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Consulta Popular declara apoio a Haddad nas eleições de São Paulo

Militantes de diversos movimentos afirmam que gestões tucanas foram antipopulares e que petista é o único capaz de derrotar Serra. Confira carta divulgada pelos ativistas, na íntegra. 

Por Consulta Popular 

Consulta Popular acredita que candidatura de Serra, apoiada pelo prefeito Gilberto Kassab, representa os "projetos de submissão, exploração e injustiça impetrados pelas elites burguesas" (Foto: Fora do Eixo / Flickr)

O Brasil somente poderá resolver os problemas do povo com a democratização da riqueza, da terra e dos recursos naturais, da cultura e dos meios de comunicação. A Consulta Popular há 15 anos se une aos movimentos populares na luta pela transformação estrutural da sociedade brasileira. A isto chamamos Projeto Popular, cuja concretização, por atacar os fundamentos da dominação burguesa, exige a tomada do poder político pelos trabalhadores.

Nessas eleições municipais, a tarefa colocada para as forças do Projeto Popular é derrotar a direita, organizada em torno da candidatura José Serra (PSDB). Dentro do quadro de polarização eleitoral consolidado nos últimos anos, a candidatura de Fernando Haddad (PT) se destaca como a única do campo popular capaz disto.

O PSDB é o partido político que sustenta eleitoral, ideológica e institucionalmente o neoliberalismo no Brasil. No estado e na cidade de São Paulo as gestões tucanas foram contundentemente antipopulares. A nenhum lutador ou lutadora do povo é permitido não enxergar que uma vitória dos setores sociais representados no PSDB é uma derrota da classe trabalhadora, ainda mais pelos contornos nacionais dessa disputa.

Isto por si bastaria. Mas não é só. A candidatura de Fernando Haddad (PT) pode concretamente ajudar as forças populares a se organizarem, a acumularem forças e a obterem conquistas com melhorias reais para a vida das maiorias. Os bons mandatos exercidos pelo PT na cidade de São Paulo — Luíza Erundina (1989-1993) e Marta Suplicy (2001-2005) —, tiveram como eixos do orçamento municipal a periferia da cidade, os espaços públicos e os mais necessitados.

Apesar de todos os limites dessas gestões, essas políticas se refletem no apoio que as massas populares manifestam nas urnas. Muito embora a coordenação da campanha do PT tenha priorizado tempo de TV e alianças que nada agregam politicamente — ao invés de apostar na militância de base popular — o reconhecimento das massas obtido pelos governos Lula, Dilma e, em São Paulo, Erundina e Marta, sustentará a candidatura Haddad nessa disputa.

O poder político e a implementação do Projeto Popular apenas se colocam em jogo nas eleições quando a classe trabalhadora adquire um maior grau de organização, autoconsciência e ativismo. Nessas circunstâncias, os processos eleitorais tendem a espelhar as contradições fundamentais da sociedade. Dois episódios de nossa história o ensinam: o Golpe de 1964 contra o presidente João Goulart e as eleições presidenciais de 1989 entre Lula e Collor.

Enquanto for desfavorável a correlação de forças na sociedade brasileira às transformações estruturais — situação que já perdura há duas décadas —, não se pode esperar das eleições senão que contribuam ou emperrem o processo de acúmulo de forças da classe trabalhadora.

No presente momento, a luta de classes se dá nas eleições no interior e nos termos da disputa entre PSDB e PT — e não entre programas abstratos de conservação ou transformação radical. A classe trabalhadora que vive essa luta dia-a-dia não se perde em purismos de consciência. Essa é a explicação para os resultados negativos obtidos nas urnas por candidaturas sem força real para derrotar o inimigo, muito embora defensoras das idéias socialistas. E o que vale para as urnas, vale para o mandato: o discurso mais ou menos radical de um candidato nas eleições não corresponde ao caráter mais ou menos progressista de um governo, que depende essencialmente da correlação de forças na sociedade e da pressão popular organizada.

A Consulta Popular se soma aos movimentos sociais e a todos os lutadores e lutadoras do povo em uma campanha militante para derrotar José Serra (PSDB) e eleger Fernando Haddad (PT). E confiamos na responsabilidade daquelas organizações companheiras que optaram por candidaturas próprias no primeiro turno: devemos estar juntos para derrotar Serra no segundo turno.

Quanto maior o envolvimento organizado das forças do projeto popular, melhores serão as condições para que essa luta se reflita numa melhoria na balança da correlação de forças contra o nosso inimigo: a burguesia, as elites e seus projetos de submissão, exploração e injustiça.

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