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Opinião: Soninha, o Rivailde Ovídeo do Serra

Por Leonardo Fuhrmann

É claro que nem todos os candidatos entram em uma disputa eleitoral para se eleger. Muitos estão lá para apresentar propostas, se diferenciar dos demais e, quem sabe, fortalecer um partido. No começo dos anos 80, o PT lançava muitos candidatos apenas para “marcar posição”, um termo da época. Lula para governador em 82 e Eduardo Suplicy para prefeito em 85 e governador em 86 são exemplos. Jornalistas que estavam nas redações lembram que o senador, então candidato, ligava para passar a agenda do dia seguinte e aproveitava para oferecer uma carona ao repórter.

Soninha e Serra: candidata ocupou cargos quando ele foi governador (Foto: blog do PPs)

Eram candidaturas pequenas, jamais nanicas. O nanico não é medido apenas por sua altura, é um termo pejorativo que não leva em conta apenas a estatura física. No caso de uma candidatura, o pequeno é medido pela intenção de votos, mas o nanico mistura a falta de perspectiva de vitória a um comportamento. As pessoas podem gostar ou não do PSOL, para falar de um caso atual. Mas as candidaturas de Plínio de Arruda Sampaio à Presidência e de Carlos Giannazi à Prefeitura são pequenas, mas não nanicas.

Lembro de um caso emblemático da eleição de 1985. Um candidato que usava o programa de TV para divulgar um bordão: “Onde está você, Franco Montoro?”. Mais do que um protesto, era uma maneira de atingir Fernando Henrique Cardoso, apoiado pelo então governador. Jânio Quadros venceu a eleição e depois ficou claro que o candidato do bordão era janista. Se minha memória não me trai, chegou inclusive a ocupar um cargo comissionado na gestão municipal. Ser linha auxiliar é um papel típico de nanicos. Ele ataca a serviço de outro candidato. A ideia é que o favorecido fique com o bônus do ataque sem o ônus de parecer agressivo.

No debate da última segunda-feira, achei estranho quando a Soninha Francine gastou 5 segundos dos 30 a que tinha direito para fazer uma pergunta. Normalmente, os candidatos se esforçam para gastar o máximo tempo possível, mesmo que seja em uma pergunta, para expor realizações e propostas. A justificativa é que o tempo na TV é precioso e deve ser usado da melhor maneira possível. A pergunta feita a Fernando Haddad também tinha uma vocação para bordão: “E o Maluf, Haddad?”

Hoje soube que está circulando um vídeo na internet, com a pergunta da candidata e os risos de parte da plateia, formada basicamente por pessoas ligadas aos candidatos e campanhas. A resposta de Haddad, que também provocou risos, foi cortada. Os autores do vídeo deixaram uma imagem congelada do candidato petista, para dar a impressão de uma hesitação que não ocorreu.

Além de disputar eleições, Soninha tem ocupado cargos de confiança nas administrações de partidos da coligação de José Serra. Foi subprefeita da Lapa na gestão Kassab e foi nomeada, assim como parentes dela, para cargos que agora me esqueço na gestão do ex-governador. Quando revejo o vídeo da Soninha, tenho a impressão de que ela está berrando: “Onde está você, Franco Montoro?”

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