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HQ Desterro debate a periferia em nova linguagem

Ferréz e Alexandre De Maio ressaltam que obra é um protesto contra “guerra que não é nossa”

Por Igor Carvalho

Laerte esteve no lançamento de “Desterro”, com Alexandre De Maio (Foto: Igor Carvalho)

“Desterro”, com suas 172 páginas, finalmente chegou às bancas, revistarias e livrarias. Depois de quatro anos, Alexandre De Maio e Ferréz lançaram a HQ que consideram “um marco na literatura marginal brasileira”. Se será, o tempo dirá, mas no lançamento uma constatação: pensar a periferia, em São Paulo, é sempre urgente.

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“O ‘Desterro’ veio para desestigmatizar a imagem do criminoso na periferia, esse cara que todo mundo quer eliminar, matar e banir da sociedade. Mostramos um pouco a origem disso tudo, o que fez ele se tornar um bandido, mostramos para além das estatísticas policiais”, afirmou De Maio, que lembrou a cobertura rasa feita pela mídia sobre a onda de violência que tomou conta da periferia no segundo semestre de 2012.

Ferréz também fez referência ao clima atual vivido nas periferias, para falar do livro, lembrando dos assassinatos dos civis, que para ele tem um culpado direto: “Com o Desterro nós estamos chamando a responsabilidade, vamos poder falar em todo lançamento, em qualquer lugar, sobre a covardia que está acontecendo nas nossas quebradas, das mortes causadas pela Polícia Militar, a PM é a principal assassina nas quebradas.” O escritor de “Capão Pecado” salientou que o livro é, ao mesmo tempo, uma homenagem póstuma às vítimas das chacinas e ataques, e um protesto contra a “guerra que não é nossa.”

O lançamento e outras referências

Não é de hoje a parceria dos autores de “Desterro”. Em 2005, já haviam lançado a HQ “Os inimigos não mandam flores”, e atualmente são colaboradores da revista Fórum, onde Ferréz é colunista e De Maio é o desenhista da seção “Jornalismo em Quadrinhos”. “Esse trampo de jornalismo em quadrinhos que eu faço na Fórum é basicamente a mesma coisa que estou desenvolvendo no Desterro, não tem muita fantasia, é realidade, é rua, é periferia de São Paulo. A técnica é a mesma, mas aqui tenho espaço para colocar um romance, por exemplo”, compara o quadrinista.

O cartunista Laerte estava empolgado com a possibilidade de ver sua arte se tornando uma plataforma de comunicação para artistas dos subúrbios paulistas. “Os quadrinhos estão, agora, servindo como expressão para as pessoas da periferia, é bom saber disso. Esse caldeirão da periferia é muito maior do que as pessoas pensam. O ‘Desterro’ é um filme, me parece que o Ferréz e o Alexandre tinham essa intenção muito clara e não é comum você ver histórias em HQ de 172 páginas. Quanta coragem, não?”, perguntou.

O encontro dos autores se deu depois de descobrirem na redação da revista Rap Brasil, editada por De Maio, duas paixões em comum: Rap e HQ. “Eu sempre achei que não era um bom roteirista e fazia alguns roteiros baseadas em histórias minhas, que eu achava ruins, ou em letras de raps, que eram ótimas, mas não funcionavam como roteiro. Sempre sonhei em ter, comigo, um roteirista foda”, fundamentou De Maio.

“Desterro” demorou quatro anos para ficar pronto e, hoje, faz Ferréz fazer análises ambiciosas. “Não é contando vantagem, mas trampo igual esse meu e do Alexandre não tem, já vi muito trampo bom, de brasileiros, inclusive, mas que fala de temáticas da quebrada e que fala e desenha de lá de dentro, nunca vi.”

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