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Ato lembra morte de angolana em SP e cobra novas políticas para imigrantes

Um mês após o assassinato da jovem Zulmira Borges, caso segue sem solução e abre debate sobre xenofobia

Por Igor Carvalho

Manifestantes se concentraram em frente ao prédio da Secretaria da Justiça (Foto: Igor Carvalho)

Aproximadamente 60 pessoas se reuniram, na última quinta-feira (21), no Pátio do Colégio, de frente à sede da Secretaria de Justiça de São Paulo, para lembrar a morte da estudante angolana Zulmira de Sousa Borges Cardoso. No ato, ampliaram-se, durante as falas, as discussões sobre xenofobia no Brasil.

Os manifestantes exigiram que a presidente Dilma Roussef peça desculpas ao povo angolano, pelo assassinato. O caso corre em segredo de justiça.

“Precisamos provocar o aceleramento das respostas sobre os culpados”, reclamava o advogado Clayton Wenceslau  Borges, do Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante (CDHIC), que espera que o caso seja levado para outras esferas. “O caso precisa ser acompanhado pelo Ministério da Justiça e pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.”

Segundo testemunhas, no último dia 22 de maio, no bairro do Brás, quatro angolanos estavam em um bar quando um cliente chamou um deles de “macaco”, gerando uma briga. A discussão foi apartada e os dois brasileiros saíram. Porém, voltaram armados e efetuaram disparos contra os imigrantes. Os tiros mataram Zulmira e feriram Celina Bento Mendonça (grávida de oito meses), Gaspar Armando Mateus e Renovaldo Manuel Capenda.

“Não somos tratados como irmãos”
Bonifácio Quimbolo não conheceu Zulmira, chegou ao Brasil duas semanas após seu assassinato. “Houve muitas notícias em meu país, Angola está muito sentida com a morte de nossa companheira, no Brasil.” O imigrante também falou sobre como tem sido a relação com os brasileiros. “Percebo que o atendimento com os negros é diferente, não pensava que seria assim. Não somos tratados como irmãos aqui.”

A preocupação com a xenofobia se estende a outras comunidades. Tânia Illes, integrante do Conselho de Consulta da Comunidade Peruana em São Paulo, reclamou do preconceito sofrido por seus compatriotas. “Há muita xenofobia no Brasil, infelizmente temos que admitir que há. Somos vítimas de preconceito quase todos os dias.”

Borges, salientou a importância de “se modificar a legislação para o imigrante, ela é antiga, do período da ditadura, e traz como consequência uma visão estereotipada do imigrante, de que ele precisa ser vigiado e controlado o tempo inteiro.”

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