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Sem-teto marcam nova mobilização para dia 22 e afirmam que não são contra a Copa

“Temos uma pauta definida e vamos realizar mobilizações para que seja ouvida e atendida. Não diz respeito somente ao movimento se vai haver manifestações durante o evento. Isso depende da postura dos governos”, afirmou o líder do MTST, Guilherme Boulos

Por Rodrigo Gomes, na RBA

Após uma série de mobilizações na manhã da última quinta-feira (15), com cerca de 5 mil pessoas em quatro grandes avenidas, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) anunciou sua próxima mobilização, dentro do conjunto de ações contra a Copa do Mundo, para a próxima quinta-feira (22). Em entrevista coletiva no início da tarde, os militantes destacaram as reivindicações sobre moradia das ações de hoje e afirmaram que não se prestam a um “fetiche sobre a Copa”, e que o objetivo não é impedi-la.

“A Copa acabou sendo um momento onde várias reivindicações confluíram. Temos uma pauta definida e vamos realizar mobilizações para que seja ouvida e atendida. Não diz respeito somente ao movimento se vai haver manifestações durante o evento. Isso depende da postura dos governos”, explicou o coordenador nacional do MTST, Guilherme Boulos.

A pauta do movimento estava definida sobre três pontos. Duas delas, o controle público do reajuste de aluguéis urbanos, estabelecendo o índice inflacionário como teto dos reajustes e uma política federal de prevenção de despejos forçados, com a formação de uma comissão de acompanhamento ligada à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, se relacionam diretamente ao déficit habitacional.

Boulos considera que, sem essas medidas, a população mais pobre, diretamente afetada pelos aluguéis altos e pela especulação imobiliária, só pode recorrer a medidas extremas. “O resultado disso é o alto número de ocupações que estão ocorrendo em todo o país”, afirmou.

O movimento estima que hoje existam 7 milhões de pessoas sem moradia no país e que pelo menos 200 mil famílias tenham sido afetadas direta ou indiretamente por obras para o Mundial de futebol, de acordo com levantamento da relatora da Organização das Nações Unidas para moradia no Brasil, a urbanista Raquel Rolnik.

O movimento também pede mudanças no programa Minha Casa, Minha Vida que fortaleçam o atendimento a entidades e ampliem a atenção à população com renda de zero a três salários mínimos.

“Hoje, 95% dos recursos do programa vão para as empreiteiras, que realizam projetos de baixa qualidade e não focam as famílias de mais baixa renda”, criticou. Segundo o militante, os cerca de R$ 30 bilhões investidos nas ações da Copa do Mundo poderiam subsidiar a construção de 1 milhão de moradias populares, no padrão do Minha Casa Minha Vida.

Questionado sobre a continuidade da reunião com a presidenta Dilma Rousseff, na semana passada, no estádio Itaquerão, zona leste da cidade, Boulos afirmou que não houve novos contatos. E desmentiu que tenha dado um ultimato à presidenta.

“Isso não procede. Não temos condição de dar ultimato a quem quer que seja. Nós esperamos que a pauta seja atendida e se não for vamos continuar nas ruas, como é natural. Inclusive, não se trata só de cobrar o governo federal, mas as três esferas de governo são responsáveis pela situação da moradia”, explicou.

Boulos afirmou que houve protestos na Avenida Radial Leste, na zona leste, em frente ao Itaquerão, com cerca de 1.500 pessoas da ocupação Copa do Povo, e na Marginal Pinheiros, próximo à Ponte João Dias, na zona sul, com cerca de 2 mil pessoas. Outras 300 pessoas pararam a Marginal Tietê, próximo à Ponte Estaiadinha, na região central, e mais 500 se manifestaram na Avenida Giovanni Gronchi, próximo ao Shopping Jardim Sul. Na ponte do Socorro, zona sul, 800 pessoas da Ocupação Anchieta Grajaú também pararam o trânsito em protesto.

Em outras cidades, o movimento também realizou ou vai realizar ações no início da noite de hoje. Outras 500 se mobilizaram em Palmas, no Tocantins. Ainda haverá ações em Curitiba (PR), Fortaleza (CE), João Pessoa (PB) e Belém (PA).

Na próxima mobilização, que será unificada com todos os grupos que compõem o Comitê Popular da Copa em São Paulo, espera-se levar entre 15 e 20 mil pessoas para as ruas. O local ainda não foi definido, mas Boulos disse que pretende dar ampla publicidade porque o objetivo é que a população em geral participe.

‘Oportunidade’

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, afirmou nesta quinta, em audiência pública na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, que não há como caracterizar as manifestações ocorridas hoje como um movimento contra a Copa do Mundo. Para ele, os grandes eventos esportivos devem ser encarados como oportunidade, não apenas econômica, mas também de projeção da imagem, da influência e do poder do país.

“Geralmente, as manifestações são mais a favor de alguma coisa, da moradia, do ensino público, da segurança, do transporte. Não sei por que transformar manifestações de reivindicações em manifestação contra a Copa e o governo”, afirmou, segundo a Agência Brasil.

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