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Rubens Paiva exige desculpas por declarações de secretário de Alckmin

Ricardo Salles afirmou que “não vamos ver generais e coronéis acima dos 80 anos presos por crimes de 64, se é que esses crimes ocorreram”

Da Redação

Ricardo Salles questionou a existência dos crimes cometidos pela ditadura militar (Foto:Valter Campanato/ABr)

O escritor Marcelo Rubens Paiva, que teve seu pai assassinado durante a ditadura militar, cobrou um pedido de desculpas de Geraldo Alckmin pelas declarações do advogado Ricardo Salles, novo secretário pessoal do governador.

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Salles tem como principal função articular os encontros e a agenda pública do governador. O novo secretário do governador de São Paulo ganhou notoriedade, em 2010, por apresentar-se como o líder do movimento “Endireita Brasil”. Ele se autodenomina como representante da direita liberal brasileira.

Entre outras declarações, Salles já manifestou sua posição contrária ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, afirmou que o MST (Movimento dos Sem Terra) é um grupo criminoso e acusou o governo do ex-presidente Lula de revanchismo contra militares, após, segundo Salles, o mesmo “levar terroristas ao poder”. Rubens Paiva cita em seu texto uma destas declarações polêmicas de Salles, onde o mesmo afirma que “não vamos ver generais e coronéis acima dos 80 anos presos por crimes de 64, se é que esses crimes ocorreram”.

Segundo o analista Glauco Cortez, também citado por Rubens Paiva no texto, a nomeação de Salles instala no Palácio dos Bandeirantes um movimento que “exala obscurantismo”.

Veja a íntegra do texto publicado por Marcelo Rubens Paiva em seu blog.

Exige-se uma retratação

Nesta semana, na cerimônia de entrega de parte dos arquivos do DOPS-SP digitalizados, o governador do Estado, Geraldo Alckmin, apareceu com o novo secretário particular, o advogado Ricardo Salles, um provocador que já disse coisas como “felizmente tivemos uma ditadura de direita no Brasil”.

Salles já concorreu duas vezes, a deputado federal e estadual, pelo PFL e depois pelo DEM, mas não conseguiu se eleger.

Meus colegas do ESTADÃO, Júlia Duailibi e Bruno Lupion lembraram ontem no jornal: Salles é fundador do radical Instituto Endireita Brasil, que, na rede social, entre outras pérolas, como criticar o casamento gay e a Comissão da Verdade, já publicou que Dilma é uma terrorista.

Comentou o analista Glauco Cortez: “Salles cuidará de toda a agenda do governador do estado mais rico do País. Aparentemente uma função burocrática, mas o fato é que, com essa nomeação, o político tucano instala, dentro do Palácio dos Bandeirantes, um movimento que exala obscurantismo.”

Mas a declaração mais chocando de Salles embrulha o estômago de muitas famílias vítimas da Ditadura, como a minha.

Segundo o assessor do governador de SP, “não vamos ver generais e coronéis acima dos 80 anos presos por crimes de 64, se é que esses crimes ocorreram.”

Sim, esses crimes ocorreram.

Nem precisamos citar a extensa biografia à respeito, nem os testemunhos colhidos há décadas, no projeto TORTURA NUNCA MAIS, da Igreja. Nem depoimentos de gente do partido do governador, como FHC e José Serra, cassados e exilados pela ditadura, ou de gente da liderança e base tucana que foi torturada.

Sou testemunha viva. Eu e minhas irmãs. Vimos nossa casa no Rio de Janeiro ser invadida por militares armados com metralhadoras em 20 de janeiro de 1971.

Vimos meu pai, minha mãe e irmã Eliana serem levados.

Minha mãe ficou 13 dias presas no DOI/Codi, sem que o Exército reconheça ou tenha feito qualquer acusação.

Meu pai entrou no quartel do Exército e não saiu vivo de lá. Também não sabemos o motivo da prisão, a acusação. Não entendemos as negativas posteriores de que estivesse preso.

Abaixo, documentos que provam que, sim, crimes ocorreram.

Em nome da decência, exigimos uma retratação do secretário e um pedido de desculpa do Governo do Estado.

Que está onde está graças aos que lutaram, foram torturados ou deram a vida pela redemocratização do País.

Brasileiros que merecem mais respeito.

(Com informações do Brasil 247)

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