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Sopão contra “Kassab Proibidão” leva 300 à frente da Prefeitura

Manifestantes e representantes de entidades de apoio aos moradores de rua protestaram contra a tentativa de proibição do sopão

Por Maria Eduarda Carvalho

A ameaça de proibição do Prefeito Gilberto Kassab à distribuição de alimento nas vias públicas mobilizou internautas que organizaram em frente à prefeitura de São Paulo “o Sopão da Gente Diferenciada”.  A proibição foi suspensa, mas ainda assim cerca de 300 pessoas se reuniram na última sexta, dia 6, para manifestar contra as “práticas higienistas” que a administração atual vem adotando principalmente no centro da cidade.

Segundo Anderson Lopes Miranda, coordenador do Movimento Nacional da População de Rua “querer acabar com a distribuição de alimentos [para extinguir moradores de rua] é como querer acabar com o usuário de crack através da repressão policial”. Para Anderson o que a prefeitura precisa é ofertar políticas públicas para essa população. O Movimento Nacional da População de Rua é organizado por pessoas que já se encontraram ou se encontram em situação de rua e que buscam mais políticas a favor desses desabrigados, reivindicando, por exemplo, a falta de espaço para abrigá-los.

Durante o sopão, manifestantes questionavam a falta de estrutura para atender os necessitados, como a inexistência de restaurantes que sirvam refeição a um real durante a noite, a falta de banheiros públicos e até de lugares onde essas pessoas possam beber água potável. Além disso, também foi questionada a falta de vagas em abrigos públicos “o censo que já conta menos pessoas do que realmente são aponta para 14 mil moradores de rua e o espaço nos albergues é para pouco mais de 2 mil vagas” explica Léa Tosold doutoranda em Ciências Políticas pela Universidade de São Paulo.

Além da falta de espaço já existente, a localização dos abrigos também contribui para esses problemas, “não existe vaga para essa população no centro. A maioria dos equipamentos sociais da região foram fechados” explica Anderson. Fernando, ex-morador de rua chama atenção para a necessidade de a sociedade ser mais cuidadosa com a situação dos desabrigados, “acredito que as pessoas precisam olhar mais para o morador de rua não só no auxílio, mas no âmbito político que é o que provavelmente vai ajudar esses moradores a médio e longo prazo”.

A tentativa de proibição do Sopão está ligada a outras práticas que têm sido consideradas como medidas de higienização do centro de São Paulo, como a ação na Cracolândia e a proibição do comércio informal de ambulantes e camelôs. O Padre Julio Lancelotti, representante da Pastoral de Rua de São Paulo argumenta que “essa prática de higienização não é nova, mas que ela volta principalmente quando grupos políticos que se intitulam como de sociais democratas, mas que da social democrática não tem nada, estão no poder”.

A manifestação seguiu até a Praça da Sé onde simbolicamente foram distribuídos 50kg de sopa para os desabrigados da região.

Também foi distribuída sopa vegana, integralmente feita com alimentos orgânicos. Uma proposta dos adeptos do vegetarianismo que defendem essa ação como um “cruzamento de ideologias”.

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