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Propinoduto tucano tem os 12 primeiros denunciados

Entre os acusados pelo Ministério Público Federal estão ex-executivos da EPTE, por receberem propina da Alstom em contrato com a empresa entre 1998 e 2003

Por Redação

Matarazzo será investigado em inquérito à parte (foto: Wikimedia Commons)
Matarazzo será investigado em inquérito à parte (foto: Wikimedia Commons)

Doze pessoas investigadas no inquérito sobre o esquema de corrupção no sistema metroferroviário de São Paulo foram denunciadas pelo Ministério Público Federal na última sexta-feira (31). O caso refere-se a aditivos a um contrato da multinacional francesa Alstom com a Empresa Paulista de Transmissão de Energia (EPTE) em 1998 e os subornos foram pagos a agentes públicos entre 1998 e 2003, nas gestões dos tucanos Mario Covas e Geraldo Alckmin no governo do Estado. Dois ex-diretores de estatais paulistas estão entre os acusados.

O então secretário de Energia à época, o atual vereador na capital paulista Andréa Matarazzo (PSDB), será investigado em um inquérito à parte, junto com o ex-presidente da Eletropaulo Eduardo José Bernini e executivos franceses da Alstom, mencionou a Procuradoria da República. Nesta denúncia, entre os acusados estão o ex-presidente da EPTE José Sidnei Colombo Martini e Celso Sebastião Cerchiari, diretor de operações da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista, empresa privada que incorporou a EPTE em 2001. Eles já tinham sido investigados pela Polícia Federal, mas não foram indiciados.

Para os procuradores Rodrigo de Grandis e Andrey Borges de Mendonça, Cerchiari e Martini, “no período entre 1998 e 2002, solicitaram e receberam para si, direta e indiretamente, em razão da função exercida em empresa pública, EPTE e Eletropaulo, vantagem indevida, consistente em, no mínimo, R$ 1.107.196 à época dos fatos, o que corresponderia atualmente a R$ 4.037.267,32”. E concluem: “Em razão da vantagem indevida, praticaram ato de ofício relacionado à realização de contratação direta, sem licitação, (…), infringindo dever funcional”.

A Procuradoria da República disse que as propinas foram pagas quando da assinatura do décimo aditivo do contrato Gisel (Grupo Industrial para o Sistema da Eletropaulo), assinado pela EPTE com a Alstom e outras três empresas por R$ 181,3 milhões, em valores atualizados.

A denúncia do MP levou em consideração depoimento prestado pelo ex-diretor administrativo da EPTE Gerson Kozma, à Polícia Federal. Ele disse ter ouvido nos corredores da empresa que a Alstom paga propina ao presidente da empresa, aos diretores técnico, administrativo e a funcionários da área técnica. Martini era o presidente e Cerchiari, diretor técnico da EPTE na época. Os demais dez denunciados pelo MP são ex-funcionários da Alstom e lobistas.

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