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Tarifa proporcional para ônibus de Russomanno é atacada por Haddad

Petista questiona proposta de candidato do PRB que fará “quem mora mais longe pagar mais”

Cezar Xavier

Após o SPressoSP questionar, sem sucesso, o candidato Celso Rossumanno (PRB) sobre a tarifa proporcional de ônibus, prevista em seu programa de governo, agora é o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, que ataca a proposta, que considera “escandalosa”.

Ele falou sobre o assunto neste domingo (23), e seu programa de TV também produziu um vídeo questionando a viabilidade e valor social da proposta.

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Tela de vídeo da Campanha Haddad Prefeito

“O bilhete proporcional vai penalizar a população mais pobre da cidade. Quem mora mais longe (do emprego) vai pagar mais do que quem mora mais perto”, criticou Haddad, durante atividade de campanha em São Mateus (Zona Leste da Capital). Este foi o questionamento feito pelo SPressoSP em 10 de setembro, que foi respondido à moda malufista: o candidato desatou a falar sobre outras propostas suas para o transporte coletivo.

A proposta continua sem explicação no site do candidato: “Instituir a tarifa proporcional, estabelecendo valor mínimo e máximo ao usuário do sistema de transporte de ônibus, onde será pago apenas o percurso utilizado.” Como será a informatização do sistema para contabilizar essa quilometragem? Há viabilidade técnica para isso? O bilhete único como é hoje deixará de existir? Qual serão esses valores mínimo e máximo? Por que favorecer quem menos precisa (quem mora perto de tudo) e prejudicar o morador mais pobre da extrema periferia?

Defesa do consumidor

A campanha de Haddad também produziu um vídeo didático explicando a tarifa proporcional como uma proposta sem pé nem cabeça, fruto de um candidato que não tem experiência para lidar com a complexidade do tema da mobilidade urbana. O vídeo do candidato petista chamado “A tarifa do Russomanno” pergunta: “por que a proposta dele não ajuda os mais pobres?” O próprio texto do locutor responde a pergunta, dizendo, sem pegar pesado no ataque: “Não é por mal, é por falta de experiência.”

Assista ao vídeo da campanha Haddad Prefeito:

Mas nas ruas, é o próprio Haddad quem fala, indo direto ao ataque. “Isso vai na contramão do que a gestão da Marta fez quando criou o Bilhete Único”, disse o candidato, lembrando seu compromisso com a gestão da ex-prefeita Marta Suplicy.

O petista é quem mais perde eleitores pobres da periferia paulistana para Russomanno, não alcançando plenamente o tradicional voto petista de outras eleições. O eleitor de Russomanno, por sua vez, acredita estar votando no candidato mais identificado com os pobres. A tentativa de Haddad ao denunciar a tarifa proporcional é mostrar que essa identificação é artificial, representando um risco para os próprios moradores das regiões mais periféricas.

Embora na tevê, a campanha evite um confronto agressivo ao candidato com maior intenção de voto, nas ruas, o petista critica o principal elemento de identificação de Russomanno com a população: sua fama de defensor do consumidor em programas de televisão. “Uma pessoa que diz respeitar os direitos do consumidor não apresentou seu plano de governo até esse momento, na reta final. Isso não condiz (com quem diz defender o consumidor)”, disse o único candidato que apresentou um Programa de Governo meticuloso em evento no dia 13 de agosto.

“A gente tem que respeitar a população; você tem que ter um compromisso mínimo para ser cobrado depois e entregar”, afirmou o petista.

Haddad ainda criticou a falta de plano de governo do candidato José Serra.
”Uma pessoa que já governou a cidade deveria dar o exemplo e ser o primeiro a apresentar (um plano de governo), mas provavelmente vai ser o último”, afirmou. “Ele (Serra) vai apresentar por pressão minha, vai copiar muita coisa, vai acabar tendo que remendar”, disse.

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