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Justiça apreende jornal do sindicato dos bancários a pedido de Serra

Coligação tucana entra com ação para tirar Folha Bancária de circulação; para entidade atitude lembra a ditadura militar

Por Felipe Rousselet

Folha dos Bancários foi apreendida atendendo ação de Serra na Justiça Eleitoral (Foto: www.spbancarios.com.br)

Oficiais da Justiça Eleitoral, acompanhados da Polícia Militar, apreenderam na noite desta quinta-feira, 5, a Folha Bancária, jornal editado pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. Os oficiais estiveram presentes, de posse de uma ordem de busca e apreensão, na sede do sindicato e nas regionais da entidade.

A representação que determinou a apreensão dos 100 mil exemplares da Folha Bancária, e a retirada da versão online do site do sindicato, foi proposta pelo candidato a prefeito, José Serra (PSDB) e sua coligação, sob a alegação que uma matéria publicada pelo jornal “denigre a sua imagem”.

Segundo o diretor do sindicato Paulo Salvador, houve truculência na apreensão dos exemplares da Folha Bancária. “Embora não tenham encontrado material, eles fizeram questão de arrombar o armário. Não havia essa necessidade”, criticou.

A matéria que motivou a apreensão estava na última página do jornal e analisava as propostas e trazia o histórico dos candidatos que lideram as pesquisas de intenção de voto à prefeitura de São Paulo: Russomanno, Serra e Haddad. Além disso, o texto da reportagem trazia o apoio da maioria da direção executiva do sindicato ao candidato Fernando Haddad (PT).

Salvador discorda da alegação que a matéria denigre a imagem de Serra. “A Folha Bancária expressa a opinião da nossa realidade, comparando os candidatos, não fez campanha contra alguém, que seria o ato de denegrir. E não existe nenhuma mentira nas críticas ao Serra”, afirmou.

Em nota a presidenta do sindicato, Juvandia Moreira, ressalta que “os trabalhadores têm direito a analisar as propostas dos candidatos. Pode haver divergência, mas repudiamos a censura”. “Não denegrimos a imagem de ninguém. Só não pudemos noticiar o plano de governo de um dos candidatos que não tem seu material divulgado nos sites oficiais da campanha.”

A juíza Carla Themis Lagrotta Germano, que ordenou a apreensão, entendeu também que a publicação viola o artigo 24 da legislação eleitoral, que proíbe os candidatos de receber doações diretas e indiretas, inclusive na forma de publicidade. Para a juíza, a Folha Bancária teria feito publicidade para Haddad na matéria em questão.

Salvador rebate esta acusação e esclarece que a matéria foi o resultado de um conjunto de debates feito pela categoria. “É um exagero ela dizer que usamos a matéria para fazer campanha para determinado candidato. Não pegamos a bandeira de alguém e a defendemos. Pelo contrário, nós falamos da nossa história e esclarecemos o trabalhador”, disse.

Para o diretor, Serra demonstra ser uma pessoa autoritária, que comete atos constantes de censura. Esta foi a terceira vez que o candidato investiu contra a liberdade de expressão. Segundo o sindicato, em 2006 e 2010, duas edições da Revista do Brasil, uma que trazia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outra com a então candidata à presidência Dilma Rousseff, foram censuradas por solicitação da coligação tucana à época daquelas eleições. A revista é mantida por cerca de 60 sindicatos de diversas categorias profissionais, entre elas os bancários.

Salvador afirmou que o sindicato vai tomar providências judiciais e comparou a ação com as práticas da ditadura militar. “Na época da ditadura você tinha instrumentos de censura prévia, hoje há uma diferença, mas o resultado é o mesmo: são setores que são impedidos de falar”, ressaltou.

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