Home»Sem categoria»A polêmica das feministas do Femen Brazil

A polêmica das feministas do Femen Brazil

Movimento nascido na Ucrânia chegou ao Brasil chamando a atenção da imprensa e despertando críticas à sua forma de atuação

Por Felipe Rousselet

Sara Winter durante a Marcha das Vadias deste ano (Foto: Reprodução / Facebook / Femen Brazil)

O grupo feminista Femen chegou ao Brasil fazendo bastante barulho e causando polêmica até mesmo entre as feministas. O Femen é um movimento que nasceu na Ucrânia, em 2008, com o objetivo de combater práticas como o turismo sexual, exploração sexual de adultos e crianças, sexismo e todo tipo de patriarcado.

Um dos pontos de maior controvérsia do Femen é o seu modo de atuação. Suas integrantes têm como regra o uso da nudez nos protestos do grupo.

“Nós usamos o conceito de Nu Político para lutar, ou seja nossos corpos como armas de combate. Nós não nos despimos para protestar, nós vestimos nosso grito de guerra. Através deste conceito, realizamos performances e protestos pacíficos, principalmente utilizando de nossos seios. Essa é nossa maneira de provar aos responsáveis pela indústria do sexo que no mundo existem garotas que usam a nudez para lutar e que jamais serão exploradas, nós controlamos nossa própria nudez e nos apoderamos dela para combatê-los”, diz a organização em sua página oficial no Facebook.

No entanto, críticos ao Femen acusam o movimento de utilizar a nudez apenas para chamar a atenção da mídia, que por sua vez foca a cobertura na nudez de suas integrantes e não na mensagem que desejam transmitir.

“Pra mim, toda forma de protesto é válida, e não considero errado se aproveitar da sede da mídia por corpos bonitos para chamar a atenção e passar uma mensagem. Mas seria pedir demais que o que querem passar esteja bem definido? Porque, pra mim, o que pega é que não parece haver mensagem”, escreveu, em seu blog, Lola Aronovich, feminista e blogueira.

A polêmica sobre o uso da nudez como forma de protesto por movimentos feministas é tão grande que a própria porta-voz e fundadora do Femen no Brasil, Sara Winter, escreveu um texto em 2011 onde condenava a prática por ela hoje adotada.

“Eu fico me perguntando aqui, por que diabos essas meninas não fizeram uma marcha normal, quero dizer, COM ROUPAS NORMAIS, reivindicando o direito das mulheres […] Mas é claro que é muito mais divertido tornar a coisa polêmica, usar a faceta da liberdade de expressão para andar seminua nas ruas e se encher de um ‘orgulho puta’ (como diz um cartaz aí), daria pra fazer a mesma marcha com outro nome, com roupas e sem orgulho puta, mas aposto que não dariam tantas pessoas quanto na original”, publicou Sara no blog Le Cults Rats. 

O Femen Brazil (assim com “z”) confirmou que o blog e o texto publicado são de Sara, porém afirmou que ela “mudou de opinião”. Em resposta à polêmica envolvendo sua forma de atuação, o movimento publicou uma nota de esclarecimento na sua página no Facebook onde afirma que “o Femen Brazil, assim como o grupo Ucraniano, tem como base a descontextualização sexista do seio”.

Já para a feminista Camila Furchi, não é positivo para o movimento de mulheres  a visibilidade gerada na mídia pelas ações do Femen. “Acho um cinismo fenomenal, não do Femen, mas da própria imprensa em achar que isso pode ser positivo”, diz ela. A cada minuto são cinco mulheres espancadas no Brasil. A gente tem um índice altíssimo de violência. É uma pauta antiguíssima do movimento de mulheres. Todos os dias morrem mulheres pobres. A imprensa tem que estar atenta não só a um movimento, mas perceber na sociedade estas coisas. Perceber que a violência é um tema supersério e que não foi com o Femen que o tema surgiu. A grande responsável pelo nível dessa discussão em relação ao Femen estar tão raso, tão superficial, são alguns veículos de comunicação que tem interesse em vender jornal e peito vende jornal”, afirmou.

Padrão de Beleza

Outra crítica que o Femen recebe nas redes sociais refere-se ao padrão de beleza de suas integrantes. Nos protestos pela Europa, as manifestantes do grupo são na sua maioria garotas jovens, magras e loiras. No Brasil, o Femen afirma que não existem critérios estéticos para ingressar no grupo.

“O Femen Brazil possui um processo de seleção de integrantes que avalia de forma abrangente as potenciais integrantes. Aspectos psicológicos, emocionais, ideais, intenções perante o movimento e disposição de participar do ativismo são os principais pontos levados em conta”, afirmou o movimento em nota de esclarecimento.

Sara Winter e o nazismo

Outra polêmica que nas últimas semanas levou o nome de Sara Winter para as manchetes e gerou grande repercussão nas redes sociais foi a constatação de que a primeira brasileira a integrar o Femen possui uma tatuagem que aparenta ser uma cruz de ferro, símbolo germânico popularizado durante o regime de Hitler, quando se tornou a principal condecoração de guerra alemã.

Devido a repercussão da tatuagem na internet, Sara Winter realizou uma Twitcam e confirmou que teve contato com grupos integralistas e fascistas apenas pela internet. Disse ainda que mudou de opinião de um ano pra cá, e que hoje se considera neofeminista. Sobre a tatuagem, a porta-voz do Femen afirmou que ela representa a Cruz Pátea, da qual a Cruz de Ferro alemã é derivada.

Comentários

Comentários

  • Silas

    Cada menina feinha, vai ver que é a única oportunidade que elas têm de ficar nua para alguém.

  • Thaís

    Essa Sara Winter gosta bastante de mudar de opinião… Pelo menos poderia esperar formar alguma coisa concreta antes de se considerar “porta-voz” de um movimento…

Santos vence o clássico contra o Corinthians

"Militarização rapidamente se intensifica em São Paulo", diz ativista da Rede 2 de Outubro