (12), disse que São Paulo pode esperar dele “um candidato que vai apresentar propostas, mas nunca agressões grosseiras a nossos adversários”. O candidato disse que perdoa aquela grosseria que uma minoria fez à presidenta, mas que é necessário perdoar, mas não esquecer, “para que o ódio daquela minoria não contamine nosso coração vermelho”. O ex-ministro bradou que é “hora de mudar de verdade a forma de governar o estado de São Paulo”.

Em seguida, Padilha elencou algumas das propostas que tem para o estado: ampliação do metrô, chegando a cidades da região metropolitana e ABC; criação do bilhete único metropolitano, estendendo-o ao litoral e ao interior; modernização da administração para melhorar o acesso ao serviço público, valorização do servidor público; tirar a sede do governo do Palácio dos Bandeirantes, para deixar o Executivo mais perto do cidadão; desburocratizar o governo, com o uso de todos os recursos tecnológicos disponíveis – começando pelo site do governo com as informações e transparência necessárias, promovendo o acesso mais fácil e ágil aos serviços disponíveis.

O candidato também disse que vai criar o Poupatempo Empresarial, para reduzir drasticamente o prazo de abertura de empresas – o que proporcionará diminuir o tempo dos atuais seis meses para menos de seis horas; colocar as delegacias da mulher em funcionamento 24 horas por dia, de segunda a segunda; promover o transportes sobre trilhos; escolha do reitor da USP com participação da comunidade universitária.

Ainda sobre educação, Padilha ressaltou que, no lugar da aprovação automática, vai criar a “aprendizagem continuada, com apoio das universidades estaduais e federais, criar uma academia dos professores da escola pública do estado, prover a valorização e atuação permanente dos professores”; prometeu banda larga de internet para 100% das escolas estaduais, e oferecer aos jovens e professores as melhores ferramentas de aprendizagem, ampliando a escola de tempo integral, com laboratórios, bibliotecas e outros equipamentos para aumentar e qualificar a jornada escolar, garantido ao estudante o direito de aprender

“Educação é mudar ou mudar: ou promovemos mudanças da educação de verdade agora ou comprometemos o futuro de nossos jovens, o que significa comprometer o futuro de nosso estado”, afirmou. Sobre segurança, destacou que os 20 anos de governos tucanos no Estado se “preocuparam com a chave para fechar as portas dos presídios, que são necessários, mas que temos que ter as chaves para abrir portas e janelas de oportunidades”.

Solidariedade

O senador Suplicy e o prefeito da capital, Fernando Haddad, também se solidarizaram com a presidenta pelas vaias e ofensas recebidas na Arena Corinthians. Suplicy elogiou a forma com que ela respondeu às manifestações, que não se iria abalar nem retroceder em seu trabalho para melhorar o país. “Numa família tão grande – como o povo brasileiro –, sempre pode haver problemas”, afirmou.

Haddad disse que estava engasgado desde a abertura da Copa e lembrou que trabalhou com ela no governo Lula, quando era ministro da Educação e ela, da Casa Civil e que ela o manteve no ministério em seu governo. “Pode ser que nas fileiras do PSDB tenha alguém como Dilma, mas não tem ninguém lá tão digno como ela. O mínimo que se espera de um político com ‘p’ maiúsculo é um gesto de solidariedade a ela, é o mínimo a exigir de pessoas civilizadas.”

Sobre Padilha, Haddad lembrou das atividades dele antes de ser ministro da Saúde, como articulador político do governo Lula. O prefeito relacionou programas que, em seu entender, levam certa parte da elite a odiar os governos do PT: a facilitação do acesso dos menos abastados à universidade com o Pró-Uni, o Fies, que permite aos pobres financiar os estudos. “O primeiro curso superior deste país é 1808, quando a família real chegou. Levamos quase 200 anos para ter 3 milhões de universitários; e, em 12 anos, dobramos para 7 milhões”, destacou.

O prefeito ainda disse que muitos desses avanços não são conhecidos porque os meios de comunicação não informam. “A juventude é desinformada por meios de comunicação que não controlamos e nem queremos controlar. Nosso desafio é promover a informação da sociedade”, concluiu.

