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João Paulo, a trajetória de outro líder petista preso por JB

Deputado federal por cinco mandatos, parlamentar presidiu a Câmara Federal entre 2003 e 2005

Por Redação

Cunha: julgamento espetacularizado (foto: Wikimedia Commons)

Cunha: julgamento espetacularizado (foto: Wikimedia Commons)
Cunha: julgamento espetacularizado (foto: Wikimedia Commons)

O deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) apresentou-se na tarde desta terça-feira (4) no Complexo Penitenciário da Papuda, perto de Brasília, para cumprir a pena imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Ação Penal 470, chamada de processo do mensalão. O mandado de prisão foi expedido pelo presidente da Corte, Joaquim Barbosa – que foi relator do processo – também nesta terça-feira.

A pena imputada ao deputado é de 9 anos e 4 meses por peculato, lavagem de dinheiro e corrupção ativa em regime fechado. Como a condenação por lavagem de dinheiro será analisada em recurso – tecnicamente, embargo infringente -, ele deve cumprir inicialmente 6 anos e 4 meses em regime semiaberto.

A família do paulista de Caraguatatuba João Paulo Cunha mudou-se para Osasco quando ele tinha seis anos de idade. Lá, ele iniciou sua militância política, tendo participado do grupo de jovens da Pastoral da Juventude e atuado nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) da Igreja Católica; integrou o Centro de Defesa dos Direitos Humanos no fim da década de 70. Trabalhador metalúrgico da Braseixos, colaborou na criação da Oposição Sindical Metalúrgica em Osasco e Região.

Foi um dos fundadores do PT em Osasco e, em 1982, aos 24 anos, foi eleito vereador. Seu mandato foi marcado pela intensidade de fiscalização dos atos do Executivo e pela atuação junto aos movimentos populares, principalmente na luta por moradia. No âmbito da organização partidária, em 1989 foi um dos formuladores da primeira Secretaria Nacional de Assuntos Institucionais (Snai) do partido, criada para dar assessoria aos prefeitos e parlamentares petistas.

Eleito deputado estadual em 1990, tornou-se líder do partido no primeiro ano do mandato na Assembleia Legislativa, onde se destacou na fiscalização do governo estadual, tendo encaminhado à Justiça diversas denúncias de mau uso de verbas públicas. Foi eleito para a Câmara dos Deputados em 1994, onde defendeu uma reforma política para democratizar e aprimorar o sistema partidário e eleitoral. Entre 1995 e 1997, presidiu o Diretório Estadual do PT em São Paulo. Disputou a prefeitura de Osasco em 1996. Reelegeu-se deputado federal em 1998, 2002 e 2006. Em 2000, como membro do Diretório Nacional do partido, coordenou o Grupo de Trabalho Eleitoral Nacional, que dava suporte aos candidatos a prefeito do partido.

Em seu terceiro mandato na Câmara, eleito com quase duzentos mil votos em boa parte das cidades do Estado de São Paulo, foi o primeiro operário a presidir a Casa, com 434 votos. Esteve no comando do Legislativo federal entre os anos de 2003 e 2005. Antes, em 2002, ocupou a liderança do PT na Casa. Em sua quarta eleição para a Câmara, em 2006, foi o mais votado do PT no Estado e o segundo no país, fato que se repetiu no pleito de 2010. Presidiu a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa em 2011, em seu quinto mandato de deputado federal.

A condenação pelo STF na AP 470 ocorreu no segundo semestre de 2012. Além de Cunha, os outros petistas condenados e já cumprindo a pena são o ex-chefe da Casa Civil no governo Lula José Dirceu; o ex-presidente nacional do partido José Genoino, e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. Para o deputado, “foi o julgamento mais espetacularizado da história do Brasil. Também foi o mais usado, política e eleitoralmente, pelos setores conservadores, amplamente amparados pelos grandes conglomerados da mídia nacional”.

Recentemente, Cunha lançou a publicação “A Verdade, Nada Mais Que a Verdade”, na qual aponta “as respostas aos principais questionamentos jurídicos e comprova fatos com a publicação de várias provas que estão nos autos do processo, confirmando o equívoco da sentença condenatória”.

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