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Bacia cobiçada por Alckmin também está crítica

Estudo do ONS mostra que, mantida a atual vazão do Rio Paraíba do Sul, o manancial secará em 8 meses

Por Redação

A Bacia do Rio Paraíba do Sul, cobiçada pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), para suprir a seca no Sistema Cantareira no futuro, também passa por estiagem e pode secar em oito meses. Esta é a conclusão de relatório do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) concluído em março. A bacia é composta por quatro represas (Jaguari, Santa Branca, Paraibuna e do Funil), alimentadas pelo rio Paraíba do Sul. O ONS é o órgão responsável pelo controle da operação da geração e transmissão de energia elétrica do País.

O ONS fez simulações com base na seca de 1955 – a pior já registrada na região. Mantendo-se a vazão atual – de 190 mil litros por segundo -, a bacia entraria em colapso em oito meses – atingiria 1,8% de sua capacidade em novembro. No dia 1 de abril, o nível dos reservatórios estava em 42%. O manancial alimenta usinas de energia da Light e abastece o Vale do Paraíba (interior de São Paulo) e 80% do Estado do Rio.

“Por sua posição estratégica para a segurança do abastecimento da Região Metropolitana do Rio, a Bacia do Rio Paraíba do Sul merece uma especial atenção no que tange à gestão de recursos hídricos”, aponta o ONS. Mesmo com a redução das vazões, que poderia afetar o abastecimento no Rio, as simulações mostram cenários alarmantes, com o volume dos reservatórios entre 6,6% e 13,7% em novembro.

O governador Geraldo Alckmin pretende transpor água do reservatório do Jaguari, que fica em Igaratá – região de São José dos Campos -, para a represa de Atibainha, em Nazaré Paulista, que compõe o Sistema Cantareira. Uma tubulação de 15 quilômetros interligaria os dois reservatórios e a transposição ocorreria quando o nível de uma das represas estivesse abaixo de 35% ou acima de 75% (para evitar seca e alagamento, respectivamente).

O projeto causou protestos do governador fluminense, Sérgio Cabral (PMDB), por temer o risco de desabastecimento à população atendida pelo Paraíba do Sul. O plano, porém, tem que ser aprovado pela Agência Nacional de Águas (ANA), porque o rio passa por três estados (São Paulo, Rio e Minas) e pela Agência Nacional de Energia Elétrica (já que ele alimenta usina geradora de eletricidade).

Nesta quarta-feira (2), Alckmin voltou a defender o projeto – que está orçado em R$ 500 milhões, justificando que São Paulo não vai retirar água do Rio. “Não tem nada a ver com o Rio de Janeiro, porque o Estado tem vazão mínima garantida pela ANA”, afirmou o governador paulista. Técnicos dos dois governos estão discutindo juntos o projeto.

(Crédito da foto da capa: Wikimedia Commons)

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