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Projeto de construção de shopping ameaça “Feira da Madrugada” no Brás

Comerciantes entregam abaixo-assinado com propostas para o futuro prefeito Fernando Haddad

Por Danillo Oliveira

Desde maio deste ano comerciantes da chamada “Feira da Madrugada”, realizada no Brás, temem ser expulsos da região. No local da feira, há a previsão da construção do shoppping Centro de Compras Pari. Atualmente, a Prefeitura espera a guarda definitiva do local para tomar nova decisão sobre seu destino.

Anunciado no início de 2011, o projeto “Circuito de Compras”, da Prefeitura de São Paulo, prevê a integração de quatro centros comerciais na região central da cidade: Sé, Brás, Santa Ifigênia e Bom Retiro.

Mas a proposta não tem apoio dos feirantes. “Nós acreditamos que a construção de um shopping não vai beneficiar os trabalhadores de baixa renda”, afirma Alex Omar Cabral, representante da associação dos comerciantes, micro empresários e micro empreendedores da feira. “Até agora a Prefeitura não procurou conversar com os comerciantes.” Segundo Cabral, a associação espera que “a próxima gestão dê mais atenção a esse assunto”.

O representante estima que haja de 5 a 6 mil bancas na feira, com uma média de dois trabalhadores em cada uma. Organizada na Rua Monsenhor de Andrade, a feira começa de madrugada e se estende até a tarde do dia seguinte.

Em 30 de setembro, a associação dos comerciantes entregou abaixo-assinado ao vereador José Américo (PT), em oposição ao projeto da Prefeitura. “Nós, donos de bancas, somos contra a construção de um shopping, porém somos a favor da melhoria da feira da madrugada”, diz o documento.

A associação representa mais de 10 mil empregos diretos, além de outros 20 mil indiretos das microempresas “que fabricam para a feira”. Os comerciantes destacam a necessidade de canalizar a água, o esgoto e de incluir cerâmica para uma cobertura adequada na feira.

Em anexo, a associação sugeriu propostas a Fernando Haddad (PT), na época candidato a prefeito de São Paulo. Entre as reivindicações que envolvem a “Feira da Madrugada” está a geração de empregos. A associação acredita que  a divisão dos terrenos de 20 por30 metros para médias, micros e pequenas empresas permitirá o desenvolvimento do pólo industrial nos bairros. São sugeridas ainda mil vagas para estacionamento de ônibus, o que “traria mais de 40 mil clientes diários ao comércio de São Paulo”.

Investigação de Kassab

Em abril deste ano, o Ministério Público Estadual encaminhou ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) representação aberta pelo deputado federal Ivan Valente.

O documento do parlamentar acusa o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), de condescendência criminosa em relação a uma série de ilegalidades cometidas na “Feira da Madrugada”, administrada desde novembro de 2010 pela Prefeitura da cidade. Segundo a assessoria do deputado, após assumir a gestão da Feira, a Prefeitura criou um Grupo Gestor para a condução dos trabalhos da Administração Municipal no local, coordenado pelo Coronel João Roberto da Fonseca, assessor da Secretaria de Coordenação das Subprefeituras.

A representação pede ainda a investigação de indícios de superfaturamento num contrato de prestação de serviços de vigilância e segurança patrimonial assinado pela Prefeitura com a empresa Atento.

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