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Incêndio em favela-modelo mostra precariedade de programa de prevenção de Kassab

Programa de prevenção contra fogo da comunidade do Piolho era tido como exemplar pela Prefeitura

Cezar Xavier, com informações da Folha de S. Paulo e da Rede Brasil Atual

Diante da suspeição sobre os incêndios em favelas situadas em áreas de especulação imobiliária da cidade, a Prefeitura tem defendido que em nenhuma comunidade onde seu programa de Prevenção a Incêndios em Assentamentos Precários (Previn) vigora, houve incidentes. No entanto, a tese que a Prefeitura defendia caiu por terra com mais um incêndio, na segunda-feira (3), em plena favela-modelo do programa, revelando a precaridade da ação do governo.

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O Previn não deu nem para o começo no incêndio que destruiu cerca de 300 residências da favela Sônia Ribeiro, conhecida como “do Piolho”, na zona sul. A comunidade foi a primeira a implementar o programa da gestão Kassab, em março de 2011, alardeado como um laboratório exemplar. As favelas da Alba (zona sul), incendiada em agosto, e do Moinho (região central), incendiada no fim de 2011, também fazem parte do programa.

Silêncio oficial

Foto de Marcelo Camargo/ABr

A última vez em que a Prefeitura se manifestou sobre o assunto foi na última sexta (31), em nota a órgãos de imprensa, quando garantiu que o Previn estava “em pleno funcionamento” nas 50 favelas previstas, com pessoas treinadas e equipamentos -como capacetes, roupas especiais e extintores. Conforme as comunidades mencionadas confirmam que a informação não procede, a Prefeitura silencia e não responde aos jornalistas que a procuram. O incêndio na favela Piolho foi o 32º ocorrido só neste ano na capital.

De acordo com lideranças da favela do Piolho que falaram ao jornal Folha de S. Paulo, três pessoas iniciaram o combate ao fogo e apenas uma delas tinha treinamento. Equipamentos, nenhuma, como as imagens de pessoas com baldes de água combatendo inutilmente o fogo foram mostradas nas emissoras de tevê.

O Previn foi criado por lei municipal. Das 1.632 favelas da capital, foram escolhidas as 50 consideradas de alto risco em razão de suas características (como construções irregulares, de madeira e alvenaria, ligações clandestinas de energia).

Segundo apuração da imprensa, onde o Previn vem sendo implementado, são poucas as pessoas treinadas como brigadistas sem nenhum equipamento. Na favela do Moinho, por exemplo, a Folha de S. Paulo verificou que foi instalado um hidrante, após o incêndio, mas sem mangueira e sem a chave para abri-lo. Na Alba, a situação é pior, pois sequer houve treinamento para combate a incêndios, embora a comunidade esteja oficialmente inclusa no Previn.

Previn sem dinheiro

Antes das informações reveladoras da precariedade do programa aparecerem, a Prefeitura afirmava que formou 124 zeladores nas favelas com direito a bolsa mensal de R$ 653,10 e que receberam o kit Previn: botas, capacetes e capa especial para incêndio. Somente na aquisição desses equipamentos, a prefeitura teria gasto cerca de R$ 1,7 milhão, ou mais de R$ 13.700,00 por kit.

Ainda segundo a nota da Prefeitura, esse zeladores “ajudam nos trabalhos de conscientização e até mesmo a fiscalização de possíveis irregularidades que causariam riscos às moradias”.

O silêncio da Prefeitura pode estar relacionado com o Orçamento de 2011, quando o Previn chegou a receber dotação orçamentária de R$ 1 milhão, mas, segundo as planilhas disponíveis, nada foi efetivamente investido. Em 2012, novamente, o montante executado foi nulo até o momento.