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“O governo Alckmin é racista com viés fascista”, diz novo líder do PT em SP

Novo líder da bancada petista na Alesp, João Paulo Rillo faz duras críticas ao governador e afirma que tentará destruir “a farsa de que Alckmin é eficiente e bom gestor”. Para parlamentar petista, grande mídia e MP ajudam a lustrar boa imagem de tucano

Por Igor Carvalho

Na semana passada, a Liderança do PT na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) passou a ser ocupada pelo deputado João Paulo Rillo, que tem sua base eleitoral em São José do Rio Preto. Em entrevista exclusiva ao SPressoSP, o parlamentar comentou os temas que devem permear o debate da sucessão paulista ao governo do Estado.

Em diversas perguntas, Rillo cita diretamente o atual governador Geraldo Alckmin (PSDB), que tentará a reeleição no pleito eleitoral de 2014. O tom das respostas mostra que o embate entre PT e PSDB já começou e que as posições são antagônicas.

Sobre a atuação da Polícia Militar, comandada pelo tucano, Rillo afirmou que ela espelha o comportamento “racista” e “fascista” do governo Alckmin. Confira na íntegra a entrevista com o líder da bancada petista na Alesp:

SPressoSP – Faltam três assinaturas para a CPI do “trensalão” na Alesp e o governo federal vai tentar uma CPMI em Brasília, para investigar o caso. Brasília está conversando com São Paulo? Ainda é possível uma investigação em São Paulo?

João Paulo Rillo – O diálogo entre São Paulo e Brasília é diário, a assessoria da nossa bancada alimenta de informações e dados os deputados e a bancada de Brasília. Nós estamos fazendo nossa parte aqui, lutando muito para que essa CPI saia, mas não tenho esperança alguma de que ela sairá neste ano. Primeiro porque temos uma dificuldade de assinaturas, não conseguimos chegar no número. Segundo, se chegarmos no número, temos que aprovar a excepcionalidade de funcionamento da CPI e isso não sairá, porque aqui na casa não funciona mais do que 5 CPI’s por vez e ela teria que furar a fila trazendo à tona o maior escândalo de corrupção de São Paulo, o PSDB não deixará. Mas, estamos na trincheira permanentemente, para que ao menos o estado saiba o que foi feito com o dinheiro do povo nesses 20 anos de PSDB.

SPressoSP – Hoje, veio a público que a entidade presidida pelo coordenador do programa Recomeço, do governo do Estado, Ronaldo Laranjeira, foi contratada para gerir o hospital para tratamento de usuários de crack, recebendo R$ 114 milhões, durante 5 anos, para administrar a unidade. O Ministério Público do Estado considera isso conflito de interesses, uma vez que o psiquiatra está nas duas pontas do processo: como contratante e contratado. Não há, aí, uma questão ética? O que a bancada do PT pretende fazer a respeito?

João Paulo Rillo – Na nossa visão, esse caso vai além, não é só uma questão de ética, é também de improbidade. Ainda estamos estudando quais os instrumentos da casa iremos usar para se manifestar contra isso.

SPressoSP – O governo do Estado e a Sabesp evitam falar em racionamento de água, apesar de a situação das represas do Sistema Cantareira terem atingido nível crítico, com menos de 14% de sua capacidade. Alckmin diz que o problema é a estiagem, mas especialistas apontam a falta histórica de investimentos da companhia em ampliar os reservatórios. Caberia alguma medida junto ao MP ou à ANA [Agência Nacional de Águas] de responsabilização do Estado e da companhia por deixar a situação chegar a esse ponto? 

João Paulo Rillo – O PT não é um partido leviano. Uma parte disso, realmente é uma questão de estiagem. Porém, em sua maior parte, essa crise se deve a uma questão de planejamento. Será que o Alckmin não tem uma equipe que saiba que precisa ser feito investimento ao longo do tempo? Que precisava aumentar a capacidade de abastecimento para atender o estado? O Alckmin vive dessa imagem, que ele criou mas não existe, de ser eficiente. Ele foi avisado, em 2004, pela ANA, mas o governo dele não elaborou um plano de contingência.

SPressoSP – Em entrevista nesta semana, o sr. reclamou da falta de transparência da máquina pública de São Paulo, que dificulta os investimentos do governo em áreas essenciais para o Estado. E pede também maior participação da sociedade na definição dos investimentos. Como seria possível “abrir a caixa preta” da Receita estadual?

João Paulo Rillo – Só mudando o governo de São Paulo. O governo Alckmin é blindado, eles sufocam qualquer possibilidade de informação. O PT trabalha no limite. Aqui na Alesp, você utiliza todos os instrumentos, mas há um estrangulamento da oposição e uma blindagem da grande mídia, que não tem interesse de questionar. Então, ficamos contando com uma intervenção judicial ou muda o comando do Estado, não dá mais para ficar como está. São Paulo é uma caixa-preta mesmo, uma enorme peça de ficção, é um governo que vive da imagem do governador que é muito bem lustrada e amparada pelo Ministério Público – que é seletivo –  e pela grande mídia.

