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“Folha” e “Estadão” pediram ordem: Geraldo Alckmin atendeu

Por Rodrigo Vianna

“Folha” e “Estadão” são velhos defensores da ordem. Em 64, defenderam uma “ordem” curiosa: em nome da Democracia, era preciso atentar contra a Democracia. A gloriosa imprensa nacional implorou pelo golpe. E foi atendida. Nos anos seguintes, jornalistas foram presos, torturados. Na época, a maioria dos jornalistas tinha noção exata de que o interesse do patrão não era o interesse do jornalista. Os dois não se confundiam.

Os anos 90 transformaram os jornalistas em “novos-ricos”, apesar de quase sempre mal pagos. O novo-riquismo se expressava em um jeito “moderno” de se vestir, que eu vi de perto na Redação da Barão de Limeira: chefes com calça pula brejo, gravatas coloridas, um jeito espalhafatoso que alguns chamavam de “yuppie”. Muitos, mesmo sem ser chefes, embarcaram no modismo. Vestiram roupa dos chefes, passaram a pensar como os patrões. Jovens recem-saídos da faculdade chegavam às redações achando que eram sócios da “liberdade de imprensa” dos patrões.

Muitos jornalistas defendem as idéias do patrão porque se confundem com o jornal ou a revista (ou a TV, ou a rádio, ou o Portal da internet) em que trabalham. Claro que há exceções, há lucidez aqui e ali. E há aqueles que, simplesmente, lutam para sobreviver em redações cada vez mais insanas.

“Folha” e “Estadão”, nas últimas semanas, forneceram um ensinamento importante. A opinião do dono do jornal não se confunde com o interesse do jornalista. Representantes do pensamento (?!) oligárquico, os dois ex-jornalões paulistanos passaram os últimos dias a implorar ao governador bandeirante: “bote ordem no coreto”, “prenda e arrebente”.

Alckmin gostou das sugestões. Seguiu a recomendação dos ex-jornalões. E os jornalistas sentiram na pele, nos olhos e – espero – no coração que o interesse do patrão não se confunde com o interesse de quem escreve, apura, reporta. O pau comeu na Paulista. Jornalistas conheceram o tratamento de choque que tantos, na classe média, preconizam como solução contra a violência.Foi o Pinheirinho na Paulista – leia mais aqui.

Ah, mas que coisa antiga chamar o empregador de “patrão”. Somos todos “colaboradores”, certo? Hum, pergunte aos jornalistas que levaram bala no olho, aos jornalistas que sentiram o gás invadir olhos e pulmões, o que eles acham da opinião de seus doutos chefes e diretores!

“Folha” e “Estadão” são sócios desse Pinheirinho da Paulista, promovido pelo governador bandeirante para reprimir quem protestava contra os aumentos nas tarifas de ônibus. A ordem está mantida. Parabéns à “Folha” e ao “Estadão”. A liberdade de imprensa venceu!

Lino Bocchini, em seu blog na CartaCapital, foi quem lembrou dos textos publicos pelos dois ex-jornalões:

“Chegou a hora do basta”, O Estado de S. Paulo:

“A PM agiu com moderação, ao contrário do que disseram os manifestantes, que a acusaram de truculência para justificar os seus atos de vandalismo (…) A atitude excessivamente moderada do governador já cansava a população. Não importa se ele estava convencido de que a moderação era a atitude mais adequada, ou se, por cálculo político, evitou parecer truculento. O fato é que a população quer o fim da baderna – e isso depende do rigor das autoridades (…) De Paris, onde se encontra para defender a candidatura de São Paulo à sede da Exposição Universal de 2020, o governador disse que “é intolerável a ação de baderneiros e vândalos. Isso extrapola o direito de expressão. É absoluta violência, inaceitável”. Espera-se que ele passe dessas palavras aos atos e determine que a PM aja com o máximo rigor para conter a fúria dos manifestantes, antes que ela tome conta da cidade.”

“Retomar a Paulista”, Folha de S. Paulo:

“É hora de pôr um ponto final nisso. Prefeitura e Polícia Militar precisam fazer valer as restrições já existentes para protestos na avenida Paulista (…) No que toca ao vandalismo, só há um meio de combatê-lo: a força da lei”.

Rodrigo Vianna é jornalista, pretende voltar a ser historiador em breve, e mantém o blog “Escrevinhador”

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