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Negros: o alvo preferido da PM de SP

Socióloga realizou pesquisa que revela que a PM de São Paulo mata três vezes mais negros do que brancos

Por Ivan Longo 

Uma pesquisa realizada pelo Grupo de Estudos sobre Violência e Administração de Conflitos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) revelou dados inéditos a respeito da desigualdade racial na taxa de letalidade da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Os resultados são preocupantes: no ano de 2011, por exemplo, a PM matou quase três vezes mais negros do que brancos.

Coordenada pela professora Jacqueline Sinhoretto, do Departamento de Sociologia da UFSCar, a pesquisa levantou dados de 734 processos da Ouvidoria da PM entre os anos de 2009 e 2011. O estudo contou também com entrevistas com oficiais e praças da polícia. “Trata-se do primeiro levantamento nesse sentido. Nenhum dos dados criminais do Estado de SP tem estatísticas que sejam monitoradas pela cor da pele”, revelou a pesquisadora.

O estudo levou em consideração que a maior parte da população do Estado de São Paulo é branca. São mais de 26 milhões de brancos e uma média de 14 milhões de negros. Apesar de ter a população menor, em 2011, para cada 100 mil habitantes foi morto 1,4 negro pela PM, ao passo que para cada 100 mil habitantes brancos foi morto 0,5.

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Na visão geral  2009 e 2011, a Polícia Militar assassinou 823 pessoas. Desse total, negros correspondem a 61%. A maior parte das vítimas era do sexo masculino e tinha entre 20 e 24 anos.

Para a coordenadora da pesquisa, a desigualdade racial é um problema crônico da sociedade brasileira, mas essa reprodução no modus operandi da polícia é algo do nosso tempo. “Estamos diante de um aprofundamento da desigualdade racial, que coloca a população jovem e negra num risco muito maior. Essas pessoas, ao invés de estarem sendo protegidas, são vítimas de um modo de operar que viola o direito mais fundamental, que é a vida. O número de jovens mortos negros é algo que está sendo produzido aqui e agora”, destacou Jaqueline.

Quem morre é negro, quem mata é branco 

Outro dado curioso que revelou o estudo é em relação aos autores das mortes. Dos policiais responsáveis pelos assassinatos analisados, 79% deles são brancos e mais velhos que as vítimas, a maioria com idade entre 30 e 34 anos.

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Jacqueline acredita que essa reprodução de desigualdade racial na Polícia Militar se deva, em parte, à impunidade em relação aos casos em que os agentes causam mortes. Isso porque a pesquisa mostrou que, de todos os casos analisados, 94% deles foram concluídos sem o indiciamento dos policiais que foram autores das mortes.

Para a pesquisadora, os números revelam um problema muito mais institucional do que individual, isto é, preconceito por parte dos agentes em si. “Não se trata de uma preferência pessoal, está entranhado no próprio modus operandi da segurança pública. O foco no combate militarizado leva a um tipo de ação que tem como efeito maior a morte de jovens negros. A polícia enxerga no jovem negro o perfil do criminoso. É uma preferência institucional”, apontou.

A pesquisa completa será apresentada oficialmente no dia 2 abril no auditório da Defensoria Pública do Estado de São Paulo. Entre outros dados revelados, estão os relacionados às prisões. Em 2012, a taxa de negros presos a cada 100 mil habitantes fica em 35, contra 14 dos brancos.

A coordenadora do estudo ressaltou que a pesquisa é importante para a que sociedade e os órgãos que regem a segurança pública possam monitorar essa situação e, assim, rever o papel e a atuação da instituição policial. “O ideal é repetir a pesquisa daqui a algum tempo. Esse tipo de informação nos trás a possibilidade de monitorar isso ao logo do tempo. Temos que refletir essa condição de desigualdade racial e de letalidade e a polícia tem que rever o seu papel, bem como criar políticas de combate a esse tipo de distinção”.

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