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Só Chalita critica exército de cabos evangélicos de Russomanno

Enquanto demais candidatos evitam confronto com igrejas, candidato católico considera crime eleitoral e exige apuração

Cezar Xavier, com informações da Folha de S. Paulo.

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O SPressoSP procurou partidos e a Promotoria Eleitoral, nesta segunda (10), para verificar o que pensam do candidato à prefeitura de São Paulo, Celso Russomano (PRB), estar usando a estrutura da Igreja Universal como uma espécie de comitê informal, conforme denunciou a reportagem da Folha de S. Paulo, neste domingo (9). A única manifestação mais contundente foi expressa pelo candidato Gabriel Chalita (PMDB), durante atividade de campanha, ao criticar Russomanno. Chalita é conhecido pelos vínculos fortes com a renovação carismática da Igreja Católica.

Até o início desta tarde (15h), as assessorias do PSDB e do PT afirmam que os partidos ainda não se manifestaram sobre o caso e a Promotoria Eleitoral declara que “só analisa casos concretos, não se manifesta em tese”. Informada sobre o conteúdo da reportagem, em que os jornalistas chegam a ser convidados a compor a equipe de cabos eleitorais dentro da igreja por R$ 150 por semana, a assessoria reafirmou que ainda não chegou nada ao conhecimento dos promotores.

A resolução do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) que chega mais perto do tema é a 23.370, sobre propaganda eleitoral. Segundo apontou a assessoria de comunicação do Tribunal, o artigo 10o. do segundo capítulo, afirma que é vedada a propaganda eleitoral nos templos religiosos, pois são bens comuns, assim como cinemas, clubes, lojas, e outros estabelecimentos privados. Caso observe alguma irregularidade desse tipo, a resolução ainda diz que, qualquer cidadão pode denunciar online pelo site www.tre-sp.jus.br.

Abuso alheio

Caso venha a julgamento e comprovado o fato descrito na reportagem, o candidato pode ser condenado por abuso de poder, ao criar uma desigualdade de condições contra os demais candidatos, situação similar ao uso da estrutura da Prefeitura para beneficiar um candidato. Bispos e partido tenta desvincular o fato da candidatura majoritária, associando as equipes de campanha a um candidato a vereador. Se a denúncia tomar proporções, o pastor Jean Madeira, líder da Força Jovem, que concorre à Câmara pelo PRB, pode se tornar bode expiatório.

Após a denúncia, Russomanno foi questionado e negou ter conhecimento do fato, enquanto o bispo da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e coordenador da campanha do PRB, Marcos Pereira, afirmou que o partido iria verificar o ocorrido e impedir a ocorrência do esquema descrito. “Eu tenho  apoio de todas as igrejas e fico muito feliz com isso. Agora, não posso responder pelos atos dos outros”, afirmou Russomanno durante atividade pública da campanha.

Chalita e a picuinha

Já o candidato Chalita foi o único a expressar clara indignação com a denúncia, segundo mostrou o Portal Terra. Com baixa intenção de voto nas pesquisas, o candidato que tem fortes vinculações com setores da Igreja Católica, parece não ter nada a perder ao criticar abertamente o candidato líder das pesquisas e as igrejas que pedem voto. Destacado no horário eleitoral pela estratégia “paz e amor” de se apresentar como amigo dos governos do PSDB e do PT, Chalita engrossou a voz ao criticar o adversário.

Segundo Chalita, a igreja não pode ser colocada em uma disputa como um “batalhão eleitoral.” Para ele, Russomanno deveria assumir os apoios religiosos, em vez de ficar negando-os. Ele ainda criticou a notícia de que a Assembleia de Deus estabelecem metas de 100 votos para seus 500 pastores, qualificando a prática como crime eleitoral. Chalita ressalta que comparece a eventos religiosos, mas não pede voto aos fiéis.

“Isso tem que ser apurado. Sou contra isso. (…) Da mesma forma que é incorreto perseguir igrejas, tem que respeitar o culto religioso, mas é incorreto a igreja se transformar em um batalhão eleitoral. Isso é ruim para cidade. É lamentável que a discussão se resuma a um ponto religioso. Isso é ruim pra democracia”, explicou. Os demais candidatos e partidos parecem estar preferindo falar direto com o PRB e IURD para evitar a campanha desleal, a abrir embate jurídico.

Comitê informal

Nos últimos dias, têm vindo a público que as igrejas Assembleia de Deus e Universal do Reino de Deus, que apoiam  Russomanno, disponibilizam até equipe de pastores para apoiar a candidatura. O intuito, segundo os líderes é garantir a vitória dos candidatos que lutam pelos interesses das igrejas.

Segundo a reportagem da Folha de S. Paulo, a sede da Igreja Universal do Reino de Deus, na avenida João Dias, em Santo Amaro, zona sul da cidade, é um dos comitês informais de Russomanno. É o mesmo prédio onde Edir Macedo, o líder da igreja e proprietário da TV Record, celebra cultos.

A reportagem testemunhou toda a movimentação típica de um comitê eleitoral, como o recrutamento e pagamento de cabos eleitorais. No local, os jovens recrutados se reúnem no estacionamento do templo, onde são abastecidos de bandeirinhas e adesivos de Russomanno para distribuir nas ruas. À tarde, retornam para devolver a sobra, em uma mesa com a inscrição Força Jovem Brasil, que é um grupo da Universal.

No interior do prédio, a reportagem foi convidada para trabalhar na campanha de Russomanno por um jovem. Ele ofereceu R$ 150 por semana para uma jornada diária de sete horas. Disse que o pagamento é feito no local. O cabo eleitoral afirmou ainda que, caso a oferta fosse aceita, ele poderia ser encontrado no próprio estacionamento da igreja após o culto, do qual iria participar.

Questionados se trabalhavam para a campanha do candidato a prefeito ou do pastor Madeira, os cabos eleitorais disseram que eram funcionários de Russomanno.

No momento em que a reportagem esteve no templo, eles participavam de uma reunião em que se discutia a escala de trabalho nas ruas. No culto, não houve propaganda ou menção ao candidato.


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