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SP: ato contra a copa tem confronto e cerco da PM a manifestantes

Quando protesto se encaminhava para o final, manifestantes e policiais militares entraram em confronto; ativistas contam que foram encurralados pela PM

Por Anna Beatriz Anjos

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Manifestação ocorreu de forma pacífica quase até o fim, quando PMs e manifestantes entraram em confronto (Foto: Anna Beatriz Anjos)

Na tarde deste sábado (22), no centro de São Paulo, ocorreu o segundo ato contra a realização da Copa do Mundo de 2014. O protesto terminou em confronto entre manifestantes e policiais militares. Segundo a PM, pelo menos 230 pessoas foram detidas. Dessas, cinco são jornalistas – 3 repórteres e 2 fotógrafos.

O Centro de Operações da Polícia Militar (COPOM) informou que, entre os detidos, dois precisaram de atendimento médico. Ambos foram socorridos ao Hospital das Clínicas e, depois, serão encaminhados junto aos demais ao 3o e 78o DPs (Campos Elísios e Jardins, respectivamente). Entre os policiais, há registro de cinco feridos.

O ato seguia tranquilo quando, na Rua Xavier de Toledo, próximo à estação Anhangabaú do metrô, um tumulto se iniciou. De acordo com um manifestante que não quis se identificar, os PMs que acompanhavam o protesto afunilaram os cordões de isolamento laterais e encurralaram as pessoas.

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Na Rua Xavier de Toledo, policiais militares realizaram cerco aos manifestantes. Jornalistas não podiam se aproximar (Foto: Mídia NINJA)

Outro manifestante, do grupo Black Bloc, também presenciou o início da confusão. “Daqui a pouco, eu escutei lá de trás ‘nossa, começou a bagunça, começou a bagunça’. Foi quando o pessoal do bloco soltou as faixas e saiu correndo”, relatou o ativista.

Neste momento, os policiais formaram um cerco aos manifestantes. Jornalistas foram proibidos de continuar por perto. “Eles não deixaram ninguém ficar, inclusive nós”, relata Igor Leone, do coletivo Advogados Ativistas, que presta assistência jurídica a indivíduos detidos de forma ilegal durante os protestos.

O isolamento só acabou quando os manifestantes foram colocados dentro de ônibus da polícia para serem levados à delegacia. Eles devem ser autuados por “promover a desordem”, segundo a própria PM. 

“A orientação é para que este ato seja pacífico”

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Policiais militares concentrados na Praça da República, centro de São Paulo, antes do ato começar (Foto: Anna Beatriz Anjos)

Por volta das 16h, os manifestantes iniciaram a concentração na Praça da República. Eles somavam aproximadamente 400, e o efetivo policial, àquela altura, era de mil homens, segundo o sargento Larry Saraiva, da PM. De fato, a impressão era de que os agentes estavam em número muito superior aos ativistas. “A PM está aqui com um volume de policiais que nunca vi antes”, comentou Alexandre Morgado, integrante do Grupo de Apoio o Protesto Popular (GAPP), coletivo que acompanha as manifestações e presta primeiros socorros a feridos. “A orientação é para que este ato seja pacífico e contra ações individualistas. Não queremos que uma pessoa se adiante e faça algo que possa por em risco toda a manifestação. Essa orientação foi passada de forma clara e está sendo colocada no boca a boca para todos”, declarou Morgado, ainda durante a concentração.

Às 17h30, o ato saiu pelas ruas. A intenção, segundo os coletivos que o convocaram, era terminá-lo no mesmo local em que começou. O plano quase se cumpriu. Durante mais de uma hora, os cerca de mil manifestantes, conforme estimativa da PM, andaram, cantaram, sustentaram faixas e cartazes. Próximo ao ponto final, entretanto, a confusão começou. Alguns manifestantes tentaram retornar à Praça da República e remontar o ato, mas muitos já haviam se dispersado por conta das bombas de gás lacrimogênio lançadas pelos policiais. Apesar do baixo número de pessoas na praça, a Tropa de Choque foi acionada e continuou atirando bombas.

O ato foi convocado por uma série de coletivos articulados que se colocam contra a realização do mundial de futebol da FIFA, em junho. Sua principal reivindicação é que o governo priorize direitos básicos da população em detrimento da copa. A pauta de hoje era “se não tiver educação, não vai ter copa”. O primeiro protesto chamado em prol dessa bandeira ocorreu no dia 25 de janeiro. Na ocasião, também houve confronto entre manifestantes e PMs.

 

*Foto de capa: Giulia Afiune/Agência Pública de Jornalismo Investigativo

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