Home»Sem categoria»Coronel da PM intimida padre Júlio Lancellotti por falar da violência policial

Coronel da PM intimida padre Júlio Lancellotti por falar da violência policial

O militar enviou mensagem ao religioso comentando entrevista em que o católico questiona a atuação da polícia em manifestação. Para finalizar, o policial fez um convite irônico: “Quem sabe o senhor possa nos ajudar, não é?”

Por Ivan Longo 

O padre Júlio Lancellotti foi intimidado depois de questionar a atuação da PM. (Foto: Wilson Dias/ABr)
O padre Júlio Lancellotti foi intimidado depois de questionar a atuação da PM. (Foto: Wilson Dias/ABr)

Além de repreender manifestações populares, a Polícia Militar de São Paulo não admite que julguem sua atuação. No último dia 15 de maio, em São Paulo, na manifestação realizada contra a Copa do Mundo, uma das vítimas da truculência policial foi o padre Júlio Lancellotti.

O padre, que é um contumaz apoiador dos movimentos sociais e responsável por inúmeros trabalhos junto à moradores de rua, teve a perna ferida por um estilhaço de bomba de gás lacrimogêneo  jogada pela PM.

Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, no dia seguinte, o Lancellotti contou o episódio e questionou a ação das forças de segurança do Estado. “O que me feriu mais foi a repressão e violência geral da PM. Acho que eles precisam ter outras formas para agir”.

A declaração do religioso incomodou um coronel da Polícia Militar, que o enviou uma mensagem de texto, através do celular, um tanto quanto irônica. “Senhor Padre, bom dia. Em face do sue total desconhecimento sobre a atuação da Polícia Militar nas manifestações de rua, demonstrado no seu depoimento prestado em matéria do Estadão, nesta data, iremos chamá-lo para acompanhar os próximos planejamentos e reuniões: quem sabe o Sr possa nos ajudar, não é?”, dizia a mensagem.

O recado não foi passado em caráter anônimo. De acordo com Lancellotti, o autor da mensagem é o coronel Celso Luiz Pinheiro, responsável pelo policiamento da área central da cidade. O padre afirmou que mantinha contato com o militar pois, meses antes, havia o contatado para esclarecer o óbito de um morador de rua embaixo de um viaduto na Mooca.

Para o padre, a mensagem do policial é intimidadora pois não teria o que fazer em uma reunião de planejamento da PM, uma vez que é civil. Para ele, seria a mesma coisa que chamar um policial para participar do planejamento de uma manifestação de um movimento social. “Para um instituição completamente hierarquizada, isso [enviar a mensagem] é completamente impensável. Eu sou um civil! Ela [a mensagem]  tem ironia e uma certa intimidação”. Quanto ao fato do coronel ter questionado o conhecimento de Lancellotti em relação à atuação da polícia, o padre rebateu: “Eu estava lá! Eu vi o que aconteceu”.

Para os Advogados Ativistas, corpo jurídico que presta assistência aos movimentos sociais,  pelo conteúdo da mensagem, “a atitude de tal policial eventualmente pode não ser encarada como crime porém é, no mínimo, anti-ético e intimidador”.

Leia mais sobre o assunto: 

“Foi uma violência desmedida e desnecessária” 

Comentários

Comentários

Dilma provoca Alckmin: "Garanto energia, não água"

“Parto humanizado não é bem de consumo”