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Grupo do “Bolsa Família começa na sexta” tem padrão muito estranho

Por Renato Rovai 

O que mais tem intrigado no caso da apuração do monitoramento realizado pela Interagentes acerca do termo bolsa família é que a rede que se relacionava com o perfil líder que na quarta emitiu mensagem curta e enigmática com o conteúdo “bolsa família começa sexta” é que ela não tinha por objetivo a ativação da Internet.

Tanto o perfil líder como os satélites praticamente se relacionavam apenas entre eles. E mais do que isso, boa parte dos perfis satélites foi criada durante aqueles dias da crise que atingiu as agências da Caixa Econômica Federal. Seis deles foram criados na sexta-feira, um dia antes da grande corrida às agências e postos de pagamentos do Bolsa Família.

Para que o leitor tenha ideia do que ocorreu nesta rede do ponto de vista técnico, vamos passar a lista da criação dos perfis satélites.

1 foi criado em 14 de março

1 em 15 de março

2 em 16 de março (a diferença de criação entre um e outro foi de aproximadamente 15 minutos)

6 foram criados em 17 de maio

3 em 19 de maio

1 em 21 de maio

Além desses, o perfil líder foi recriado no dia 24 de maio. E atualmente quatro novos perfis se agregaram a rede. No momento, o perfil líder deste grupo tem mantido relação com apenas 8 desses perfis. E não mais com os 14. Esses perfis não têm nenhuma penetração na rede. Parecem ser usados para comunicação interna. E desde o dia 25 de maio estão inativos.

Uma das mensagens do perfil recriado é igualmente enigmática: vou precisar muito da ajuda de vocês. Ao postar essa mensagem, a rede do perfil líder era formada apenas pelos perfis satélites. Ou seja, só perfis aparentemente fakes o seguiam.

Ao que tudo indica a articulação para a propagação para o boato pode ter sido feita pela internet, mas o boato foi difundido a partir das ruas. Os dados da Interagentes que foram publicados no post anterior não dão margem à duvida em relação a isso. A maior atividade relacionada ao termo Bolsa Família aconteceu quando já havia tumulto nas ruas. Antes disso, os números de tweets e post sobre o assunto mantinham-se dentro de um padrão que pode ser considerado normal.

Para o sociólogo Sergio Amadeu, professor da UFABC, a reação diferenciada ao caso em alguns estados e municípios mostra claramente que isso foi fruto de boato e não de erro da CEF. Em São Paulo, por exemplo, que tem muitos beneficiários do programa e acesso maior até à Internet a história não se propagou na mesma dimensão e não houve tumulto.

“Outra coisa que dá para afirmar é que também há um padrão de articulação offline. Porque se o boato também tivesse sido impulsionado pela rede sua repercussão seria mais homogênea”, afirma Amadeu.

Renato Rovai é presidente da Associação Brasileira de Pequenas Empresas e Empreendedores Individuais de Comunicação (Altercom), editor da Revista Fórum e professor da Faculdade Cásper Líbero.

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