Edinho Silva, Pedro Tobias e Baleia Rossi enfatizam avanços eleitorais de seus partidos

PSDB e PT continuam a dominar no Estado, mas PMDB cresce

Política Nenhum Comentário 0

Tucanos caem em relação a 2008, enquanto petistas sobem. Leia avaliação de dirigentes do PSDB, PT e PMDB

Cezar Xavier

O resultado do primeiro turno das eleições para prefeito revela que o desempenho dos partidos que mais cresceram no país, como PSB de Eduardo Campos e o estreante PSD de Gilberto Kassab, foi insuficiente para reduzir o domínio de tucanos e petistas no Estado de São Paulo entre 2008 e este ano em número absoluto de votos.

Juntos, PT, que fez mais quatro prefeitos e chegou a 64, e PSDB, que caiu de 204 para 173 prefeitos, levaram quase metade dos votos. Mas o eleitorado tucano (5,52 milhões de votos) caiu de 25,4% para 24,6% do total, enquanto o petista subiu de 22,8% para 23,8% (5,33 milhões).

Entre os grandes partidos, o melhor resultado em relação a quatro anos atrás foi do PMDB, que obteve no domingo 12% dos votos, contra 7,75% em 2008. Foram 88 prefeitos já no primeiro turno.

Com o esvaziamento do DEM pelo PSD, o conservador democratas caiu de 74 para 45, enquanto o partido adesista de Kassab conseguiu 32 prefeituras. Outro partido que precisa reavaliar sua estratégia é o PDT de Paulinho da Força, que perdeu 9 das 28 prefeituras e viu seu eleitorado baixar de 1,169 milhão para 584.961.

O PSB obteve 1,13 milhão de votos, contra 875,9 mil, e já tem 28 prefeitos. O partido foi o que mais cresceu eleitoralmente no país, com a articulação do governador de Pernambuco Eduardo Campos.

Edinho Silva, Pedro Tobias e Baleia Rossi enfatizam avanços eleitorais de seus partidos

Maior força paulista

Na hora da avaliação, é raro um dirigente partidário admitir publicamente os erros e perdas do partido numa eleição. Embora continue sendo a principal força política do estado, o PSDB teve perdas importantes, talvez por ser oposição ao Governo Federal, e apesar de ser o partido que governa o estado com Geraldo Alckmin.

A direção estadual, no entanto, avalia que o PSDB paulista foi o maior vitorioso nas eleições municipais de 2012, com seus 173 prefeitos eleitos, sem dizer que tinha 204. Outros sete candidatos do PSDB disputam, “com chance de vitória”, o segundo turno.

Dos 6.691 futuros vereadores dos 645 municípios de São Paulo, o PSDB elegeu 1.051 parlamentares. Para valorizar seu número, compara-se com o PT, que elegeu 666 vereadores, cerca de 36% menos parlamentares.

“O resultado das urnas mostra que estamos no caminho certo e que as bandeiras do PSDB, como ética e gestão eficiente dos recursos públicos não estão defasadas, como alguns políticos da oposição querem fazer a população acreditar”, afirmou o presidente do Diretório Estadual do PSDB, deputado Pedro Tobias.

“Desde o princípio definimos prioridades e estratégias e o resultado disso é que o PSDB continua sendo o partido político mais forte e importante em São Paulo”, concluiu o secretário geral do PSDB estadual, Cesar Gontijo.

Curva de fortalecimento

Embora anunciasse a expectativa de praticamente dobrar as prefeituras no Estado, após organizar quase 100% das instâncias em Diretórios Municipais, o PT ficou na mesma, até o momento, perdendo umas e ganhando outras. Perdeu prefeituras importantes como São Carlos e ganhou cidades vitrine do PSDB, como São José dos Campos. Mas a decisão de segundo turno sobre São Paulo mudará toda a correlação de forças para ambos os partidos, acrescentando 11 milhões de habitantes à conta de governados por um deles.

Na avaliação do deputado estadual e presidente do PT no estado de São Paulo, Edinho Silva, o Partido dos Trabalhadores saiu fortalecido das eleições municipais de 2012. Ele destaca uma parte significativa de cidades pólos, de grande importância para o estado pela capacidade econômica e produtiva para justificar sua avaliação. Soma à conta os 52 vice-prefeitos, os 666 vereadores, as 206 coligações vitoriosas e as disputas em sete segundos turnos (São Paulo, Diadema, Guarulhos, Santo André, Mauá, Campinas e Taubaté).

“Não há dúvidas que o PT se configura, definitivamente, como um dos pólos da disputa de projetos para o Estado de São Paulo em 2014”, enfatiza Edinho, que cita São José dos Campos, Carapicuíba, São Bernardo do Campo e Osasco como destaques com mais de 300 mil habitantes, esperando otimista a decisão da Justiça Eleitoral, pois Celso Giglio (PSDB) teve a candidatura impugnada pela Ficha Limpa.