Dilma: 'Não temos medo do povo. Governamos com o povo e para o povo'
Dilma: ‘Não temos medo do povo. Governamos com o povo e para o povo

A ministra da Cultura e ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, também falou dos avanços dos 12 anos de governo federal do PT nas áreas sociais, que diminuíram as desigualdades sociais, criaram o pleno emprego e os projetos para a mulher, citando uma informação dada ontem (14) pela ministra Tereza Campello (Desenvolvimento Social e Combate à Fome): o pagamento do bolsa-família para as gestantes e o aumento de mais de 60% no número de mulheres que hoje fazem o pré-natal. Marta frisou que, nesses anos todos, os governos do PT foram massacrados por causa dos projetos sociais, mas tudo isso agora os adversários dizem que é deles, que vão aperfeiçoar esses programas. “Tiveram oportunidade e não fizeram (melhor)”, comentou.

A presidenta Dilma Rousseff enviou sua mensagem por meio de um vídeo exibido na convenção. Em sua fala, trouxe seu apoio à candidatura de Padilha e que o PT tem a marca da mudança, que esta campanha terá de mostrar. Disse que essa candidatura tem a força da verdade: “São Paulo precisa conhecer melhor o que acontece aqui e em todo o Brasil. É a hora de dar chance a alguém com ideias novas, fazer pelo estado o que ele merece. São Paulo não pode mais confiar em volume morto. Padilha é volume vivo de que São Paulo precisa”.

Dilma lembrou que esta campanha é uma oportunidade de Padilha mostrar o que o governo federal já fez pelo estado: rodoanel, ampliação do porto de Santos, a hidrovia no rio Tietê, modernização dos aeroportos, as 309 mil famílias que realizaram o sonho da casa própria, por meio do programa Minha Casa, Minha Vida, 10 novos campus de universidades federais e 36 escolas técnicas federais e afirmar que pode fazer ainda mais. “Para isso, contamos com a força combatível e insuperável de nossa militância. Não temos medo do povo. Governamos com o povo e para o povo”, finalizou a presidenta.

O ato terminou com fala do ex-presidente Lula. Ele disse que esta campanha será atípica, perigosa. Lula lembrou que, se em 2002, a campanha teve como lema “a esperança vai vencer o medo”, nesta, terá de ser “a esperança vai vencer o ódio”. Lula explicou por que há esse ódio contra o partido: “O ódio deles contra nós é que, pela primeira vez, mostramos que tinha gente mais competente para governar este país. Temos que provar a cada dia nossa capacidade de governar, eles não”.

Lula: 'O que incomoda é eles verem que uma camada da sociedade que não participava de nada começou a participar'
Lula: ‘O que incomoda é eles verem que uma camada da sociedade que não participava de nada começou a participar’

“Eles tinham raiva de nós porque eu era um metalúrgico. Mas por que esse ódio contra a Dilma, contra o Haddad? O que incomoda é eles verem que uma camada da sociedade que não participava de nada começou a participar. Pobre entrando em restaurante, passeando num parque, indo aos teatros, andando de avião, isso incomoda”. Lula atribuiu esse ódio, ainda, à criação, pelos governos do PT, dos canais de participação popular na gestão, a revolução do “orçamento participativo”.

O ex-presidente também falou da questão da corrupção: “O que os incomoda é o fato de que todos os governos anteriores não terem criado metade dos mecanismos para combater a corrupção que criamos; nós tiramos o tapete da sala, enquanto eles empurraram o problema para debaixo do tapete”.

Lula cutucou ainda os meios de comunicação, que se dizem “não políticos”. “Eu não acredito que alguém possa não ser político, porque começamos  a fazer política logo ao nascer. Mas está na testa dele que eles são tucanos. Dizem que não são políticos para criticar o PT, a Dilma. É o pensamento único contra nosso  governo. Por isso colocamos quase como uma profissão de fé provar que poderíamos fazer melhor que eles.” O ex-presidente finalizou avisando que este ano não vai viajar para o exterior para estar à disposição para  colaborar na campanha dos candidatos do partido. “Quero dar 100% de minha dedicação para que você [Padilha] seja o novo governador de São Paulo.”

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