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Contra a morte do jovem Kaique e pela criminalização da homofobia, manifestantes realizam ato no centro de São Paulo

O protesto contou com a participação de amigos e familiares do adolescente, além de ativistas da causa LGBT

Por Ivan Longo

Cartaz de manifestante com os dizeres "Desde 64, quem é torturado e assassinado foi suicidado". (Foto: Ivan Longo)
Cartaz de manifestante com os dizeres “Desde 64, quem é torturado e assassinado foi suicidado”. (Foto: Ivan Longo)

Cerca de 500 pessoas participaram ontem de um protesto organizado pelas redes sociais contra a homofobia e a transfobia. A manifestação, motivada após a morte do adolescente Kaique Augusto Batista dos Santos, de 17 anos, também pedia esclarecimentos sobre sua morte.

O corpo do jovem, que era negro e homossexual, foi encontrado no último sábado no Viaduto 9 de Julho, na região da Bela Vista, com evidentes sinais de tortura e espancamento. A suspeita é que a morte do adolescente tenha sido motivada por homofobia. A polícia, no entanto, registrou a morte do garoto como suicídio.

Na tarde desta sexta feira, a mãe do garoto recebeu uma ligação de uma suposta testemunha do homicídio. A pessoa teria contado que viu Kaíque ser agredido e depois ser jogado do viaduto. A informação foi concedida pelo advogado da família, Ademar Gomes, ao Blog LGBT. Ainda segundo o advogado, ele tentará rastrear a ligação para que a pessoa seja identificada e preste depoimento na delegacia.

Kaique estava em uma casa noturna com os amigos e saiu para procurar os documentos que estavam perdidos e não voltou mais.

O ato desta sexta-feira começou no Largo do Arouche, no centro da capital, e contou com a presença de amigos e familiares, além de uma série de pessoas envolvidas com a causa LGBT. Sob os gritos de “Ei, PM. Não foi suicido!”, eles pediam pelo esclarecimento da morte de Kaique e pela criminalização da homofobia e da transfobia. Lideranças de movimentos LGBT que estavam no ato dizem que, somente em 2012, 50 LGBT’s foram assassinados em São Paulo e 80 travestis e transexuais foram mortas somente no ano passado.

Manifestantes reunidos no Largo do Arouche. (Foto: Ivan Longo)

Apesar dos crescentes assassinatos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, o Brasil não conta ainda com nenhum tipo de lei que proteja e garanta os direitos desta parcela da população. De acordo com Fernando Quaresma, presidente da APOGLBT (Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo), que estava presente no ato de ontem, a legislação brasileira é completamente incoerente uma vez que tenha leis criminalizem o racismo ou a violência contra  a mulher e não tem nenhuma lei que garanta a proteção e os direitos dos LGBT’s. Há anos, de acordo com Quaresma, que o movimento luta para a aprovação da PL 122 (lei que garante os direitos de igualdades dos homossexuais, transexuais e travestis), mas o projeto foi arquivado no final do ano passado. Para o presidente da associação, ainda há muitos aspectos em nossa sociedade que contribuem para a disseminação do pensamento homofóbico e que o principal deles é o discurso das igrejas católicas e evangélicas que, apesar de conservadores, permanecem muito influentes nas escolas, no trabalho e nas demais instituições.

Esteve presente também no ato a cartunista Laerte. Quando chegou no Largo do Arouche, foi muito aplaudida pelas pessoas que lá estavam. Laerte discursou e disse que o que eles estavam pedindo ali e há anos não eram privilégios, mas apenas direitos e liberdade.

Cartunista Laerte também esteve presente na manifestação. (Foto: Ivan Longo)
Cartunista Laerte também esteve presente na manifestação. (Foto: Ivan Longo)

Após o momento de concentração e discursos, os manifestantes seguiram em marcha do Largo do Arouche até o Viaduto 9 de Julho, local em que o jovem Kaique foi encontrado morto pela polícia. A manifestação bloqueou uma série de ruas do centro mas, acompanhada pela polícia, aconteceu de forma pacífica e sem nenhum tipo de incidente.

Os manifestantes seguiram em marcha para o viaduto 9 de Julho (Foto: Ivan Longo)
Os manifestantes seguiram em marcha para o viaduto 9 de Julho (Foto: Ivan Longo)

Já no Viaduto 9 de Julho, os manifestantes fizeram uma vigília em homenagem ao jovem e entoaram mais palavras de ordem. Sob os gritos de “Kaique, eu vou lutar. A sua morte o Estado vai pagar!” o protesto seguiu novamente em marcha em direção ao prédio da prefeitura da cidade. Após breve concentração no local, a manifestação seguiu para a frente da sede da Secretaria Municipal de Cidadania e Direitos Humanos, onde existe uma Coordenação de Políticas para a Diversidade Sexual.

Mais lideranças dos movimentos que lutam pelos direitos do LGBT’s  e amigos do jovem Kaique discursaram e prometeram não parar a luta enquanto o poder público não agir em relação ao problema da homofobia. Os manifestantes, temendo ainda mais represálias, pediram para que todos fossem embora em grupo e convocaram a todos para prestar apoio às manifestações contra o preconceito dos “rolezinhos”.

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