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Prefeitura de SP amplia oferta de parto humanizado

Em meio a campanhas contra a violência obstétrica, administração anuncia criação de seis casas de parto

Da Redação 

A secretária Municipal de Políticas para as Mulheres, Denise Motta Dau. (Foto: reprodução/Facebook)
Denise Motta Dau: atendimento estendido às maternidades da rede pública (foto: Reprodução/Facebook)

Na última quinta-feira (13), a secretária municipal de Políticas para Mulheres de São Paulo, Denise Motta Dau, anunciou a criação de seis casas de parto, além da reativação do serviço Aborto Legal, por meio do qual as mulheres poderão se informar sobre os direitos que envolvem o tema.

A ideia, com a criação das casas de parto, é a de incentivar a prática do parto humanizado. Entende-se por parto humanizado uma alternativa aos procedimentos que normalmente são utilizados em hospitais e maternidades, onde há, em muitos casos, a violação de alguns direitos básicos da gestante, quando são submetidas a procedimentos traumáticos sem necessidade. O parto humanizado visa colocar a mulher em situação de protagonismo quanto ao procedimento, respeitando suas necessidades físicas, psicológicas e emocionais, sem se utilizar da mecanização e do padrão hospitalar para conceber um nascimento, que varia em seu processo de acordo com cada mulher.

Atualmente, a cidade conta com apenas uma casa de parto, localizada no bairro de Sapopemba, na zona leste. A secretária afirmou que, além da criação das novas casas de parto, o oferecimento do parto humanizado também será ampliado nas maternidades da rede pública.

O anúncio do investimento nas casas de parto foi acompanhado pela vereadora Juliana Cardoso (PT), que contou sobre sua experiência de parto humanizado no Hospital Municipal da Vila Nova Cachoeirinha, um dos poucos que oferece serviço na rede pública. “O atendimento lá tem uma qualidade excelente. Me senti completamente acolhida. É um processo de muita luta para garantir o direito ao parto humanizado na cidade de São Paulo. A gente tem o que comemorar, mas ainda falta muito”, disse a vereadora, que é a autora da Lei 15.945, que cria o Programa Centro de Parto Normal – Casa de Parto, com o intuito de estabelecer diretrizes para a prática do parto humanizado.

Violência Obstétrica 

A criação das novas casas e o incentivo ao parto humanizado vêm como uma resposta aos inúmeros casos de violência obstétrica em hospitais e maternidades de São Paulo denunciados ao Ministério Público. O órgão, no último dia 10, abriu um inquérito civil público para apurar as denúncias.

Entende-se por violência obstétrica um tipo de agressão praticada por profissionais de saúde contra as parturientes – nome dado às gestantes que estão em trabalho de parto –, que pode ser física ou emocional. Caracteriza-se, basicamente, pela apropriação do corpo e processos reprodutivos das mulheres por meio de tratamento desumanizado, abuso de medicalização e patologização dos processos naturais, causando a perda da autonomia e capacidade de decidir livremente sobre seus corpos na sexualidade, impactando negativamente na qualidade de vida das mulheres.

Como muitas mulheres acabam sendo vítimas de violência obstétrica mas não sabem, por não saberem do que se trata e desconhecerem os seus direitos enquanto gestante, o Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria Pública do Estado de São Paulo realiza, neste mês da mulher, atividades de orientação jurídica à população, bem como de educação em direitos para debater o assunto.

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