O dirigente petista ressaltou ainda o desempenho do partido em cidades médias, com 100 mil a 300 mil habitantes como o caso de Araçatuba, Araras, Cubatão, Embu das Artes, Hortolândia entre outras.

Na sua avaliação, as urnas mostraram que, apesar do partido ainda enfrentar resistências em alguns setores, especialmente nos médios, houve uma recuperação importante de sua capacidade de intervenção política nesse segmento social.

O PT conquistou Prefeituras em regiões nas quais historicamente enfrentava dificuldades como é o caso do Vale do Paraíba, onde dez prefeitos petistas foram eleitos ante dois de 2008, e outras do interior paulista. Dentre as principais cidades conquistadas ou reconquistadas, Edinho cita Cachoeira Paulista, Bragança Paulista, Jaú, Franco da Rocha e Ubatuba.

“Não tenho dúvidas que as políticas implementadas pelo Governo Lula e com continuidade e avanços no governo Dilma possibilitaram esse desempenho nas cidades paulistas”, justifica.

Para o deputado Edinho, as disputas do segundo turno mostram a força das campanhas petistas pelo estado. São Paulo, a principal delas, tem como candidato o ex-Ministro da Educação, Fernando Haddad. Também disputará o segundo turno nas seguintes cidades do ABC Paulista: Diadema, Mauá, Santo André, Guarulhos, além de Campinas, interior do estado e Taubaté, no Vale do Paraíba. Em Jundiaí, da grande São Paulo, o PT está na disputa do segundo turno na condição de vice de Pedro Bigardi (PCdoB).

“Nosso objetivo agora é dialogarmos com partidos aliados que fazem parte da base do Governo Dilma e prepararmos nossa atuação para o segundo turno. Para termos êxito em uma disputa de projeto em 2014, precisamos atualizar esse diagnóstico, inclusive considerando as diversidades regionais no estado de São Paulo”.

O PT deve declarar apoio às candidaturas de partidos da base do Governo Dilma ainda essa semana. Em Ribeirão Preto o apoio deve ser à candidatura de Darcy Vera, do PSD, ela enfrenta o PSDB nos segundo turno. Em Sorocaba o apoio deve ser dado para Renato Amary do PMDB. Ele também disputa o segundo turno com o PSDB. No Guarujá o apoio deverá ser para Antonieta do PMDB que disputa a reeleição. “Estamos definindo nosso apoio no segundo turno olhando as forças políticas que estarão no palanque de reeleição da Dilma em 2014″, afirma Edinho.

Retomada do PMDB

O PMDB que vinha definhando, desde o quercismo, tornando-se linha de transmissão do PSDB, cresceu este ano com a rearticulação promovida pelo vice-presidente da República Michel Temer e o candidato a prefeito de São Paulo Gabriel Chalita.

Nas contas da direção partidária, o PMDB saltou de 1,73 milhão de votos em 2008 para 2,69 milhões em 2012, ou seja, um crescimento de cerca de 1 milhão de votos.

No primeiro turno das eleições 2012, o PMDB elegeu 88 prefeitos e 78 vice-prefeitos no Estado de São Paulo, um crescimento de 29,4% em relação ao pleito de 2008, quando foram eleitos 68 prefeitos e 52 vices.

A eleição do PMDB pode ser ampliada pois o partido disputa o segundo turno em Sorocaba, Mauá e Guarujá, além de disputar a vice em Franca, Taubaté e Ribeirão Preto.

De acordo com o presidente estadual do PMDB, deputado Baleia Rossi, os números da eleição são fruto da reestruturação implementada no partido nos últimos dois anos, do empenho dos candidatos e da união do partido.

Outro destaque feito pelo PMDB foi seu crescimento na Câmara Municipal de São Paulo com a eleição de quatro vereadores: Ricardo Nunes, George Hato, Dr. Calvo e Nelo Rodolfo. O PMDB não tinha nenhum eleito em 2008.

Ainda outra demonstração de fortalecimento, na opinião dos dirigentes, foi a expressiva votação de Gabriel Chalita a prefeito da Capital, que o qualifica para negociar com vantagem o apoio a Fernando Haddad (PT) no segundo turno. Ele obteve 13,6% dos votos válidos, cerca de 900 mil votos, número inédito para um peemedebista nas eleições para a prefeitura paulistana.

Para Baleia Rossi, a expressiva votação alcançada em todo o Estado é “o coroamento da ampla reestruturação do partido em São Paulo, processo iniciado há cerca de dois anos sob a liderança do vice-presidente da República, Michel Temer, com ampla participação dos deputados federais Edinho Araújo e Gabriel Chalita, dos deputados estaduais Vanessa Damo, Jorge Caruso, Jooji Hato e Itamar Borges, além do companheiro Paulo Skaf e todos os membros da Executiva Estadual”.

 

Comentários

Comentários

Artigos relacionados

Deixe um comentário

Back to Top


CC 3.0, exceto quando especificado ou para conteúdos reproduzidos de terceiros. O crédito à SpressoSP é obrigatório. Por Bryan.com.br

Buscar