SPressoSP – A USP e Unicamp continuam se negando a oferecer cotas para negros em seus cursos. O Pimesp, proposta do Alckmin, foi barrado no ano passado. Porém, nenhuma lei paulista obriga as universidades públicas do estado de oferecer vagas aos negros. As federais já cumprem uma lei e quase todas as estaduais do país já oferecem cotas. Por que essa pauta foi deixada de lado aqui na Alesp?

João Paulo Rillo – Sob a batuta do PSDB, São Paulo continua sendo a vanguarda do atraso em uma série de questões, é o estado do retrocesso. A resistência às cotas mostra a política do Alckmin para a nossa juventude. Olha o campo que ele abre ao jovem. Ele defende a maioridade penal também. Esse jovem negro, que nasceu no governo dele, apanha da polícia dele, não tem perspectiva nem acesso à universidade no governo dele. É uma vergonha que Unicamp, USP e Unesp estejam tão atrasadas. Talvez, na educação, esteja a maior contradição entre os rumos do Brasil e os de São Paulo, que é o estado mais rico e comandado há 20 anos pelo PSDB. O Alckmin atrapalha o avanço do Estado.

SPressoSP – Os movimentos negros estão tentando colher 200 mil assinaturas para que um projeto de iniciativa popular seja inserido na pauta da Alesp…

João Paulo Rillo – O PT apoia a iniciativa. Nós participamos de muitas reuniões com os movimentos e a iniciativa é maravilhosa, tem que haver uma pressão de fora para dentro para que algo seja pautado na Alesp. Nós não podemos dizer que apoiamos totalmente o projeto porque pode haver alguma divergência aqui e outra ali. Inclusive, a bancada do PT vai entrar, já na próxima semana, na ajuda de coleta de assinaturas.

SPressoSP – Recentemente, familiares de internos denunciaram a tortura de internas da Fundação  Casa na Vila Maria. É frequente que a rede de familiares e os próprios internos denunciem a violência contra os adolescentes. O estado não precisa intervir lá? O senhor já visitou alguma unidade?

João Paulo Rillo – Já visitei. Não são todos os servidores que se utilizam da prática de tortura com esses adolescentes, e são justamente esses que representam a lógica do governo Alckmin, de amparo das práticas da ditadura. Uma coisa são as pautas dos servidores, que devem ser apoiadas, a pauta salarial, de fortalecimento de carreira e segurança no trabalho. Agora, temos que entender por que alguns servidores torturam. Eles torturam porque a política de segurança pública do Geraldo Alckmin é essa, é de tortura. As unidades da Fundação Casa estão repletas de jovens negros e de periferia, que são o alvo preferencial da polícia do Alckmin.  Estamos hoje, dia 2 de abril, há 50 anos do golpe militar e o estado de São Paulo continua reproduzindo a mesma lógica com aqueles que estão na margem, não mais com os militantes políticos.

SPressoSP – Recentemente, uma pesquisa mostrou que a polícia mata seis vezes mais negros do que brancos. A mesma pesquisa indica que 80% dos policiais que matam negros são brancos. Perguntado sobre se a polícia é racista, o Alckmin respondeu que ela é “preparada. O senhor acha que a polícia é racista? 

João Paulo Rillo – Eu acho que o governo Alckmin é racista e o aparelho estatal recebe a mesma lógica. Quem dita a linha política e a linha de atuação da polícia é o Alckmin. O governo Alckmin é racista com viés fascista. Um governador que acha normal que tenhamos quase 90% da população carcerária formada por negros e pobres, ele tem um pensamento fascista, ele desconsidera a história brasileira e assume que não tem política para isso. Qual a política do governo do Alckmin para os internos da Fundação Casa? A punição, pura e simplesmente? É por isso que a polícia de São Paulo tem esses índices tão tristes.

SPressoSP – O senhor é a favor da desmilitarização?

João Paulo Rillo – Muito. Precisamos discutir como seria esse novo modelo, mas eu sei o que não quero, é essa polícia corporativa, truculenta, omissa e cruel. Quer um exemplo? O PSDB esvazia as sessões da Comissão de Direitos Humanos que pretendem discutir a polícia, eles não aprovam convocação de policiais para depor nas comissões. O PSDB está desesperado, crise na segurança, com os servidores públicos, na segurança pública.

SPressoSP – Quais serão as maiores dificuldades do seu mandato na liderança do PT neste ano eleitoral? 

João Paulo Rillo – O desafio será descontruir, não esse governo, porque ele nunca foi construído, mas sim a farsa de que o Alckmin é eficiente e bom gestor. Como fazer isso? Conversando com o povo. É um esforço descomunal para colocar o Estado do paulista, discutir o abastecimento, o transporte e a segurança com os paulistas. Os pedágios e seus altos custos, as casas agrícolas desassistidas. E temos, sim, que comparar o que foi feito pelo governo federal e pelo governo paulista nos últimos 12 anos. A Polícia Federal, com todas as suas imperfeições, ela melhorou ou não sua atuação? O servidor público federal é mais satisfeito. O Prouni incluiu ou não? Aí pegamos os mesmos temas e vemos tudo que o Alckmin deixou de fazer. Temos que ser como o centroavante oportunista, ir em todas as bolas, temos que, agora, aprofundar o tema da Fundação Casa e dar vazão a isso. Nessa eleição é certo que haverá segundo turno e o [Alexandre] Padilha vai ganhar.

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